A Natureza do Discernimento Espiritual

ESPIRITUALMENTE O MUNDO está incorporado em nossa consciência. Vivemos em um mundo de montanhas, vales, riachos, rios e oceanos, sol, lua e estrelas. Vivemos num mundo de calor e gelo, mas em qualquer parte do mundo em que vivemos, reagimos a “este mundo” em termos do nosso próprio estado de consciência. Na realidade não existe bem ou mal no mundo: o mundo é feito de montanhas, vales, rios, oceanos, árvores, sol, lua e estrelas, mas não é bom e não é mau, nem qualquer grau intermediário.

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Quando aqueles que vivem no Havaí exclamam: “Como é maravilhosa a vida nestas ilhas havaianas, com a beleza, o clima, a folhagem, o oceano e as montanhas”, estão investindo as ilhas com qualidades boas. Há pessoas de outros estados que não achariam o Havaí tão bom: sentiriam falta da neve, do gelo, do ar fresco, das noites frias e agitadas e das manhãs frescas. Há até alguns que respondem a um clima quente como o do Havaí ficando doentes, e há outros que respondem a isso ficando bons. Por outras palavras, a saúde não se encontra em nenhum clima, em nenhum país ou em qualquer estado: a saúde é uma atitude mental, um estado de consciência, e uma pessoa responde a um lugar em acordo com seu estado de consciência. 

Tudo isso faz parte do estado de consciência que trouxemos a este mundo ou que assumimos através de nosso ambiente ou educação. Isto constitui não apenas estar neste mundo, mas ser deste mundo. Estamos respondendo às aparências e às crenças. Encontramos beleza em coisas, pessoas ou circunstâncias onde não há beleza e encontramos feiura onde não há feiura, tudo porque respondemos à crença universal.

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Não julgue pelas aparências

Na vida espiritual, somos instruídos a “não julgar pela aparência”. Isto não significa que devemos apenas “não julgar” as aparências negativas, mas “não julgar” qualquer aparência. O Mestre disse: “Por que me chamas de bom? Não há outro bom senão um, isto é, Deus”. Quão cuidadoso ele foi em afastar seus seguidores de qualquer aparência, para que pudessem ter a experiência! Mas, como alcançamos a experiência de viver no mundo e ainda assim não fazer parte dele, isto é, não estar sujeito a ele? Fazemos isso através de uma Atividade da nossa Consciência. Retiramos o bem e o mal da aparência. Deixe-me ilustrar isso:  

Ao olharmos para um grupo de pessoas, reconhecemos que, no quadro humano, algumas são boas e outras não tão boas; algumas estão bem e outras não tão bem, algumas são jovens e outras nem tanto. Tudo isso são aparências. Se vivemos no mundo e fazemos parte dele, aceitamos essas aparências pelo seu valor nominal. Mas se estamos no caminho espiritual, tudo isto deve mudar. 

Devemos olhar para um grupo ou para qualquer pessoa e perceber: “Não há bem nem mal diante de mim, nem doença nem saúde, nem juventude nem idade, nem pecado nem pureza”. Só poderemos fazer isso se não julgarmos pelas aparências, se pudermos deixar nossas emoções de lado, para não gostarmos apenas daqueles de que gostamos e não gostarmos daqueles de quem pensamos que não podemos gostar. Temos que deixar tudo isso de lado e concordar: 

“Deus fez tudo o que foi feito, mas com meus olhos humanos não consigo ver a criação de Deus. Eu sei que você é como imagem e semelhança de Deus. Portanto, seja com os olhos abertos ou fechados, eu devo excluir a imagem de você como meus olhos o veriam, como minhas emoções gostariam de pensar em você, e Eu devo voltar-me para dentro e orar: ‘Pai, revela-me o homem à Tua imagem e semelhança, a manifestação do Teu próprio ser”.

