Cartas da Páscoa – O Significado Esotérico Da Semana Da Páscoa

Na véspera da Sexta-feira Santa, na Quinta-feira Santa, Jesus lavou os pés dos discípulos. Ele se fez humilde diante deles:  

Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido…Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros (João 13:4,5,14).

Na Última Ceia, Ele os alimentou com o Pão da Vida: 

Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: tomai, comei, isto é o meu corpo (Mateus 26:26).

Ele, desse modo, exemplificou dois dos maiores princípios da Vida Espiritual: Humildade e Benevolência, nenhum dos quais é corretamente entendido na vida humana.

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A maioria das pessoas interpreta a humildade como significando que uma pessoa se deprecia ou se considera menos digna do que outra, ou abaixo de outra pessoa. Mas a verdadeira Humildade da Quinta-feira Santa, aplicada à Vida Espiritual, não tem esse significado. A verdadeira Humildade é o reconhecimento de que “eu, de mim mesmo, não sou nada: o Pai em mim é tudo.” Não tem nada a ver com o fato de eu ser menos do que você, ou o fato de você ser menor do que eu. Não tem nada a ver com o fato de me segurar no fundo e empurrá-lo para o primeiro plano, ou vice-versa. É puramente um relacionamento entre Deus e Eu. É um reconhecimento, todos os dias e de todas as formas:

Eu, de mim mesmo, não sou nada; Eu mesmo nada posso fazer. Se falo de mim mesmo, estou prestando falso testemunho. O Pai é a Vida do meu Ser. O Pai, dentro de mim, a Presença Divina sempre comigo, constitui minha sabedoria, inteligência e sagacidade, minha força, minha saúde e minha beleza.

Seja o que for que eu possa reivindicar como qualidade, não é minha: é a atividade de uma Presença Espiritual que atua como “Eu”. Em Princípio, Ela me criou como uma entidade individual. Formou para mim este corpo, esta mente e esta vida; e funciona como minha inteligência; atua como meu relacionamento com todos na Terra.

Somos humildes apenas na medida em que realmente sabemos que isso é verdade, e percebemos que Aquele que está dentro de nós é maior do que aquele que está no mundo, ou que Ele cumpre aquilo que nos é dado a fazer. Isso é ser humilde, isso é a Verdadeira Humildade. A única auto anulação correta que existe é o apagamento de um sentido pessoal de virtude e o reconhecimento de que Deus nos fez ou nos deu tudo o que somos, e que Deus está atuando em nós e através de nós.

Antigamente, o propósito da Quinta-feira Santa era que poderia haver um dia completo de descanso para contemplação e meditação sobre Humildade e Benevolência. A humildade deve vir primeiro, porque, sem ela, não pode haver um senso de Benevolência verdadeiramente espiritual. Sempre nos lembremos de que, na Verdadeira Humildade, não estamos nos tornando inferiores a outra pessoa: estamos nos sujeitando a Deus, estamos nos entregando a Deus; estamos dando a Deus nossa mente, alma, espírito e corpo, e estamos reconhecendo:

Tu és a Vida; Tu és o Caminho e a Verdade. Tu és meu Ser, minha sabedoria, minha orientação, minha direção, meu apoio, meu suprimento, minha manutenção e minha eternidade.

Quando começamos a compreender a Benevolência em sua verdadeira luz, sabemos que nunca fomos caridosos e benevolentes, nem jamais demos nada a ninguém, isto é, qualquer coisa que fosse realmente nossa. Devemos entender que tudo o que temos é nosso pela Graça de Deus, e tudo o que damos, compartilhamos ou doamos, também o fazemos pela Graça de Deus. Nós somos apenas os instrumentos através dos quais Deus atua, primeiro para nos fornecer os doze cestos cheios que sobram para que possamos compartilhar, e então para nos dar Sua Graça na forma de uma vontade, um desejo e uma oportunidade para compartilhar.

