As Cartas da Páscoa – Cristo Levantado Do Túmulo

Os hebreus de antigamente previram a vinda do Messias, mas por acreditarem que o Messias seria algum tipo de grande rei ou general, alguém que pudesse liderá-los para a vitória sobre César ou talvez até sobre o próprio Sinédrio, um homem que reverteria as más condições do cotidiano em boas, não foram capazes de aceitar o Mestre gentil.

Em vez de entenderem que “Meu Reino” não é deste mundo, eles preferiram o Deus do Salmo 47: 

Desde a época dos hebreus sob o domínio do Faraó até hoje, a mesma oração tem sido entoada, os mesmos salmos têm sido cantados e a mesma esperança expressa de que Deus subjuga nações, removerá tiranos e vai vencer os exércitos dos estrangeiros. Milhares de anos de orações semelhantes não deveriam ter provado que Deus não fez nenhuma dessas coisas até agora e que não há probabilidade de fazê-las em qualquer data futura?

No Salmo 46 há uma indicação de que a natureza de Deus foi mal compreendida, e que essa é uma das razões pelas quais a paz na Terra e a boa vontade para com os homens não foram experimentadas:

A maior parte deste Salmo refere-se a Deus como nosso refúgio e fortaleza e, portanto, não temeremos. Depende de nós; não de Deus. Não temeremos, porque Deus é o nosso refúgio. Se pudermos compreender a natureza de Deus e do Messias ou Cristo, descobriremos que as condições terrenas se dissolvem e que a harmonia pode ser trazida à nossa experiência, não apenas como indivíduos, mas como um mundo unido, porque Deus não faz distinção de pessoas, religiões ou raças. Deus é um, e Deus é igualmente o Pai de todos nós. Quando Deus é conhecido, compreendido e contactado, essa Presença muda o curso da nossa experiência humana.

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Afaste-se da Adoração da Personalidade

A crença de que o Cristo era um homem e a adoração do Cristo como uma pessoa cegaram os olhos da humanidade para a verdade de que Deus é Espírito, Deus é Amor e Deus é Vida. Deus não é um homem, e não é um homem que deve realizar essas grandes coisas na Terra. 

Nunca devemos colocar nossa fé em um homem ou em um livro. Muitas pessoas colocaram sua fé inteiramente na ideia de que a Bíblia é um livro sagrado, mas a Bíblia, por si mesma, não tem poder. É a Verdade que é revelada na Bíblia que faz o trabalho, não o livro, mas a Verdade revelada na Escritura. Quando essa verdade se torna parte de nossa consciência, estamos conhecendo a verdade e, à medida que assimilamos as verdades das Escrituras e elas se tornam uma parte viva de nosso ser, somos capazes de demonstrar: primeiro, que Deus existe; depois, que Deus está mais perto do que respirar; e então, que Deus assume o controle de nossa experiência.

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A princípio, podemos provar apenas que Deus assume o controle da experiência de nossas vidas pessoais. Em outras palavras, à medida que uma pessoa busca por Deus, pela verdade ou pela realidade, e à medida que se torna consciente dessa presença que já está dentro dela, milagres começam a acontecer em sua experiência: mudanças na saúde, nos relacionamentos humanos e em outras áreas. Uma maior sensação de segurança e proteção lhe sobrevém, uma maior paz interior, tudo isso refletido em sua vida exterior.

À medida que isso continua, torna-se evidente que o que quer que esteja acontecendo com essa pessoa também está, em certa medida, afetando os membros de sua família. Ela está começando a trazer mais paz para sua casa. Torna-se evidente que uma nova influência entrou em seu lar, que algo ocorreu na experiência externa que indica o que ocorreu na vida interior de um ou mais indivíduos daquela família.

Isso é então notado por vizinhos, amigos e parentes, e eventualmente aqueles em lugares distantes começam a se dar conta dessa agitação espiritual, mesmo sem saber o que está acontecendo. Assim, descobrimos que um indivíduo, um Moisés, por exemplo, conduzirá um povo inteiro para fora da escravidão, rumo a alguma medida de liberdade e lei. Um Jesus não apenas começará a revelar a natureza da liberdade espiritual aos seus pessoas imediatas, mas ao longo de dois mil anos, um número incontável de pessoas será tocado pelo mesmo espírito que foi despertado neste rabino hebreu que se tornou o Cristo, e esse mesmo espírito será sentido na consciência dos indivíduos, assim como é sentido hoje e será por todos os dias que virão.