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O Discernimento Espiritual revela o que É

No exato momento em que decidimos não julgar pelas aparências, estabelecemos algo dentro de nós na direção do desenvolvimento da faculdade da Alma de discernimento espiritual. Estabelecemos um acordo interior de que o que vemos, ouvimos, saboreamos, tocamos e cheiramos nada tem a ver com uma pessoa tal como ela é, e concordamos interiormente que não podemos julgá-la por nenhum dos padrões humanos dos cinco sentidos físicos. Portanto, devemos esperar em Deus; devemos esperar que o discernimento espiritual nos revele tal como ele é.

Temos oportunidades para praticar isto durante todo o dia e durante toda a noite, primeiro porque é necessário que conheçamos os membros da nossa própria família como eles são e não como parecem ser. Nunca ficaremos inteiramente satisfeitos com eles como humanamente parecem ser. A verdadeira felicidade só pode surgir quando se discerne a verdadeira natureza daquilo que está oculto à vista. À medida que praticamos isso, alguns vêm até nós e pedem ajuda, por nossas orações.

Uma consciência curativa sabe que um ser humano não é o que parece ser; sabe que não podemos ver, ouvir, provar, tocar ou cheirar uma pessoa como ela é à imagem e semelhança de Deus e que não podemos julgá-la por nenhum padrão da mente humana. Devemos, portanto, esperar que se desenvolva dentro de nós uma faculdade espiritual que nos permita discernir o homem ou algum homem, mulher ou criança em particular à imagem e semelhança de Deus.

Para atingir a consciência da ausência de julgamento, devemos fazer isso com gatos, cães, árvores, montanhas e oceanos. Devemos parar de amar os oceanos só porque a nossa natureza pode gostar de estar perto do mar. Devemos parar de amar as montanhas só porque a nossa natureza responde a estar em lugares altos, e devemos começar a discernir as montanhas e o mar do ponto de vista de Deus. Deus não fez uma montanha para algumas pessoas gostarem e outras não gostarem, Deus não fez um mar para ser magnífico para alguns e destrutivo para outros; Deus não fez árvores para abençoar alguns e não outros. Tudo o que Deus fez é bom.

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Alcançando o Estado de Consciência do Jardim do Éden

Há muitas pessoas que não gostam de gatos e muitas que não gostam de cães, e algumas que não gostam de animais. Certamente há muitos que temem répteis e feras selvagens, mas no caminho espiritual não podemos permanecer no mundo e dele; devemos permanecer, mas não pertencer a ele. Não precisamos sair para a natureza e enfrentar fisicamente répteis e feras, mas exatamente onde estamos, encaramos a parte do mundo que gostamos e a parte que não gostamos e percebemos: “Há mais para você do que os olhos veem e, até que eu tenha desenvolvido a capacidade de discernimento espiritual, eu não conhecerei o homem ou o animal como ele é em Deus, nem conhecerei o mundo como ele é em Deus e, portanto, nunca saberei o que é viver no Jardim do Éden.”

O Jardim do Éden não existe no tempo; o Jardim do Éden não existe no espaço; e nem sequer existe no futuro para nós. Não há lugar onde possamos encontrá-lo, nem mesmo em alguns pontos da face do globo onde se afirma que o Jardim do Éden existiu. A verdade é que o Jardim do Éden nunca existiu em nenhum lugar específico porque o Jardim do Éden é um estado de Consciência Divina. Vivemos Nele aqui e agora na proporção em que podemos discernir a natureza e o caráter do homem como ele é à imagem e semelhança de Deus e na medida em que podemos discernir as montanhas, os vales, as árvores, os riachos e os oceanos como eles são como criação de Deus.

A criação de Deus é espiritual. À medida que a faculdade interior de discernimento for desenvolvida, começaremos a ver espiritualmente, a ouvir espiritualmente e a conhecer espiritualmente, o que constitui discernimento. “Já estou com você há tanto tempo e você ainda não me conhece, Filipe?” “Quem, o homem diz que eu sou, o Filho do homem?… Mas vós, quem dizeis que eu sou?” Estamos vendo Jesus como um homem? Estamos vendo nosso marido, nossa esposa ou nosso filho como homem, mulher ou criança, ou temos olhos que realmente veem? Temos ouvidos que realmente ouvem? Temos um poder de discernimento que transcende os cinco sentidos físicos?

