Crucificação

Todos os cômodos da estalagem estavam cheios: só havia uma pequena manjedoura pronta para o parto do Cristo. Aqui está um, e ali outros que estão prontos, ansiosos por algo melhor que uma vida sensual. Muitos outros ouvem as palavras, mas somente aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver ouvem e vêem a mensagem. Então o Cristo anda pelas margens da Galiléia, dentro e fora de Jerusalém. O ser humano que está começando a manter o Cristo tanto tem experiências no topo da montanha quanto no vale. Quando se trata das experiências no vale, é aí que a maioria de nós falha em seu progresso. Nós não gostamos das experiências do vale, e ficamos impacientes com elas. Se tivéssemos estudado exaustivamente a vida do Mestre, lembraríamos que, embora ele tenha subido ao topo da montanha e tido a experiência da transfiguração – provavelmente a mais alta demonstração já alcançada na Terra – ele também foi para o pé da montanha, e lá curou e alimentou as multidões, não apenas uma vez, mas uma segunda vez, e depois repreendeu-os por sua falta de compreensão do Princípio.

Se Jesus tivesse nos prometido que o Caminho do Cristo era um caminho fácil, nós saberíamos que estamos todos no caminho errado, pois não estamos achando fácil. Nós estamos tendo provações e tribulações, sempre de natureza variada. Contudo, uma vez superado o problema de um corpo doente pela nossa realização do Cristo, passamos a não ter muitas dessas experiências. Nós podemos ter um resfriado, ou usar óculos por um tempo, mas isso é tão pouco importante. Nosso senso espiritual de saúde nos carrega para a frente, e este ou aquele pequeno aborrecimento não nos incomoda muito.

Da mesma forma, uma vez que tenhamos resolvido o problema do suprimento em nossa própria Consciência, através da realização do Cristo, não precisamos mais nos preocupar novamente. Podemos ter períodos em que não temos abundância de suprimento, mas aprendemos que o “maná” cai “dia a dia”; não nos importamos se a nossa conta bancária está ou não está igual amanhã ou no dia seguinte. Superamos o medo do dinheiro – o medo da falta dele – e o medo do amanhã. Mesmo que as circunstâncias nos levem a limitações em alguns períodos, podemos ter certeza que, uma vez que tocamos o Cristo, não precisamos mais nos preocupar com isso, e só raramente, depois disso, sabemos o que é falta ou limitação. Saúde e pobreza são coisas relativas, e uma pessoa que tem um leve entendimento de qualquer um dos ensinamentos espirituais do mundo não se incomoda muito em saber se ela tem dez dólares ou dez mil dólares. Ela sabe que, em qualquer caso, é apenas um incidente de hoje, porque ela captou alguma medida de compreensão de que a Presença e o Poder do Cristo em sua Consciência podem fazer isto.

Até mesmo Jesus teve seu Getsêmani, e nós também. Nós temos as experiências do vale, mas também vamos ao Monte da Transfiguração. Ocasionalmente, nós chegamos lá e realmente contemplamos o mundo da Realidade. E quando o fazemos, é a experiência mais gloriosa do mundo! Não há praticante, não há um único indivíduo que, tendo sido o instrumento de cura para alguém, não tenha captado alguma medida da visão do Monte da Transfiguração.

Nós, que percorremos esse caminho, temos experiências que, se as aceitássemos como realidade, nos arrastariam para baixo completamente. Mas, no máximo, são experiências temporárias. Portanto, vamos aprender a não levar muito a sério os males que vêm “por um dia”. Às vezes, esses males podem ser bênçãos. Quando chegarmos aquele estado de Consciência que vê as laranjas como fruto e não como suprimento – como o fruto do suprimento – então, nunca mais poderemos conhecer um problema financeiro.

