A Bondade Humana não é Espiritualidade

Quanto mais você aprender a se identificar com o Eu que eu sou, em vez de se identificar com o corpo e com a experiência humana, mais qualidades espirituais se manifestam em sua experiência. Se eu tivesse que tentar ser um ser humano muito bom, fracassaria. Mas, se tentar esquecer meu aspecto humano e residir no Eu que eu sou, perceber que o Eu é Deus, então, Ele se manifestará no corpo, nos pensamentos e nas ações que se originarem.

Foto por Jackson David em Pexels.com

Isto traz à baila um ponto muito importante – um ponto muito difícil para a maioria das pessoas. É necessário uma vida espiritual para se revelar a você que esta é a verdade. Suas boas qualidades humanas não são mais espirituais do que as más. Humanamente, suas boas qualidades, são melhores. É melhor ter boas qualidades humanas do que ter más, porém estas qualidades não são espirituais. O espírito transcende toda a bondade humana. O espírito é algo totalmente diferente da bondade humana.

Uma pessoa pode ser um ser humano do tipo superior e elevado hoje e amanhã ceder a alguma tentação e se tornar má. A bondade humana pode se tornar o mal. Por exemplo: a caridade pode se tornar nociva, da mesma forma, a segurança. O seguro social pode ser um obstáculo para os que estão no caminho espiritual, embora isto não precise ser necessariamente assim.

No momento em que uma pessoa sabe que terá uma renda semanal de cem dólares, por toda a vida, se não estiver preparada espiritualmente, pode ficar dependente dessa renda, em vez de depender de Deus. As pessoas me dizem que os práticos nunca deveriam ter de ganhar seu sustento na prática, que eles deveriam ter uma renda fora e independente da prática. Isto está errado. Nada poderia ser mais prejudicial, para alguns práticos, do que ter uma renda particular, porque eles não contariam com o Espírito, contariam com a renda. Não é menos incorreto contar com uma renda para seu sustento do que contar com seus pacientes. Obviamente, você sabe que está absolutamente errado em depender de seus pacientes ou alunos para seu sustento.

Não há nenhum prático verdadeiro no campo metafísico ou espiritual, a não ser o que depende de Deus. A provisão “parece” vir de uma renda, de um paciente ou de um aluno. É perfeitamente legítimo que ela venha em qualquer uma dessas formas. Mas depender dela é o mal. Muitos práticos que têm uma renda estão sujeitos a depender dessa renda e não de Deus. Eles podem se enganar ao acreditar que estão contando com Deus, mas a maioria deles está colocando a verdade na renda. Por outro lado, há alguns práticos e professores ricos que não cederam à tentação de acreditar que aquela riqueza é sua provisão. Eles têm a consciência de que Deus é sua provisão e, então, sua riqueza não é nenhum desabono para eles. Falando em sentido geral, ter uma renda ou ser rico pode levar, e frequentemente leva, a uma dependência, ao invés de levar a Deus. Portanto, você vê que, às vezes, a bondade humana pode causar o mal em nossa experiência. Portanto, para nós, é de suprema importância perceber que todo poder está em Deus. Todo poder está no Espírito Santo.

Às vezes, a crença em que o mal é poder, como por exemplo a crença no poder dos pensamentos maus, levará à crença oposta em que os pensamentos também são poder: Os pensamentos maus são um poder para o mal e os pensamentos bons são um poder para o bem. Não acredite nisso. Todos os pensamentos bons que as mães têm para com os filhos não protegem seus filhos de passarem por doenças, acidentes e morte. Todos os bons pensamentos humanos que temos em relação às nossas mães não podem nunca livrá-las da dor, da desarmonia ou da doença. Todo amor humano que pudermos dar uns aos outros, bom à sua maneira, não é o resultado espiritual, porque não é poder. Não importa o quanto você ama sua mãe, sua irmã, seu irmão ou seu filho; esse amor, em si mesmo e por si mesmo, não é poder espiritual. De outro modo, poderia ressuscitá-los dos mortos ou tirá-los da cama, quando doentes.

Foto por Andrea Piacquadio em Pexels.com

Amor Espiritual Versus Amor Humano

O poder espiritual é algo separado, à parte do amor humano. O poder espiritual não é algo que você possui para dar ou deter – é o presente de Deus, e quando você o sente, opera na experiência daqueles com os quais tem contato. Você não entende que um prático não tem de amar humanamente seus pacientes, a fim de ajudá-los? Você não entende que um prático nunca deveria amar seus pacientes ou alunos, simplesmente, no nível humano do amor? O amor deverá ser o amor de Deus, universal, impessoal e imparcial. Então, quando o paciente ou o aluno pedir uma elevação, este Amor divino estará lá para elevá-lo, ao passo que o amor humano nunca poderia fazer isso.