Neste ponto depende toda a vida espiritual, e neste ponto depende a cura espiritual. Com os cinco sentidos físicos, isto é, com a mente humana, seríamos mais do que tolos se afirmarmos que não há pecado, doença ou morte no mundo, ou se disséssemos que não há falta, limitação, ou estupidez. Uma vez alcançado o discernimento espiritual, mesmo que em pequena medida, no entanto, começamos a perceber a criação de Deus exatamente onde a mortalidade parece estar, e isso constitui a consciência curativa. A diferença entre um estudante que está fazendo trabalho de cura espiritual e o resto do mundo é que aqueles que fazem trabalho de cura alcançaram discernimento espiritual suficiente para ver através da aparência do mundo, do homem e da lei, a Criação de Deus, enquanto o mundo como um todo julga inteiramente pelas aparências.

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Não há Destruição na Criação de Deus

Deus nunca criou uma lei destrutiva. Na realidade não existe uma lei da doença ou uma lei da morte. Alcançar a nossa libertação destes meios significa alcançar o poder do discernimento espiritual, para que possamos ver a natureza da lei de Deus e, na Presença desse poder de discernimento, o sentido material da lei evaporar. Todos os males deste mundo são criados pelo homem, isto é, são criados pela mente. Eles são a criação daquilo que é chamado de Senhor Deus, ou lei. É a crença equivocada de que esta lei, ou Senhor Deus era Deus, que resultou na escravidão de todo o mundo – escravidão física, mental, moral e financeira e tudo porque as antigas Escrituras Hebraicas que falavam de Deus e de um Senhor Deus, foram interpretados como se ambos os termos significassem Deus, e não é assim. O Senhor Deus é a lei, e esta lei foi abolida em Cristo. Mais cedo ou mais tarde, o mundo perceberá que a lei e Deus não são a mesma coisa. A lei tem a ver com o que você semear, assim colherá, mas não existe tal lei em Deus. 

Em Deus há perdão setenta vezes sete. Em Deus, não existe “o que você semeia então você colherá e isso lhe é bem feito!”. Em vez disso, existe: “Eu também não te condeno, Eu te perdoo. Eu não te julgo, nem te castigo. Eu te liberto.” Portanto, tudo o que foi aceito como o bem e o mal de Deus é um erro. Apenas aqueles que compreendem a natureza de Deus como Ser imortal podem compreender que não pode haver destruição em Deus ou na criação de Deus: nem começo nem fim. É um estado de imortalidade.

Cura Espiritual, uma Atividade de Discernimento Espiritual

Desde que nascemos na mente humana, com sua crença no bem e no mal e na crença de que existem leis de Deus do bem e do mal, não podemos nos elevar acima deles, exceto por um ato consciente de nossa consciência, retirando-se conscientemente, tirando o bem e o mal deste mundo e das pessoas, e então dizendo: “Pai, não sei rezar, não sei julgar; Não sei como entender; eu não sei como entrar ou sair. ‘Fala, Senhor; porque o teu servo ouve.” Vivendo constantemente nessa atitude de receptividade, Deus fala através de nós e dentro de nós, revelando Sua criação. Isso é tudo existe para a cura espiritual.

Quando alguém apresentou a aparência de uma mente doente, de um corpo doente, ou de uma carteira doente, e alguém de discernimento espiritual viu através da aparência, deixou-se viver no mundo, mas não dele, e não aceitou os julgamentos do mundo , então a Graça de Deus vem como luz, e não há mais trevas. Em Sua Presença está a liberdade; em Sua Presença está a Graça divina; em Sua Presença há libertação. O curador espiritual é aquele cuja consciência está aberta para permitir que a Voz mansa e delicada se pronuncie para que a terra do erro possa derreter.