Os males da carne, ou do corpo, continuarão a chegar em algum grau, até chegarmos à Realização da saúde e do corpo espirituais – esse lugar na Consciência onde podemos olhar para essas coisas sem desejo e sem preocupação. Quando entramos na Consciência que sabe que os órgãos e funções do corpo não têm nada para fazer a nossa vida, que é realmente a nossa Vida ou Consciência que está governando os órgãos e funções do corpo – usamos esses problemas para nos empurrar mais e mais para a Realização de Deus. Quando não temos mais problemas em nosso próprio corpo, eles ainda virão até nós, através dos corpos de nossos pacientes. Mas devemos ser capazes de “lidar” com os nossos próprios corpos primeiro, e esses continuarão entrando em nossos pensamentos de uma forma ou de outra, até chegarmos a esse estado de Consciência que se pode dizer: “nenhuma dessas coisas me move. Eu sei que o poder da vida e da morte não está no mundo do efeito, mas na Palavra de Deus – na Consciência”. Nunca se esqueça de que o Mestre estava aprendendo no período de três anos de seu ministério. Levou aqueles três anos inteiros antes que ele pudesse dizer: “aquele que me vê, vê aquele que me enviou”. Ele passou pelo período, primeiro, de ser filho do homem, então, um Filho de Deus, e finalmente ele percebeu: “Eu sou Ele e além de Mim não há outro”. Assim foi com todos os grandes profetas. Todos eles passaram pelo período de serem profetas humanos, profetizando eventos humanos, antes que eles entrassem na visão da realidade espiritual.

Quando você segue Jesus ao longo de seu caminho de cura, você fica impressionado com o fato dele não estabelecer um ministério de cura; isto é, ele não estabeleceu ramos de ensino da Verdade, centros nos quais praticantes fariam o trabalho de cura; nem ele ajudou os discípulos a se estabelecerem em uma cidade após outra, para que pudessem realizar os milagres dos pães e dos peixes.

O que ele fez foi estabelecer o Princípio, e então ele deixou isso para aqueles que poderiam compreender e viver. Ele pregou e esperou que todo o mundo pudesse receber o ensinamento, embora dentro dele mesmo, provavelmente conhecia melhor. Ele conhecia as desculpas que os seres humanos dão para não vir. Ele conhecia o tédio que pode vir com a mesma mensagem repetida muitas vezes, vestida em palavras diferentes. Ele sabia de todas as formas em que a mente humana pode ser rastreada, e ele foi preparado para elas, lembrando que “minhas ovelhas ouvem a minha voz”.

Paulo também saiu para o serviço de curar o mundo, e você só precisa ler suas cartas para conhecer suas tribulações. Ele estava determinado a fazer de todos cristãos, mas você não pode fazer ninguém um cristão. Deus trabalhando, na Consciência Individual, leva uma pessoa, no momento de sua prontidão, para o Cristo – para o professor ou para o ensino que é para ele. Então ele sabe: “é isso!”, e aproveita. A partir desse momento, começa a se desenvolver, desdobrar exteriorizar e revelar-se como Consciência Individual.

A mensagem apresentada nessas páginas continuaria, mesmo se eu decidisse me aposentar amanhã e viver nas montanhas ou à beira-mar. Nada pode parar esta mensagem, porque ela é do Cristo. Não precisa de mim. Nunca precisou de mim. Teria existido se eu tivesse sido levado a isso ou não, porque alguém seria levado a isso. Essa é a missão deste Cristo. Ele sempre encontrará uma “manjedoura” para nascer, e então sairá para o mundo na forma de um ser humano. Se uma pessoa não aceitar o trabalho, outra o fará.

Se você sente que esta é sua mensagem e que é sua responsabilidade levá-la ao mundo, você pode sofrer a crucificação. Mas será o seu próprio erro que irá crucificá-lo, porque esta não é sua mensagem: esta é a mensagem do Cristo. Nós sofremos a crucificação na medida em que personalizamos a mensagem.