Milhões de pessoas agora estão recebendo luz espiritual, paz interior e harmonia exterior por meio do espírito revelado por grandes místicos como Lao-Tsé, Gautama, o Buda, Shankara, Guru Nanak e outros que foram iluminados pela revelação de uma presença e poder divinos interiores.

O segredo de todos esses místicos tem sido a descoberta de Deus e do Cristo, e nos ensinamentos de cada um deles encontra-se a advertência de não adorar o indivíduo. Jesus disse: “Eu, de mim mesmo, nada posso fazer… Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. (João 5:30, 31)

A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.(João 7:16) O Pai, que habita em mim, é quem faz as obras.” (João 14:10)

O que Jesus está fazendo senão nos afastar da personalidade e nos direcionar para a realização e revelação do espírito? Assim sempre aconteceu com as grandes almas iluminadas do mundo. Cada uma delas desviou seus seguidores da personalidade para a verdade revelada de uma presença interior — uma presença interior encontrada não apenas em Moisés, Elias, Eliseu, Isaías, Jesus, Paulo e João, mas uma Presença presente em cada ser vivo.

Ocasionalmente, declarações como “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios, serei exaltado na terra” nos revela nossa verdadeira identidade, a natureza de Deus e a natureza do Messias ou Cristo. Se formos sábios e suficientemente perspicazes, tais passagens inspiradas podem revelar todos os segredos que precisamos conhecer. 

Como raça humana, somos os pagãos. Não faz diferença se somos um pouco mais pagãos, como alguns, ou um pouco menos, como outros; como raça humana, somos, no entanto, pagãos até um momento glorioso de revelação.

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Renascer

Paulo explicou muito claramente que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). O homem natural, isto é, o ser humano, não está sob a graça de Deus ou sob o governo de Deus. “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós” (Romanos 8:9). Ah sim, “se” e somente “se” o Espírito de Deus habita em você. Ah sim, aí há um segredo! 

Ao prosseguir com nosso estudo da sabedoria espiritual do mundo, descobrimos que o objeto de nossa busca por Deus, como foi revelado pela mensagem cristã e também há milhares de anos antes, é “morrer” para que possamos renascer. A mortalidade deve ser rejeitada e a imortalidade ser exaltada.

Todo o segredo do ensinamento espiritual do mundo é que o “pagão” em nós deve “morrer”, para que o Filho de Deus seja ressuscitado em nós. Como seres humanos, somos o túmulo no qual o Cristo está sepultado. Como seres humanos, como referido pelo Mestre no capítulo 15 de João, somos o ramo de uma árvore que é cortada, e murcha e morre. Isso é ser pagão; isso é o ser humano; mas quando o ramo é um com a videira, então isso nos faz darmos frutos ricamente. Por quê? Porque estamos permitindo que o Cristo viva em nós, e que nós vivamos em Cristo. Assim, mudamos de nosso paganismo para a nossa Cristandade, deixando de ser um homem natural para ser aquele homem em quem o Espírito de Deus habita.

Saulo de Tarso expressa claramente o estado de consciência do ser humano ensinado intelectual e religiosamente, o bom homem humanamente, o candidato ardente de Deus humanamente e, no entanto, perseguidor daquilo mesmo que estava procurando. Quando Saulo de Tarso “morreu” ou ficou “cego”, seus olhos foram abertos, e a “morte” de Saulo tornou-se o “nascimento” de São Paulo. Isso simboliza a “morte” desse homem natural buscando o Reino de Deus, e o “nascimento” do homem espiritual que realizou o Reino de Deus.

Visto que o Mestre passou todo o seu ministério revelando que o Reino de Deus não está em montanhas sagradas ou templos sagrados, mas está dentro de nós, se quisermos “morrer” em nossa fé e renascer no Espírito, devemos perceber que qualquer mudança que ocorra em nós não acontecerá por irmos a algum lugar sagrado ou encontrarmos algum homem sagrado ou livro sagrado. A mudança acontecerá se permitimos que esse lugar sagrado, templo santo, homem sagrado ou livro sagrado nos revele que o Espírito de Deus está dentro de nós, e isso deve ser revelado dentro de nosso próprio ser, de modo que aceitemos isso como uma responsabilidade pessoal de procurar até encontrar, bater até que a porta nos seja aberta e possamos ouvir:

“Eu, dentro de ti, sou poderoso. Eu, no meio de ti, sou Deus; Eu, dentro de ti, serei exaltado na Terra quando me reconheceres dentro de ti, quando reconheceres que o Espírito de Deus habita em ti, quando perceberes que o Filho de Deus está oculto naquele túmulo que chamas de “eu”.