Desenvolvemos a capacidade de discernimento espiritual à medida que concordamos que o universo de Deus é totalmente bom e totalmente espiritual. Com os nossos olhos não podemos acreditar nisso, nem com os nossos ouvidos. Nossa mente nunca nos convencerá disso, porque ela vê, ouve, saboreia, toca e cheira demais o mal. Portanto, devemos ser quietos; devemos alcançar a tranquilidade, a paz e a capacidade de viver nessa atitude para que, em vez de ceder aos nossos gostos e desgostos, em vez de julgar pelas aparências, deixemos a faculdade espiritual dentro de nós discernir a natureza daquilo que está aparecendo para nós e sendo revelado para nós. Então, finalmente, nos diz: “Este é meu filho, em quem me comprazo”. Quando a Voz diz isso, a luz apareceu e as trevas se foram, e alguém pode dizer: “Estou curado”.

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Não temos poder para conceder ou reter a cura

Deus não dá e Deus não retém. Não temos o direito de acreditar que podemos dar o bem a alguém, até mesmo boa saúde, ou que podemos negar isso a outrem. Não podemos dar nem reter: só podemos discernir. A maneira como esse discernimento opera deve ter muito a ver com alguma receptividade interior por parte daqueles que estão ao alcance da nossa consciência, porque estamos constantemente tendo experiências mistificadoras.  Certa vez, um estudante me escreveu uma carta chamando minha atenção para um homem hospitalizado que, segundo os médicos, não poderia sobreviver. Não havia esperança para ele. Foi um caso muito angustiante, e a história tocou tanto a aluna que ela quis ajudar, mas não se sentiu capaz e escreveu perguntando se eu poderia ajudar aquele homem. O homem não sabia nada sobre o seu pedido e nada sobre a natureza do nosso trabalho, por isso a minha resposta tinha de ser: “não posso dar nem negar.” Não há dúvida de que o meu discernimento interior me diz que este homem, como eu e como todos, é a imagem e semelhança de Deus, a própria representação na terra do próprio ser de Deus. Eu sei disso, mas não posso dar-lhe isso e não posso negar-lhe: é a verdade sobre ele. Até que ponto ele recebe cura, não tenho como saber. Acredito que terá algo a ver com o seu próprio discernimento. Pouco depois recebi um recorte de jornal do aluno. O homem foi curado e os médicos não conseguiram entender o que havia acontecido: “Tudo o que podemos dizer é que pode acontecer de novo, mas não sabemos como aconteceu desta vez”. Ainda afirmo que não posso dar e não posso reter, mas posso discernir, e então talvez o grau de receptividade de uma pessoa determine o que acontece depois desse discernimento. Quando somos chamados por ajuda, não podemos dar cura e não podemos recusar a cura, mas se estivermos desenvolvendo a capacidade interior de discernimento espiritual, poderemos discernir a natureza da imagem e semelhança de Deus e, então, em proporção à medida de receptividade, há cura. Pode ser uma cura instantânea ou pode ser prolongada.

A receptividade vem pela Graça

A receptividade não é algo sobre o qual temos controle. Não podemos culpar ninguém pela falta de receptividade, nem podemos dar crédito a quem tem receptividade, porque não é dele: é de Deus. Se minha própria vontade, desejo ou esperança pudesse ser cumprida, minha receptividade seria tão tremenda que eu seria o Cristo pleno e completo, mas não posso dar isso a mim mesmo e não posso negar isso a mim mesmo. Tenho que esperar com a mesma paciência que qualquer outra pessoa espera que o Espírito se mova sobre a face das águas. Temos que esperar pelo Espírito para nos abrir desde o botão que somos quando chegamos a este trabalho até a flor desabrochada que eventualmente seremos. Esta plena receptividade ainda não ocorreu dentro de mim ou dentro de você. Eu não posso evitar, você não pode evitar. Só posso fazer uma coisa: ser o mais fiel possível ao que entendo e depois esperar pacientemente que mais Graça se desenvolva dentro de mim. Assim é com você; assim é com todos nós. Sabemos que a Cristandade, a Cristandade plena, é a medida do nosso ser. Sabemos também que não podemos afirmar que atingimos totalmente, mas como conhecemos a meta e como sabemos que a única forma de alcançá-la é o desenvolvimento adicional desta capacidade espiritual de discernimento, sabemos que ela envolve prática, prática, constante prática.