Nós também podemos sofrer crucificação de outro modo. Nós podemos personalizar o mal na vida de outra pessoa. Se nós personalizamos o mal que faz deste homem um ladrão, ou daquele homem um alcoólatra, ou de outro doente ou morto, isso se voltará para nós. Quando eles tentaram personalizar o Cristo e procurando adorá-lo, sua resposta foi: “Por que me chamas bom?”

Quando você deifica uma pessoa, personaliza uma mensagem ou personaliza o mal, você pode ser crucificado, mas você é que terá se crucificado. Você terá crucificado seu próprio sentido harmonioso das coisas, e você será aquele que trouxe tudo para seus próprios ombros.

Quando você transmite uma mensagem, diga: “esta é a mensagem; para ser sua, ou não, como queira”. Então não haverá crucificação para você. Você não está reivindicando propriedade pessoal da mensagem. Se alguém quiser odiá-lo ou crucificá-lo, ele não tocará em ninguém. Toda crucificação que virá é ao Cristo que virá, à Verdade Ela Mesma, e a Verdade sabe como dissolvê-la. A única resposta que o Cristo tem à perseguição e crucificação é: “baixa tua espada. Tu não podes fazer nada por mim. Eu provarei a Vida Eterna, dentro ou fora da cruz”. Se você puder visualizar-se como Verdade, Vida e Amor, como alguém ou qualquer coisa poderá tocá-lo ou alcançá-lo como um chicote material, seja esse chicote uma coisa ou um pensamento? A crucificação não é dependente da sua aceitação da crença de que você é uma pessoa, em vez de você ser a Vida Eterna? Uma vez que você saiba que você é Consciência, deixe-os tentar pregar você – Consciência – a uma cruz, deixe-os tentar baixar a Consciência ao túmulo! Quando você vê esse ponto, você está outro passo mais longe da passagem (morte).

Lembre-se de que toda experiência do Cristo afasta você cada vez mais da velhice, da decomposição e da morte. No Jardim do Getsêmani, Jesus descobriu que estava sozinho com Deus. Ninguém estava com ele. Na experiência mais profunda que você terá que passar, você também vai achar que está sozinho. Ninguém pode ajudá-lo nessas experiências, mesmo que a pessoa possa sentar-se com você a noite toda. Em uma sala cheia de pessoas, você ainda está sozinho.

Mas você e sua Consciência Individual de sua Verdadeira Identidade o salvarão. Pode haver seis praticantes sentados em torno de sua cabeceira, mas quando se trata da demonstração final, todos eles juntos não o levarão adiante. Eles podem fazer muito por você até certo ponto, e então é você mesmo quem vai entrar no céu com o Cristo. Lembra-se do ladrão na cruz? Em sua última agonia, ele voltou-se para o Cristo, para trazê-lo através da experiência. Provavelmente, até aquele momento, ele dependia das armas do mundo; mas no último minuto, ele tinha apenas o Cristo, e ele tinha Sabedoria suficiente para voltar-se a Ele em sua última luta mortal, e orar para ser levado ao céu. Então, nós também, no nosso sentido humano, somos ladrões, ladrões do tempo. Mas um dia nós chegamos a um lugar onde nenhum agente humano pode nos conduzir, e então nós temos que nos voltarmos para o Cristo, porque somente o Cristo é a Divina Presença Espiritual e Poder de Deus em nossa Consciência. E nós, em nosso senso humano de falta e limitação, sofreremos e nos voltaremos para ele, e lá encontraremos a resposta.

Joel – Capítulo 9 – Crucificação – Livro: Consciência em Desdobramento



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1 resposta

  1. Quanta BELEZA IRRETOCÁVEL do CRISTO vejo AQUI. Mas quem acreditou??? GLÓRIAS à DEUS VERDADE por toda revelação nítida manifestada. ALELUIAS ao ÚNICO q É TUDO em TODOS! Quem aceitou já está vivendo. PRONTIDÃO impecável da #postura do REINO de DEUS infalível! Obrigada irmão iluminado Regis por cada reportar SANTO. Te amo em DEUS profundamente…

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