Lembremos de que o ódio e o amor humanos não são poder. O ódio humano é um atributo que todos querem que desapareça do mundo e que seja substituído pelo amor humano. Nós que estamos no caminho espiritual, no entanto, devemos aprender a nos elevar acima do amor humano e chegar ao Amor divino aquele Amor impessoal, imparcial e universal. Quase todo mundo está guardando dinheiro, tanto quanto possível, para os filhos, para os netos ou para aqueles que estão por vir depois deles. Mas, quantas dentre essas pessoas, a não ser aquelas poucas que fazem parte do grupo dos multimilionários, estão dividindo parte de sua riqueza com as crianças que não são as suas? Quantos recebem uma herança, que seja de mil dólares, e a dividem pela metade, num sentido universal de amor? Nenhum, ninguém. Geralmente, a pessoa com um, cinco ou dez mil dólares, deixa este dinheiro para uma, duas ou três pessoas, e essas uma, duas ou três deixam para seus próprios filhos ou netos. Não há nenhum sentido de universalidade ou amor divino nisso. É o mesmo que pegarmos nossa renda e gastarmos com nós mesmos e com nossa família. Não há nada de espiritual nisso, nada de amor nisso. Isso indica um grau de egoísmo, não de amor. Depois de algum tempo, em nosso caminho espiritual, devemos começar com uma quantia de cinco ou dez por cento de nossa renda e aprender a gastá-la num sentido universal; aprender a gastá-la em algo que não traga benefício para nós mesmos ou para nossa família algo que seja universal: para a educação ou para a religião, ou para os filhos daqueles que não podem dar o que eles precisam, ou para os órfãos ou para os idosos. Deve ser por alguma razão impessoal e imparcial. Mais cedo ou mais tarde, ao fazermos isto com cinco ou dez por cento de nossa renda, nos encontraremos fazendo isso com quinze e vinte por cento. Há pessoas que estão dando oitenta por cento de sua renda para algum propósito impessoal e universal, e ainda estão encontrando o suficiente para eles mesmos e suas famílias.

O amor humano nos instiga a pegar tudo o que temos e a gastar com as pessoas que amamos. O amor universal nos permite começar, pelo menos num grau pequeno, a ser impessoais e imparciais com o nosso dinheiro. Assim, dizemos que esta riqueza não é nossa, que ela é de Deus e, porque é de Deus, pertence ao mundo, pertence ao mundo dos filhos de Deus.

Foto por RDNE Stock project em Pexels.com

O amor espiritual nos mostra como ser impessoal e imparcial em nosso amor. Ele nos mostra como a chuva de Deus cai sobre o justo e o injusto. Ele nos mostra como a impessoalidade da Palavra de Deus é expressa. Ele nos mostra por que podemos curar os pecadores tão bem quanto os santos, e que, às vezes, é mais fácil curar pecadores do que santos, porque o santo, via de regra, representa um alto grau de egoísmo. O amor espiritual é muito diferente do amor humano. O amor espiritual transcende o amor humano; todavia, o amor espiritual se manifesta no amor humano. É um mistério e um paradoxo.

Se todo estudante da verdade, no mundo, começasse a expressar o amor espiritual, poderíamos elevar o mundo em uma geração. Mas temos de começar com nós mesmos, já que o Eu é Deus. Somos aqueles que devem expressar o amor de Deus – não o amor dos homens, mas o amor de Deus. Devemos expressar esse amor universal, impessoal e imparcialmente. Quando expressamos esse tipo de amor, então saberemos por que o ódio humano ou o medo humano não são um poder. Como eles podem ser um poder sobre o Eu que eu sou? Mas como eu posso estar pedindo para mim a Individualidade do Eu, a Cristandade, quando toda a minha experiência está centrada em demonstrar coisas para mim mesmo e para minha família?

Neste trabalho, aprendemos a não puxar o amor para nós, mas a deixá-lo brotar de nós. Aprendemos que Deus não é um poder que está fora de nós e, contudo, Deus é um poder universal. Deus fez com que Deus não pudesse fazer qualquer coisa exclusivamente para uma pessoa. Deus é a lei universal que deve ser manifestada e expressa como você e como eu, individualmente, se fizermos jus para que o Eu seja Deus. Não podemos dizer isso do eu pessoal. Não devemos fazer tal afirmação e, mais tarde, negá-la na prática. Depois que fizermos a afirmação que o Eu é Deus, temos de viver a nossa vida de conformidade com essa afirmação. Se aceitarmos este ensinamento, se aceitarmos o fato de que o Eu é Deus, cada um de nós terá que começar a viver como se o Eu fosse Deus. Isto significa parar de viver para mim ou tentar puxar o bem para mim. Pelo contrário, começar a viver fora de mim e a incluir o universo em meu amor – não apenas a minha esposa, os meus filhos ou os meus netos.