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O Caminho do Meio

Felizmente, durante todas as nossas horas de vigília e, em certa medida, durante as horas de sono, temos a oportunidade e a capacidade de nos lembrarmos conscientemente de cada vez que investimos algo com uma qualidade boa, de retirar imediatamente esse julgamento e dizer: “Não, não, Pai, revela-me a verdadeira qualidade”. Cada vez que investimos em algo ou alguém com qualquer qualidade de humanidade, positiva ou negativa, podemos retirá-la e nos voltar para este poder de discernimento que está dentro de nós e pedir luz. Então recebemos luz sobre a sua verdadeira natureza e, à medida que esta se desenvolve, ao contemplarmos cada vez mais a Cristandade, nos tornamos mais e mais do Cristo. Em “O Caminho Infinito” isso é chamado de caminho do meio: nem boa humanidade nem má humanidade, mas espiritualidade; nem humanidade saudável nem humanidade doentia, mas espiritualidade, nem idade jovem, nem velhice, nem meia-idade, sem idade mas, eternidade, imortalidade. Em outras palavras, estamos retirando as qualidades do bem e do mal, do alto e do baixo, do doente e do saudável, do rico e do pobre; estamos retirando tudo isso e então deixando o Discernimento Espiritual nos revelar a Natureza Espiritual da Criação.

A iluminação traz Discernimento Espiritual

A iluminação é realmente o poder do discernimento espiritual de um indivíduo, e é isto que traz a cura: não um Deus, não o Deus, não Deus. Somente o discernimento espiritual desenvolvido ou natural de um indivíduo realiza o milagre. Moisés e muitos dos profetas hebreus curaram antes que existisse o Cristianismo. Quinhentos anos antes de Jesus, havia um tremendo ministério de cura em toda a Índia, em ashrams fundados pelos discípulos do Buda. Jesus realizou suas obras de cura através de seu discernimento espiritual, mas não porque houvesse um Deus que faria algo por Jesus que Ele não faria por outra pessoa. O que então realiza os milagres? À medida que a nossa consciência é iluminada, o que significa que à medida que desenvolvemos o poder do discernimento espiritual, todos os que estão ao alcance da nossa consciência são abençoados. Aqueles que têm maior receptividade espiritual recebem os maiores benefícios.

Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Deus é o mesmo para hebreus, hindus, budistas e cristãos. Existe apenas um Deus. A própria Onipresença. A Onipresença dentro de nós, o reino de Deus dentro de nós. Deus não está aqui nem ali, não há Deus aqui ou ali. O reino de Deus está dentro de nós e se manifesta como discernimento espiritual.  À medida que aprendemos a não julgar pelas aparências, mas a retirar todo o julgamento e a voltar-nos para dentro e deixar que este discernimento espiritual revele a natureza do mundo, descobrimos que o mundo não é este mundo: é o Meu reino. Meu reino não está no céu e este mundo não está na terra. Se estamos vivendo neste mundo ou no céu do Meu reino, não depende de irmos a algum lugar algum dia, mas do grau de discernimento espiritual que é desenvolvido dentro de nós. Isto determina o grau do céu que experimentamos; a falta dele determina o grau do inferno.

Somente aqueles que têm a medida do Cristo podem contemplar o Cristo

“Eu e meu Pai somos um” é um relacionamento universal, mas olhando para a raça humana, nunca poderíamos acreditar nisso. Isto ocorre porque a raça humana não é uma com Deus ou seria governada e mantida por Deus. Na medida em que não julgamos pelas aparências, mas nos voltamos para dentro e deixamos que a graça de Deus revele a natureza daquilo que nos aparece, o Filho de Deus ressurge em nós e em cada pessoa. Quanto mais de Cristo eu puder contemplar em uma pessoa, maior será o grau de Cristo que foi levantado em mim. Somente através do meu Cristo posso contemplar o Cristo de vocês. Quando Pedro reconheceu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, o Mestre pôde dizer a Pedro: “Não foi a carne e  sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está nos céus.” Você não foi capaz de discernir isso de si mesmo. É o Pai dentro de você, o poder do discernimento espiritual dentro de você, que lhe permitiu contemplar o meu Cristo.