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Tem havido pessoas que foram tão generosas em suas doações que empobreceram a si mesmas, mas isso é apenas porque elas acreditavam que estavam dando de seus próprios bens, e não entendiam que não tinham nada para dar, mas que tudo o que aparentemente possuíam pertencia a Deus. É, por exemplo, como presentear alguém com um buquê de flores e acreditar que elas são nossas. Nunca é, nunca foi e nunca poderá ser: são de Deus, formadas por Deus. Elas foram criadas por Deus e só crescem em nosso jardim em virtude de Deus. Quanto mais cortamos e damos, mais temos. Elas não são nossa possessão pessoal: elas são confiadas a nós como uma expressão de beleza, mas sabemos bem que, se as deixarmos em nosso jardim, elas apenas apodrecerão e desaparecerão, e certamente não darão espaço para que mais cresçam. É no corte delas, na doação e compartilhamento delas, na poda que abrimos espaço para crescer mais.

Através da contemplação da Quinta-feira Santa, aprendemos que, não importa quanto dos bens deste mundo nós temos, estas coisas do mundo não são nossas. “A terra é do Senhor e tudo que nela há” (Salmo 24:1), e podemos ser tão generosos com ela quanto quisermos, desde que reconheçamos: “isto que eu tenho é meu pela Graça de Deus, e é meu para usar e compartilhar”. 

Nessa atitude, estamos despersonalizando o Bem e novamente, sendo humildes. Novamente estamos dizendo: “Não sou caridoso porque não estou dando nada de mim mesmo. Não estou me sacrificando. Eu sou um instrumento de Deus, ajudando a atender a necessidade de outra pessoa: Deus suprindo a necessidade de outra pessoa através de mim”.

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“A terra é do Senhor e tudo que nela há” não é apenas uma declaração bíblica da Verdade: é uma Verdade viva. “A terra é do Senhor e toda a sua plenitude”, e, pela Graça de Deus, tudo o que possuímos vem a nós, e, pela Graça de Deus, também nos é dado o desejo, a vontade e a oportunidade de compartilhar.

Sexta-feira da Paixão: a Crucificação do Sentido Pessoal

Outro dia sagrado da semana da Páscoa é a Sexta-feira Santa. Espiritualmente falando, nós não celebramos a crucificação da forma física de Jesus. A lição para nós, na crucificação de Jesus e em sua ressurreição no terceiro dia, é para nos mostrar o caminho para encontrar a Vida Eterna. Dessa forma, o Mestre revelou claramente, é por meio da morte do senso pessoal. Para sermos ressuscitados da tumba, devemos morrer para nosso senso pessoal de vida, porque nosso senso pessoal de vida é um túmulo no qual estamos enterrados. Devemos morrer para a crença de que, por nosso próprio “eu” limitado, somos algo, que temos nossas próprias vidas, uma mente, uma alma, um caminho e uma vontade própria. Devemos morrer na crença de que possuímos nossa própria virtude, qualquer virtude, vida, ser, harmonia ou qualquer sucesso próprio.

A Sexta-feira Santa é um dia em que devemos contemplar e meditar sobre o significado interno da crucificação. Voltando aos Evangelhos, olhando para o Mestre como um símbolo, um caminho apontado e reconstruindo em nosso pensamento, sua vida, ministério, crucificação e sua ressurreição, podemos aprender como ele causou a morte do senso pessoal, como ele evitava ser esmagado por seus problemas, mesmo quando tinha o sério problema de enfrentar a traição e a morte e como recusando-se a considerar suas aflições pessoais como problemas, era capaz de elevar-se acima de todo sentido material, na gloriosa afirmação feita diante de Pilatos: “para este fim nasci e por esta causa vim ao mundo”(João 18:37). Para ele, nem a vida nem a morte eram um problema. Quando Jesus parecia estar em aperto, no poço de Samaria, e os discípulos estavam preocupados em trazer-lhe carne, notamos que ele diz: “eu tenho carne para comer de que não sabeis”(João 4:32); e para a mulher junto ao poço, “todo aquele que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (João 4:13,14).