O Eu que é Deus nunca critica, nunca julga, nunca condena e, quando Ele aparece para fazer isso, não é com o propósito de julgar, de criticar, ou de condenar, mas a fim de trazer à luz o erro da situação, para que se possa modificar. Em alguns movimentos metafísicos, ainda perdura um ensinamento de que há uma causa mental para efeitos físicos, tais como: o ressentimento causa reumatismo ou que o ódio cause câncer. Eu não digo isso para criticar, para julgar ou para condenar, mas só para salientar o erro do ensinamento. Nunca critique, julgue ou condene, simplesmente com a intenção de criticar, julgar ou condenar, mas use a crítica, o julgamento ou a condenação como um poder construtivo, com o propósito de expor o erro e corrigi-lo.

O Eu que eu sou é a fonte e o centro da bondade do mundo. O Eu que eu sou é aquele ponto no qual toda a infinidade de Deus Se derrama no mundo. Mude de ideia! Pare de viver como um ser humano, usando as coisas de Deus para seu próprio benefício. Veja-se como aquele lugar na consciência através do qual Deus Se manifesta ao mundo – àquele mundo que ainda não está ciente de sua verdadeira identidade. Da mesma forma que o farol foi criado em benefício dos navios que possam passar e aproveitar a sua orientação, nós também somos a luz do mundo, para que aqueles que ainda não estão cientes de sua verdadeira identidade possam ser iluminados em seu caminho.

Foto por Vlad Bagacian em Pexels.com

O Espírito se Revela no Silêncio

Eu quero, acima de tudo, enfatizar o fato de que a maldade humana não é má e que a bondade humana não é boa. A maldade humana não é poder e a bondade humana não é poder. Agora, quando formos chamados para ajudar, por favor, lembremos, antes de mais nada, que nenhuma dose de poder humano, nenhuma dose de bons pensamentos humanos vai resolver o problema. Há um Espírito no homem que faz o trabalho, o Espírito Santo, aquele Espírito que é Deus. Podemos nos acostumar também à idéia de nos sentarmos paciente e silenciosamente com nós mesmos, até que o poder do Espírito se manifeste e faça o trabalho. Nenhuma dose de boa-vontade humana, nenhuma dose de amor humano, vai nos ajudar espiritualmente a levantar o fardo de outrem. Nenhuma dose de bom pensamento humano vai nos ajudar a curar as doenças ou as enfermidades de outra pessoa. É o Espírito de Deus manifestado como a nossa consciência que faz o trabalho e devemos nos tornar imbuídos desse Espírito. Fazemos isso em silêncio, em meditação, não sendo seres humanos bons ou seres humanos dignos ou nos orgulhando de nossa bondade. Há um Espírito no homem: este Espírito está no homem bom e este mesmo Espírito está no pecador. “Não há em Deus acepção de pessoas.” Deus é onipotente e onipresente; Deus é a nossa verdadeira consciência à espera de reconhecimento. No momento em que nos voltamos para Ele, quer nos voltemos para Ele como um ser humano bom ou um ser humano mau, Ele começa a Se manifestar e, desse ponto em diante, Ele dissipa todas as nossas qualidades do mal e muitas de nossas qualidades do bem.

Foto por Dorina Stati em Pexels.com

Eu recebo, todos os dias, cartas de pessoas que nunca encontrei, contando-me o que a leitura dos livros do “Caminho Infinito” está fazendo por elas e como estão atingindo sua experiência. Essas cartas me contam como as coisas que estavam erradas na vida daqueles que escreveram se endireitaram e como as coisas se arranjaram em seus negócios humanos- negócios materiais e corpóreos, desde que aplicaram essas verdades. Eles estão, obviamente, entre aquelas pessoas que aceitaram literalmente minhas palavras, no capítulo sobre “Meditação”, em O caminho infinito, e que, portanto, começaram a reconhecer sua união com Deus, desde a manhã até a noite. Provavelmente, foram as pessoas que vislumbraram o significado do capítulo sobre a “Imortalidade” e viram que a imortalidade não significa a longevidade da carne. Significa a eternidade da consciência manifestada como uma experiência física. Como incorporaram essas verdades na consciência, encontraram expressão em sua experiência.