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É por isso que ele pôde levar três dos seus discípulos ao “Monte da Transfiguração.” Aqueles que alcançaram o mais alto grau de discernimento espiritual poderia contemplar a Onipresença incorpórea dos profetas hebreus que haviam deixado este plano terrestre centenas de anos antes. Eles puderam discernir que os profetas não tinham ido a lugar nenhum, que ainda estavam aqui, Onipresentes, e os discípulos ainda podiam entrar no tabernáculo com eles.

Todos os videntes, todos aqueles que alcançaram a Cristandade, ainda estão conosco. Não os vemos com o olho físico, mas iremos discerni-los com discernimento espiritual, e às vezes isso será tão real que podemos realmente acreditar que os estamos vendo com o olho físico. Nossa capacidade espiritual oculta está sempre em busca de uma saída. O discernimento espiritual é uma capacidade que é dada a todos nós, mas que está profundamente enterrada em nós através de séculos de experiência humana. Agora estamos trazendo isso à tona e descobrindo uma capacidade que nunca soubemos que tínhamos.

Conheci um homem que foi tão infeliz na infância que aos nove anos fugiu de casa. Ele trabalhou para um país estrangeiro e se dedicou à atividade agrícola até a adolescência. Depois descobriu que tinha um grande talento musical e mais tarde tornou-se um famoso maestro, compositor e arranjador, vivendo o resto de seus dias como uma notável luz musical. Pense no que aquele menino escondia dentro de si à espera de reconhecimento, provavelmente rodeado por uma família que nunca conseguiu compreender, nunca concordou com isso e nunca lhe deu a oportunidade de se revelar. Sem saber por que ou o que estava acontecendo dentro dele, ele teve que fugir de casa e dar a esse talento uma oportunidade de se expressar, o que acabou acontecendo. 

Provavelmente todas as pessoas já experimentaram infelicidade, frustração e descontentamento até certo ponto. Ser saudável ou doente, rico ou pobre não tem nada a ver com isso. A saúde não traz “a paz que excede todo o entendimento”, nem a riqueza. Uma capacidade espiritual está oculta dentro de cada pessoa e tem buscado uma saída desde o dia em que veio à Terra. Por não ter tido oportunidade de expressão, estabelece uma batalha dentro da pessoa, fazendo-a pensar às vezes que precisa de saúde, outras vezes que precisa de riqueza ou fama. Ele sempre precisa de alguma saída que não encontrou. Alguns tiveram que se casar e alguns tiveram que se divorciar. Por que? Porque a pessoa estava buscando alguma coisa, sem perceber que não era ela que buscava alguma coisa: era essa capacidade espiritual oculta que buscava uma saída.

Busque dentro

Devemos começar a relaxar na busca de nossa felicidade no mundo exterior, buscando-a através de pessoas, circunstâncias ou condições, e reconhecer: “Há um reino de Deus dentro de mim, um reino que ainda não conheci e experimentei. Há uma capacidade de consciência espiritual, de discernimento espiritual, dentro de mim que me permitiria ver este mundo como ele é.” Então, à medida que aprendemos a viver nesta interioridade apenas alguns períodos por dia, de alguns minutos cada, ela se expande em mais minutos e mais períodos. Mas dê a esta capacidade interior, a este poder interior de discernimento espiritual, uma oportunidade de sair.

Todos têm discernimento espiritual. É por isso que o Mestre pôde escolher seus discípulos entre pescadores e cobradores de impostos. Ele sabia que todo mundo tem isso, e ele poderia ensiná-los a parar de pensar em seus peixes e em suas redes de pescadores e dizer-lhes: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens”. Essa é a mensagem do Mestre: parar de se preocupar com os assuntos externos da vida. Então, num momento que não sabemos, num momento em que estamos em paz, este poder de discernimento espiritual surgirá no ser ativo e veremos como somos vistos por Deus. Veremos o Cristo como Deus vê o Cristo. Chegaremos a conhecer Jesus de uma maneira muito diferente da que já o conhecemos antes, porque quando virmos Jesus através do discernimento espiritual, ficaremos cara a cara com a plenitude da iluminação.