A Noite Escura da Alma

Saulo de Tarso, o filho pródigo, a mulher adúltera, o ladrão na cruz, quem são eles, senão você e eu? Eles representam o túmulo no qual o Cristo está enterrado; eles representam a mortalidade da vida humana. Neste momento, não faz diferença se somos um buscador sincero, como foi Saulo, a mulher pecadora ou o filho pródigo em busca de prazer. A referência ainda é sobre nós, nossa natureza humana, nosso lado mortal, e é nessa mesma mortalidade que está enterrado o Cristo, esse Filho de Deus que deve ser levantado, exaltado e reconhecido. E quando esse Cristo é reconhecido, então o que acontece? Nós nos tornamos silenciosos:

“Fala, Senhor; o teu servo escuta” (1 Samuel 3:9). Eu ficarei quieto para poder ouvir a tua voz. Eu ficarei quieto para que esse Espírito em mim possa pronunciar tua voz.”

Esse Espírito não está flutuando no ar; esse Espírito não está sentado em uma nuvem: esse espírito que deve proferir sua voz esta dentro de nós. O Reino de Deus, a totalidade, o domínio de Deus está dentro de nós, mas também o Reinado de Deus.

À medida que aprendemos, por meio de nossas meditações, a estar em paz, a ser receptivos e responsivos a isso que está dentro de nós, eventualmente nós também teremos uma experiência. Percebo, é claro, que a grande maioria dos nossos alunos não aprecia a experiência quando ela chega. Talvez seja porque todos gostariam que ela acontecesse de forma pacífica, gentil, doce e gradual, mas não é assim que acontece com a maioria dos que a vivenciaram. Geralmente, vem como uma experiência ofuscante; frequentemente é um período muito angustiante e perturbador. Para Paulo e para todo místico, tem sido uma experiência terrível! É chamada de noite escura da Alma, e seria reconfortante se houvesse apenas uma noite assim.

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Infelizmente, há muitas noites escuras que nos levam à experiência de ficar “cego”, “atingido pela morte” ou “mortalmente ferido”. Mas quando estamos desamparados ou sem esperança, quando não há um traço de força ou poder humano em nós, ou sabedoria humana, quando chegamos a esse lugar de desconhecimento, quando não há possibilidade de termos qualquer habilidade humana para nos ajudar, naquele momento a voz fala interiormente e diz:

“Não sabeis que estou no meio de vós e sou o vosso Deus. Sou o vosso pão, a vossa carne, o vosso vinho e a vossa água. Sou a ressurreição, restaurando-vos até os anos perdidos do gafanhoto. Sou a vossa vida eterna.”

A Natureza e Função do Cristo

Agora talvez possamos começar a perceber a natureza do Cristo. O Cristo não é um grande rei; o Cristo não é um general. O Cristo não conquista as nações militarmente ou politicamente. O Cristo conquista as nações através do seu espírito gentil, porque quando a alta turbulência termina, quando passa o período destrutivo – a noite escura da Alma – isto é, dentro de nós, começa a revelar-se de maneiras humildes e gentis, levando-nos passo a passo das discordâncias e desarmonias da existência humana para a maior elevação da vida espiritual e graça espiritual.

A primeira evidência do Cristo em nossa experiência é uma melhoria em nossos eventos humanos. Nossa natureza, nossa disposição, nossa saúde, e mesmo a quantidade de nosso suprimento, e certamente uma maior harmonia em nossas relações humanas: esses são os primeiros sinais do Filho de Deus levantado em nós. Todas essas mudanças, no entanto, são apenas etapas, porque a revelação espiritual última reside nesta afirmação: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Quando a harmonia foi restaurada, então começa a segunda etapa, a etapa final, em que somos elevados acima da harmonia física e mental, acima de todas as harmonias deste mundo, e começamos a perceber a natureza da Graça espiritual. A função do Cristo é revelar-nos um reino espiritual muito maior do que um mundo humano bem governado, ou mesmo seres humanos que são gentis em vez de hostis uns com os outros. Aqui mesmo na Terra, um novo universo, um novo modo de vida é revelado a nós.

O discípulo é sempre instruído a não deixar este mundo, mas a permanecer nele, estar no mundo, mas não ser do mundo. Caminhamos através da vida comendo o mesmo tipo de comida, fazendo uso dos mesmos meios de transporte, operando os mesmos negócios ou nos envolvendo com as mesmas artes e ciências, mas com esta diferença: agora nós não fazemos mais isso para viver, mas pela alegria da ação, pela alegria de ser.