Ao ponderarmos estas declarações, bem como todos os outros ensinamentos de Jesus nos Evangelhos, chegamos à conclusão de que o que este homem está dizendo em substância é: 

“Não tenho nada, mas tenho tudo. Não tenho onde descansar minha cabeça, mas tenho comida para alimentar cinco mil e ainda sobraram doze cestos cheios”. Ele tinha carne que o mundo não conhecia; ele tinha água que jorrava para a Vida Eterna.

Este homem é uma figura monumental. Ele realmente tinha tudo: tinha Deus, o Pai Interior e, como tinha Deus, podia compartilhar o Infinito com todos os que não tinham, fosse água ou vinho, pão ou carne, ou no café da manhã final, peixe. Não fazia diferença o que era: ele tinha que compartilhar, mas sempre nos lembrava que, de si mesmo, não podia fazer nada: “Se eu testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro (João 5:31)… Por que me chamas ‘bom’?” (Mateus 19:17)

Ali vemos o princípio da Sexta-feira Santa, o princípio da crucificação do sentido pessoal, uma crucificação da crença de que nós mesmos temos qualidades do Bom ou quantidades de Bem. Mas com essa crucificação, vem a ressurreição, na percepção: “Eu não sou nada, mas posso te dar tudo”. Por quê? Porque “o Pai que habita em mim, ele faz as obras”.(João 14:10)
Em vez de pensar na Sexta-feira Santa como outro dia sagrado a ser comemorado, ο que devemos perceber é que esse é um dia para a contemplação de outro Princípio Espiritual da Vida: o princípio da auto abnegação, pelo qual, quando trazemos à luz o nada do nosso eu humano, então é revelada a totalidade, imortalidade e eternidade do nosso Ser, porque Eu e o Pai somos Um, e tudo o que o Pai tem é meu.

Domingo de Páscoa: Elevação Acima de Todos os Laços Materiais

Isso nos leva à Ressurreição quando, depois de ter morrido para o senso pessoal e sepultado aquele falso senso de si mesmo, nosso verdadeiro Ser (Eu) se ergue daquele túmulo do pequeno “eu” e anda por esta terra livre: livre e infinito, imortal e eterno, pleno do Ser de Deus. Essa é nossa Páscoa, nosso dia de Ascensão, e descobrimos que, em nossa auto renúncia, assim como em nossa humildade, saímos de um túmulo. Estamos caminhando na terra agora, não cheios de posses pessoais ou virtudes pessoais, mas cheios do Espírito Santo, do Espírito do Senhor Deus Todo-Poderoso que está sobre nós e, então, somos ordenados. Agora que o sentido material foi completamente extinto, nossa Natureza Real, nosso Ser Real, pode vir à luz.

Paulo percebeu isso, quando nos revelou os dois homens que somos, cada um de nós um ser dual. Nós nascemos o homem da terra, e é isso que nós permanecemos até a crucificação. É assim que permanecemos enquanto estivermos no ímpeto de glorificar e edificar a nós mesmos. Mas Paulo nos fala daquele outro Eu que somos, aquele homem que tem seu Ser em Cristo, aquele Homem Espiritual, ou o Ser Divino. Esse é o Homem que você e eu somos, quando podemos dizer: “Tudo posso fazer através de Cristo” (Filipenses 4:13). Essas são as palavras mágicas: “Eu posso fazer todas as coisas através do Cristo, através do Espírito de Deus em mim, através da Presença do Pai dentro de mim”.