Esta plenitude provavelmente só foi evidenciada três vezes na história do mundo, mas iremos encontrá-la quando o Espírito, aquela “mente… que também estava em Cristo Jesus”, for despertado em nós. Veremos então como somos vistos por Deus e veremos como Jesus, o Cristo, na Terra Santa, viu toda a humanidade. Ele poderia estender as mãos e dizer: “Ó Jerusalém… quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, assim como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quiseste!” Se pudéssemos ver a aparência física daqueles com quem ele estava falando, nos perguntávamos como ele poderia ter tido tanta compaixão, como ele poderia ter tido tanta ternura e amor, já que eles estavam resistindo a ele e se rebelando. Mas através dessa grande capacidade de discernimento espiritual, ele pôde contemplar o Cristo neles, ansiando por manifestar-se.

O Discernimento Espiritual Liberta o Indivíduo

Jesus não pensava, como os hebreus de antigamente, em meramente melhorar sua humanidade. Ele descartou nove dos Dez Mandamentos, porque sabia que, mesmo que obedecessem a esses nove mandamentos, seriam apenas seres humanos em um nível um pouco mais elevado e poderiam retroceder, o que tem acontecido ao longo da história. Mas se ele pudesse despertar neles o poder do discernimento espiritual, a capacidade de conhecer, de ver e de ouvir espiritualmente, de contemplar espiritualmente, nunca mais estariam sujeitos ao templo, à sinagoga, a César, ou mesmo ao corpo físico. O discernimento espiritual nos priva de muita emoção e sensualidade. Às vezes nos perguntamos se há algo que substitua essas emoções que não fazem mais parte de nós. Mas de fato existe. Com a capacidade espiritual vem uma consciência do universo de Deus, do homem de Deus e do corpo de Deus, que transcende em muito qualquer sentimento humano de alegria ou beleza que a mente possa conhecer. Somos chamados a deixar nossas redes, a deixar o sentido físico do universo, do sol, da lua, das estrelas, das montanhas, dos mares e do corpo humano, e vir a Mim e ver como Eu vejo, ouvir como Eu ouço, discernir como Eu faço com a natureza espiritual deste universo, e então descobrir que o céu está estabelecido na terra.

Relaxing Heart
ATRAVÉS DA MESA

Muitos aspectos do Caminho Infinito podem parecer paradoxais. Por exemplo, somos ensinados que não trabalhamos para viver. Portanto, às vezes os estudantes pensam que a realização espiritual mais elevada é evidenciada por apenas sentar e não fazer nada e esperar que comida, moradia e roupas cheguem até eles, esperando esperançosamente que outros os sustentem e não confiando realmente na Única Fonte. Em vez de darem provas de realização espiritual, em muitos casos esses estudantes demonstram um estado parasitário de consciência. Quanto mais profunda for a realização do aluno, mais trabalho lhe será dado e mais ocupado ele se tornará. Joel foi um exemplo perfeito desse princípio de vida. Longe de poder descansar e passar os dias em contemplação, excluindo tudo o mais, ele se via mais ocupado do que nunca a cada dia que passava. O Caminho Infinito é um modo de vida no mundo, em que as exigências deste mundo são satisfeitas, mantendo, ainda assim, de forma mais consistente do que nunca, essa confiança e consciência interiores. Deus está sempre se expressando como ser individual, expressando-se como formas infinitas de atividade. Jesus, quando ainda criança, não disse: “Não sabeis que devo cuidar dos assuntos de meu Pai?”, e mais tarde: : “Meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho” Portanto, nós também devemos deixar o Espírito encontrar expressão através de nós, começando a fazer o trabalho que temos em mãos, quer gostemos, quer pareça apropriado ou não.