Consideremos, agora, o que é conhecido como a lei do carma. Muitas pessoas estão presas em seus próprios pensamentos pelas crenças do passado. Esta é uma das crenças mais difíceis que temos de extinguir: a crença de que nossa experiência humana passada, mesmo aqui e agora neste plano, está agindo como uma lei para evitar nossa evolução futura. Em todo nosso trabalho de tratamento, discutiremos especificamente esta sugestão. Saibamos que nenhuma experiência humana pode, em qualquer ocasião, encontrar expressão em nossa vida espiritual.

Quando você quiser ajudar alguém, medite. Tente sentir a Presença de Deus. Logo, você será capaz de continuar todo o trabalho de cura, através da meditação, simplesmente ficando quieto interiormente. Então quando um problema surgir (mental, moral, físico ou financeiro), você resistirá à tentação de  pensar, afirmar ou negar, ou acreditar que, de qualquer forma, seu pensamento humano tem poder.

Tenha a visão de que seus pensamentos humanos não vão curar ninguém de nada. Não importa quão bons estes pensamentos sejam, não importa quão poderosos eles pareçam ser, são apenas poderes humanos.

Se você puder perceber que, em meditação, em quietude, em confiança, há paz; que, na tranquilidade, na alegria do silêncio, há a presença de Deus a ser sentida; então, você terá aprendido todo o segredo dos profetas, dos santos e dos salvadores. O maior segredo do mundo está na palavra Silêncio. Esse silêncio significa a capacidade de se sentar em paz e deixar as Realidades divinas se manifestarem, de deixar Deus falar, de deixar o Espírito Se exprimir, de deixar a Verdade Se expressar. Isto não significa destruir as sensações humanas ou o intelecto humano. Isto significa utilizá-los, usá-los, deixá-los ser um caminho ou um meio através do qual você se torna consciente da Presença de Deus. Em meditação, em tranquilidade pacífica e serena, Deus se faz visível como poder, presença, cura e provisão, mas você vê que é Deus que tem de fazer o trabalho. É Deus, a Realidade divina de nosso ser, manifestando-Se nas glórias do que surge como experiências humanas maravilhosas.

Aprenda o significado de: “Paz, fique tranquilo.” Aprenda a deixar isso agir como um tratamento e não ser simplesmente um “Paz, fique tranquilo”, mas ser a paz no corpo e na mente. Quanto mais você atingir este estado reflexivo de pensamento, esta calma, esta paz e este equilíbrio interior, maior será o poder do Espírito que surge para transformar seu mundo.

Você não sabe que Eu estou com você? Saiba, também, que tudo que Eu tenho é seu. Repetir estas palavras, simplesmente, como afirmações, não é poder. Aprendemos, um dia, que elas não são nem mesmo verdadeiras. Este tem sido o infortúnio da religião organizada: ela aceita tais afirmações como verdade, quando não foram provadas pela experiência. As únicas afirmações verdadeiras se expressam no silêncio. Neste silêncio, a Própria Verdade fala e Se manifesta.

Foto por Pixabay em Pexels.com

O fato de um pastor pregar estas palavras ou de um prático dirigi-las a você, não as torna verdadeiras. É quando a Palavra está com você e dentro de você que ela é poder. Aqueles que registraram a Palavra na Bíblia receberam-na dentro de seu próprio ser e é por isso que ela se tornou um lugar-comum, mas quando repetimos a palavra de Deus é só uma citação. Lembremo-nos disso. Se você pode ouvir, dentro de seu próprio ser silencioso, estas promessas que estão na Escritura Sagrada, elas serão uma lei para seu ser, como foram para Elias, Elisha e Paulo e todos os outros líderes espirituais.

Você não pode encontrar Deus no intelecto. Deus se encontra na voz pequena e tranquila. Portanto, deixe a voz pequena e tranquila Se exprimir para você e você descobrirá que tem todo o Poder e toda a Presença que qualquer santo ou profeta já teve. Não é o seu poder; é o poder de Deus. Queremos ser glorificados pela glória de Deus. O que precisamos é o poder de Deus, expressando-Se através de nós e como nós.

Joel – As Palavras do MestreCapítulo 5: O Eu que eu sou



Categorias:Estudantes do Caminho Infinito

Tags:, ,

1 resposta

  1. Avatar de arquitetadaoracao

    Quanta supremacia da mística puraaaaaa encontro aqui. Fiquei tão estremecida com a dignidade ultra reportarda q nem sei mensurar… a medida de Deus É sem medida! Muitíssimo Obrigada irmã Andreia por ser Deus EU SOU aqui! Sempre soube q o mal humano e a bondade humana não eram poder, e jamais espiritualidade!!! Aqui não se tem dúvidas de nada.
    Abraços d vida espiritual real! Extremamente agradecida e feliz por vivenciar a graça interior silenciosaaaaa…

    Curtir

Deixar mensagem para arquitetadaoracao Cancelar resposta