Tal pessoa não é mais o homem da terra. Ele não é mais o homem que afirma ser sábio, santo ou espiritual. Não, esse homem foi completamente crucificado, e agora vemos um homem que reconhece: “pela Graça de Deus, posso fazer qualquer coisa – tudo posso por meio do Cristo”. Saulo de Tarso foi completamente crucificado. Ele não apenas ficou cego na estrada para Damasco, ele morreu. E daquele sepulcro saiu Paulo, não mais Saulo de Tarso, mas Paulo: Paulo, um homem que tinha seu ser em Cristo e que agora vivia pela Graça de Deus, um homem que viajou não apenas pela Terra Santa, mas também Roma e Grécia, onde quer que ele estivesse pela Graça de Deus, um homem que estabeleceu sete igrejas e descobriu que aquelas sete igrejas não podiam apoiá-lo, e nem a sua obra missionária, mas elas, buscando por ele, descobriram que ele poderia apoiar todas as sete igrejas.

Em virtude de quê? Ele não tinha minas de ouro ou poços de petróleo, mas ele tinha a Graça de Deus. Ele tinha seu ser em Cristo. Ele sabia que “vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”(Gálatas 2:20). Portanto, ele poderia relaxar e deixar esse Espírito de Filiação Divina ser seu pão, sua carne, vinho, água, sua Ressurreição e Vida Eterna. Quando a transição é feita daquele homem da terra para aquele homem que tem o seu Ser em Cristo, então nós achamos a prontidão para a Ascensão, a Ascensão que é elevar-se acima de todos os laços materiais.

Há uma indicação disso na passagem que está no começo de todo livro e livreto do Caminho Infinito: “A iluminação dissolve todos os laços materiais e une os homens com os laços de ouro da compreensão espiritual”. Nós não temos que ser irmãos e irmãs de sangue; não precisamos nem ser irmãos ou irmãs através da nacionalidade, ou irmãos e irmãs religiosos, pois temos um laço mais sagrado do que qualquer relacionamento humano que já tenha sido concebido. Há um laço espiritual que nos une, porque nos elevamos acima da crença de que temos que ser membros de uma família humana particular, racial, religiosa ou nacional, a fim de nos unirmos em uma Comunhão de amor e compreensão.

Por muitos anos, no Caminho Infinito, demonstramos que espiritualmente somos realmente uma só família. Todos vocês que fizeram parte deste trabalho desde os primeiros dias, e nos anos que se seguiram, viram na prática o relacionamento mais bonito que pode ser manifestado nesta Terra, sem um único laço de relacionamento humano.

Com isto em mente, você não vê que, na Ascensão, nós rompemos com toda lei material e descobrimos que o homem tem o seu Ser em Cristo? O Filho Espiritual é alimentado a partir dessa mesma Fonte Espiritual da qual nosso relacionamento foi alimentado, e que nos manteve nesse relacionamento através desses anos. Não há limite para a Demonstração Espiritual que podemos fazer, exceto a limitação que trazemos sobre nós mesmos, se não crucificamos completamente esse senso pessoal de si mesmo.

O Significado Esotérico dos Ensinamentos Exotéricos

Um ensino espiritual penetra no significado espiritual por trás de cada símbolo humano. Portanto, seja um feriado ou um dia sagrado, seja um relacionamento, um negócio ou um governo, por trás de cada uma dessas atividades há um Princípio Espiritual envolvido, e quando esse princípio é compreendido e aplicado na vida diária, estamos vivendo a Vida Mística ou Espiritual, a Vida que o Mestre nos mostrou como viver. 

Jesus não hesitou em pedir aos seus discípulos que não pensassem no que deveriam comer ou no que deveriam beber. Ele não hesitou em dizer aos seus discípulos que partissem em sua jornada sem bolsa ou alforje. Do ponto de vista humano, isso não era de todo prático, mas Ele é o nosso farol e, por incrível que pareça, descobrimos, se obedecermos a seus ensinamentos, que é muito prático ir sem bolsa, sem script e sem pensar em como a jornada será cumprida, porque existe um Infinito Invisível. Jesus falou de um Pai Interior; Paulo chamou-lhe o Cristo, aquilo que é e se torna tangível visivelmente como o pão, a água e o vinho, a segurança, a proteção e a paz. Os ensinamentos espirituais vão muito além de meramente nos assegurar comida, roupas e moradia.