Trechos gravados em fita  (Preparados pelo Editor)

“Agora existem diversidades de dons, mas o mesmo Espírito.”
I Coríntios 12:4

A cada um de nós é dado um talento e uma obra a realizar no mundo. Nunca descobrimos qual será esse trabalho olhando apenas para a nossa experiência, educação e formação, julgando a nossa contribuição para o mundo nesses termos e aceitando as suas limitações. O dom de Deus flui de dentro do nosso ser, e à medida que aprendemos a nos voltar para dentro em busca de orientação, direção e realização, sempre começando por fazer o trabalho que temos em mãos, o caminho se abre para desenvolver e colocar em uso nossa capacidade divina. O caminho é apontado tão claramente no seguinte trecho:

Encontrando nosso lugar no mundo

“Por que estou na terra? Por que nasci? Por que continuo a ocupar espaço nesta terra? Qual é o propósito? Qual é a função que devo desempenhar ao estar aqui?” Se você tentar responder de qualquer ponto de vista humano, estará errado. Você não está aqui para ser esposa, marido, mãe ou pai; você não está aqui para ter sucesso nos negócios, na arte ou na profissão. Você não está aqui para realizar o bem na terra. Você está aqui com um único propósito: que o propósito de Deus seja cumprido em você, não o seu propósito. Independentemente de quão bom e nobre possa ser, se esse for o seu propósito, você está errado… Coloque-se de lado e perceba: “Deus me criou para o Seu propósito, não para o meu. Deus me criou para realizar Sua vontade na terra.” , não cabe a mim… decidir o que quero ser, o que quero fazer e onde quero fazer.” Isso seria ter uma mente separada de Deus, uma vontade separada de Deus….

“Deixe-me conhecer a Tua vontade, e eu a seguirei. Torne a Tua vontade evidente em mim. Guie-me no caminho que Tu desejas que eu siga. Deixe-me ser um cumprimento do Seu plano na terra; deixe-me na terra ser a manifestação adiante da Tua glória, para que onde quer que eu vá, será dito: ‘Ali está a Presença de Deus. Quão maravilhosa é a Presença de Deus!” E não chame a atenção para as realizações pessoais de um indivíduo….Nossa vontade, nosso plano, nossas esperanças, nossas ambições – mesmo quando são boas, mesmo quando são nobres – devem ser postas de lado para que nos tornemos uma transparência para Deus.Aula aberta da Vila Havaiana de 1961 – “A Alma do Homem”

Joel – Traduzido Do Livro: “Discernimento Espiritual”, Capítulo 3 – A Natureza do Discernimento Espiritual 

Neste ponto gostaria que os alunos que ouvirem isto meditarem e ponderarem essa ideia de hipnotismo “como” a substância de qualquer forma de universo mortal ou material que apareça dele. Em outras palavras, mesmo quando você vê as montanhas, a luz do sol, o oceano, a beleza… Lembre-se que estas também são formas de hipnotismo que aparecem para você como boas formas. Da mesma forma, quando você vê o pecado, a doença e a morte, a falta e a limitação; Lembre-se que o mesmo hipnotismo está sendo negativo ou o que chamamos de forma do mal. Agora, isso não significa que não devemos desfrutar o bem da existência humana, mas SIM, “seja o que for”. Devemos apreciá-lo pelo que É… não algo real em si mesmo, desde que, Aquilo que É está oculto às nossas belas montanhas e córregos e os “pôr do sol e os “nascer do sol”. Os prazeres e as alegrias “São Espirituais” e devem “ser espiritualmente discernidos” mas sim, seja o que for… os desfrutemos sabendo que eles são formas temporárias de bem. Não algo a ser armazenado, nem algo a ser colocado nos cofres dos bancos, mas para que seja apreciado, e depois continue cada dia deixando o maná voltar a cair. Joel – Fita 12A e 12B vídeo 3 – O trovejar do Silêncio



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1 resposta

  1. Avatar de arquitetadaoracao

    Agradeço tão sacratíssimo reportar! Vivendo esse extraordinário onde somos os representantes reais d Deus na terra no éden agora. Muitíssimo agradecida Deia luzzzzz por tanto. Alohando em potência máxima!….

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