Se fôssemos considerar o tema da proteção e segurança, nós, com toda a probabilidade, começamos imediatamente a pensar em termos de algum tipo tangível de proteção, que poderia tomar a forma de um abrigo à prova de bomba, um colete à prova de balas ou uma máscara de gás. No entanto, eles não são necessários, embora às vezes possam ser fornecidos, de modo que ninguém tenha que pensar neles ou se preocupar com eles, porque a Escritura revela que Deus é uma fortaleza, uma alta torre, um esconderijo e um abrigo permanente. Deus é uma rocha. 

Quando começamos a entender isso do ponto de vista espiritual, sabemos que é literalmente verdade: não que Deus proveja uma rocha, uma torre alta, ou uma fortaleza, mas que Deus é a segurança e, portanto, aqueles que vivem, movem-se e têm o seu Ser em Deus não precisam pensar em nenhuma forma material de proteção. Isso é importante para cada um de nós, porque de todos os lados há perigos ameaçadores: infecção, contágio, acidente, guerras, bombas e milhares de outras coisas. Mas nenhum deles pode chegar perto de nossa morada, se o nosso pensamento não está em segurança física e proteção, mas sim mantido firmemente na percepção de Deus como o templo em que vivemos, o abrigo, a fortaleza e a rocha. 

Esse é o significado esotérico do ensino exotérico. Em outras palavras, o que é claramente exposto para todos lerem nas escrituras de todos os povos do mundo são ensinamentos exotéricos, mas cada um deles tem um significado esotérico, isto é, todos os ensinamentos externos têm significados internos ou ocultos. Por exemplo, participar do ritual de um serviço de comunhão pode fornecer uma medida de satisfação para muitos que comungam, mas essa não é a real importância desse ritual. A Experiência de Comunhão ocorre dentro do próprio Ser, quando o verdadeiro significado de ser alimentado com o pão ou o vinho da comunhão é realizado e compreendido. A verdadeira comunhão é a compreensão do sentido de ser alimentado espiritualmente, de ser alimentado por: Eu sou o pão da vida, Eu sou a água, Eu sou o sangue, Eu sou a ressurreição, Eu sou a vida eterna. Quando entendemos isso, ou a comunhão externa adquire um significado maior ou se torna sem sentido porque agora temos aquilo que é maior do que a forma exterior: temos a realização interna. 

Ao ler as Escrituras, não leia página após página. Leia apenas uma pequena parte de cada vez, se a passagem é uma frase ou se é uma história completa, como a experiência de Elias sendo alimentado no deserto, ou a experiência de Moisés em guiar os hebreus para fora da escravidão e levá-los ao deserto, ou uma ou outra fase particular do ministério de Jesus. Então, medite e contemple, pedindo Luz Interior sobre o significado esotérico dessas passagens. Apenas confie, e isso será dado a você. 

Para ilustrar esse ponto, lembro-me dos muitos, muitos anos em que não consegui entender o 91º Salmo. Não fazia sentido para mim, quando prometia que nenhuma dessas coisas chegaria perto de minha morada, porque elas se aproximavam da minha morada, e mais, eu as via chegando também perto da morada de todos os meus amigos e parentes, assim como de todas as outras pessoas que conheci no mundo. Quando chegou a hora em que eu entendi toda a Escritura como tendo um significado interior, eu orei: “Qual é o significado interno deste muito amado Salmo? O que significa isso?” 

Então, um dia, como em grandes luzes elétricas, o primeiro verso se destacou: “Aquele que habita no abrigo secreto do Altíssimo, ficará sob a sombra do Onipotente” (Salmo 91). Não promete imunidade para todos. Promete imunidade àqueles que “habitam no abrigo secreto do Altíssimo”. Ninguém está a salvo da armadilha ou do buraco, até que internamente ele possa fazer este acordo: 

Eu não estou vivendo em um mundo material de tempo e espaço. Eu vivo, me movo e tenho meu Ser em Deus. Eu sou aquele homem que tem seu Ser em Cristo. Eu moro com Deus, Eu ando com Deus, Eu mantenho minha mente firme em Deus. Eu o reconheço em todos os meus caminhos. Na quietude e confiança, descanso na certeza da Presença de Deus: Deus em mim e Eu em Deus. 

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Com isso em sua mente, dia após dia, você está permanecendo na Palavra e deixando a Palavra habitar em você, e você dará frutos ricamente. Ninguém tem o direito de se sentir seguro ou protegido neste mundo, a menos que ele esteja vivendo nessa Palavra e deixando que a Palavra permaneça nele, a menos que ele esteja vivendo, se movendo e tendo seu Ser na Realização de Deus, reconhecendo a Deus em todos os seus caminhos… Em resumo, a menos que esteja entregando sua vida a Deus. 

Você entende por que o Mestre disse: “Estreita é a porta e estreito é o caminho que conduz à Vida, e poucos são os que o encontram” (Mateus 7:14)? O mundo espera que, ao ir à igreja no domingo, possa entrar na Graça de Deus, mas as Escrituras são muito claras sobre isso, quando nos lembram: “Tu o manterás em perfeita paz, aquele cuja mente está firme em Ti (Isaías 26:3)…. reconhece os Seus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas (Provérbios 6:3) … Permanece em Mim e Eu em ti” (João15:4). Habite, viva, mova-se e tenha seu Ser no “abrigo secreto do Altíssimo”. Então você não é mais da terra, mundano. Então você está permanecendo em Deus, em Espírito, onde a mente humana e sua as atividades não podem chegar, onde as leis da matéria não funcionam e você se encontra livre.

Você não vai, no entanto, encontrar-se cem por cento livre instantaneamente. Ainda há períodos de doença e até de períodos de falta, ou períodos de tentação para pecar, e talvez até mesmo algumas quedas à beira do caminho e alguns pecados consumados. Todo mundo tropeça: alguns fisicamente, alguns mentalmente, alguns moralmente, alguns financeiramente. O pecado não é tropeçar, mas tropeçar e nunca mais se levantar. Levantar-se depois de uma queda e começar tudo de novo é o Caminho Espiritual, um Caminho para o qual o Mestre nos lembrou de perdoar até setenta vezes sete. E se devemos perdoar setenta vezes sete, certamente o Pai Celestial perdoa sete mil vezes setenta vezes sete, sem limite. 

Foto por hadi ahmadi em Pexels.com

Se, durante a noite, você não se encontrar naquela terra de leite e mel, lembre-se de que foram necessários quarenta anos para que Moisés chegasse lá. Demorou muito tempo para que Elias encontrasse os sete mil que não haviam dobrado os joelhos a Baal e que foram salvos por ele. Levou três anos a Jesus para cumprir seu ministério espiritual, e mesmo assim ele teve que encontrar a morte “real”, antes que pudesse experimentar a ressurreição e a Ascensão.

Assim, não fique surpreso e desapontado se você cair ou falhar muitas vezes. Todo mundo que já esteve assim antes de você fazer o mesmo. Não há grandes Luzes Espirituais que não tenham surgido através de provações e tribulações de um tipo ou outro e, provavelmente, aqueles que têm o maior Amor em seus corações, aqueles que têm os maiores Dons Espirituais de todos, são aqueles que mais profundamente experimentaram o fracasso e, portanto, sabem o que significa caminhar conosco em nossos fracassos. Aqueles que subiram mais alto e ainda podem olhar para baixo para onde eles estavam são os que mais nos ajudam no Caminho. Aqueles que não entendem o Perdão não compreendem o Amor, e aqueles que não entendem o Amor não compreendem o Espírito do Senhor Deus Todo Poderoso.

A Etapa Final Deve ser Tomada Sozinho 

A Vida Espiritual é uma vida individual. Existem maneiras de receber ajuda de um professor e uns dos outros, mas a batalha final e a vitória final são questões inteiramente individuais, que devem ser combatidas na Consciência de cada um de nós. Jesus provavelmente poderia ter recebido um pouco de apoio de seus discípulos no Jardim do Getsêmani; ele não conseguiu muito, mas o fato de esperar mais mostrou que isso era possível. Mas mesmo se tivesse, ele ainda tinha o Gólgota, ele ainda tinha o crucifixo e ainda tinha o túmulo. Isso tinha que ser trabalhado em sua própria consciência. 

Somente aqueles que receberam a Luz podem saber que terrível luta é antes dela chegar. Moisés estava sozinho no monte, quando recebeu a Luz, e deve ter sido uma tremenda luta antes de irromper. Ele tinha que estar sozinho para lutar e mudar de sua humanidade para a realização de sua natureza e missão divinas. Lembre-se de como Moisés até recusou a missão, como ele se sentia indigno e mal preparado, e que, também, ele tinha que lutar dentro de si até que pudesse chegar à conclusão de que esta não era sua mensagem ou missão: era de Deus, e ele deixaria Deus usar seu corpo; Deus teria que falar por ele e por ele. 

Todo aquele que alcança, alcança por si mesmo, dentro de si mesmo. Todos esses são afortunados, se encontrarem um professor que possa ajudá-los por algum tempo; eles têm a sorte de encontrar companheiros no caminho com quem podem compartilhar muitas horas, muitas experiências, e que também podem ajudar. Mas lembre-se sempre que você faz sozinho a demonstração final. Jesus fez isto sem mãe, sem pai, sem irmã, sem irmão, embora, no fim, todos voltassem para ele. 

À medida que as provações e tribulações surgem, você é sábio e afortunado, se tiver um professor para o qual possa ir, e de quem possa receber sua ajuda. Você é abençoado, se tiver até mesmo uma pessoa com quem possa andar, com quem possa compartilhar, que possa ajudar e que possa receber ajuda. 

Mas nunca se esqueça disso: você não pode entrar no Reino de Deus dois a dois. Sozinho, você toma esse último passo. Sozinho, você recebe sua Iluminação. Sozinho, você recebe sua tentação particular, na forma de doença, acidente, pecado, morte, pobreza ou solidão, completamente sozinho. Você resolve todas as tentações dentro de você mesmo. Você luta com elas dentro de seu próprio ser, assim como uma mãe tem que lutar por sua vida com seu filho ou seus filhos. Ninguém pode fazer isso por uma mãe; ninguém pode aliviá-la de sua responsabilidade; ninguém pode desempenhar a função de mãe para ela. Toda mãe tem que partir o próprio coração a respeito de seus próprios filhos, e até mesmo um marido tem que ficar de braços cruzados e observar. 

Assim é no Caminho Espiritual. Ninguém pode tirar sua tentação de você a não ser você, e ninguém mais pode superar a tentação. Ninguém pode gastar as horas de meditação para você; ninguém pode se colocar nas horas de estudo para você; e ninguém pode estar sozinho com você em seu santuário interior, naquelas horas que precedem a Iluminação. É por isso que esse Caminho é difícil. Você tem que tomar as Escrituras e orar, pedindo orientação em cada passagem que contém um princípio ou lei espiritual, e deixar seu significado esotérico surgir de dentro de você mesmo. 

Quinta-feira Santa, Sexta-Feira Santa e Domingo de Páscoa: simbolizam estágios no nosso progresso espiritual. Você terá que lutar todos os dias para se lembrar de que toda qualidade, todo pensamento e tudo o que você possui são seus somente pela Graça de Deus, mas porque eles são seus pela Graça de Deus, você pode compartilhar liberalmente. Isso, você tem que trazer conscientemente à sua lembrança; ninguém pode fazer isso por você. Você deve fazê-lo, e um dia, pode levar semanas ou meses depois, se for feito fielmente, um dia, de repente, vem, e você sabe, “considerando que antes eu era cego, agora eu entendo, é realmente verdade: tudo o que sou, Eu sou pela Graça de Deus”. O senso pessoal é crucificado, e o Eu ressuscitado, não mais ligado à terra, sobe às alturas da realização espiritual. 

Através da Mesa

Todos os dias, dê tempo suficiente para uma meditação contemplativa, incorporando nossos principais princípios de cura. Perceba que o nosso objetivo é a Consciência da Presença Espiritual, a conquista da “Minha Paz”, a lembrança da “Tua Graça” como nossa suficiência. Entenda que Ele está mais perto do que respirar, e que Ele realiza aquilo que nos é dado a fazer. Sinta dentro de si mesmo que o Espírito Invisível vai adiante de você, que Ele nunca o deixa, nem o abandona. Reconheça que, em todas as fases da sua vida, existe uma Lei e uma Vida Divinas que governam todas as suas atividades. 

Nesta meditação contemplativa, dê a Deus os primeiros frutos do seu dia, dê-lhe amor e gratidão, dê-lhe reconhecimento e alegria. Então perceba que Sua Graça está presente com os homens em todos os lugares, para abençoar, perdoar, estabelecer e restabelecer. Finalmente, pondere o significado de Onipotência, Onipresença e Onisciência. 

Nesta mesma meditação contemplativa, olhe para os males que aparecem neste “mundo” e, independentemente de quantos apareçam ou que formas eles assumam, impersonalize-os, pela sua compreensão de que eles são imagens mesméricas dos sentidos, imagens da mente carnal, ou a crença em dois poderes. Uma vez que eles não são ordenados por Deus e não têm Lei de Deus para sustentá-los, eles se dissolvem de seu próprio nada. Somente aquilo que é de Deus tem Lei e Vida. Tudo mais é ilusão. Entenda que, como Deus é Um, só existe Um Poder; e, portanto, não há poderes para superar ou destruir. “Não resista ao mal” porque você entende a natureza ilusória das aparências. 

Lembre-se de que, na oração, as próprias palavras não contam para nada: é o entendimento e o sentimento por trás das palavras que constituem o poder. Finalmente, perceba que a função do Cristo é romper o apego a “este mundo” não é aumentar as coisas deste mundo. É assim que se alcança a realidade, a libertação da preocupação com as aparências e a liberdade de viver. 

Agora estamos sintonizados e preparados para ouvir a Sua Palavra. Agora estamos prontos para entrar no Seu Reino. 

“Fique em Paz. Meu Espírito te conforta e te faz prosperar. Minha Graça é a tua Realização.”

Joel – O Significado Esotérico Da Semana Da Páscoa – Da Vida Contemplativa – Capítulo 4

#213-1: 1958 Segunda Classe fechada – Chicago

#229-1: 1958 Classe aberta – Londres



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2 respostas

  1. Avatar de jaimeamalmeida

    🌹🌹🌹AloHa🌹🌹🌹Emmanuel🌹🌹🌹

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  2. Avatar de arquitetadaoracao

    PRESENCIO A BENEVOLÊNCIA da msg no significado esotérico íntimo do meu viver diário. Impressionante como é totalmente nítido ao meu ser a signifância profunda do lava- pés da real humildade, no reconhecimento de que Deus Está em tudoooooo. Além da abnegação plena da sexta -feira santa no real Sanctus! Como o discernir espiritual está abrilhantado no ápice do Ser Deus- EU q Somos! Moisés teve q subir ingrimes montanhas e nós tbm, e agora aqui estamos desfrutando do aplainar. Eu fiz o caminho solicitado na solitude do ser, e continuo a faze- lo no perpetuar do incorruptível em mim! Tão preciosa está cada entrelinha da graça jorrrante…

    Contemplador Contemplado!

    Páscoa real florescida no alvorecer da imanência. Rendição por cada reportar jubiloso q encheu meu espírito de mais do mais do mais da vida pleníssimaaa realizada!….

    Abundouuuuuu….

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