Tente agora fazer uma transição em sua compreensão sobre a natureza do Cristo. Talvez você tenha atrasado seu próprio progresso espiritual pensando que esse Cristo tem a função de remover suas doenças corporais, ou proporcionar-lhe uma renda maior, como uma promoção ou outra coisa de natureza humana. Às vezes, pensamos até que deveria resolver nossos problemas de trânsito, ou outras coisas de natureza similar. Mas Deus não deve ser usado, o Cristo não deve ser usado. Não é algo para o qual possamos recorrer na expectativa de que ele faça algo por nós. Não, o Cristo é aquilo em quem relaxamos, não para que seja algo em nossas vidas, mas para que seja a nossa vida.

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Como seres humanos, tudo o que pensamos é sobre o que gostaríamos que nossa vida fosse, e nós direcionamos nossos pensamentos para o Cristo com uma ideia preconcebida do que gostaríamos que ele fizesse por nós ou em nós; mas a função real do Cristo é levar-nos a um ponto em que “morremos”, tornamo-nos completamente “mortos” para essa vida que estamos tentando glorificar, e só então o Eu, o Espírito dentro de nós, pode ser exaltado, mas não para que possamos nos orgulhar e nos vangloriar, como quem diz: “oh, olha só o que Deus está fazendo por mim”. Não há Deus para fazer nada por mim ou por você: Deus é o Ser Infinito, e Deus vive para Deus. Deus vive em si mesmo, manifestado como ser individual, mas nunca, nunca se afasta de sua própria vida.

Renunciar a Personalidade Pessoal

“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmos 19:1). O homem está aqui não para ser glorificado, mas sim para que Deus seja glorificado; e Deus é glorificado apenas no grau em que renunciamos a esse senso pessoal de vida e chegamos ao melhor da revelação dada por Paulo: “Eu vivo; não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Nesse estado de consciência, há uma rendição da personalidade pessoal, uma rendição do desejo de que Deus faça algo por nós ou através de nós, uma rendição que deixa Deus viver a Sua Vida em nós. E então não há mais espaço para a autoglorificação, “Eu” serei exaltado, não exaltarei “você”: “Eu” serei exaltado – Deus será exaltado. Deus será exaltado e viverá sua Vida na terra como Deus vive sua Vida no céu. Em outras palavras, o Espírito de Deus preenche todo o espaço no céu, na Terra e abaixo da Terra. Precisamos apenas perceber é Deus vivendo a Sua Vida, e não Deus realizando algo por nós.

Esta é a grande barreira. Todas as orações que querem que Deus faça algo por nós, para a nossa nação, para fazer algo contra nossos inimigos, ou que nos torne mais bem sucedidos do que nossos concorrentes: esta é a barreira. Deus é Vida, e como não há outra vida senão Deus, devemos abandonar nosso falso senso de vida até que Deus, torne-se a nossa própria vida; e então, deixar Deus vive-la.

Você vê por que os hebreus antigos não conseguiam entender a função do Messias? Eles esperavam que esse Messias saísse e destruísse alguém ou algo para eles. Deus não supera inimigos fora de nós, mas ele supera os inimigos dentro de nós; e, na realidade, os únicos inimigos que temos são aqueles dentro de nossa própria natureza, essa parte de nós que constitui nossa humanidade.

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A ideia de autopreservação à custa de tudo e de todos tornou-se uma característica tão dominante dos seres humanos que é chamada de primeira lei da natureza. Esta é a parte mais perversa da nossa natureza e é o inimigo interior que deve ser superado. Não posso pedir a Deus que o supere dentro de você; tenho que pedir a Deus que o supere dentro de mim. Se eu tiver um traço de autopreservação ou se tiver um traço de desejo por algo diferente do que também desejo para você, esse é o inimigo, o falso senso de identidade dentro de mim, que deve ser superado.

Se existe algo como Deus sendo o Pai, e todos os homens sendo filhos desse Pai, quão inconsistente é invocar a ajuda de Deus para um e contra o outro! O segredo das antigas escolas de sabedoria era que o iniciado deveria ser treinado, instruído e iluminado até que alcançasse a plena consciência de si mesmo como filho espiritual de Deus. Não havia ensinamento sobre o uso desse poder para fazer algo a outra pessoa, ou por outra pessoa: era puramente um autodesenvolvimento, auto realização, a fim de levar cada um àquele ponto em que o filho de Deus pudesse ser ressuscitado do túmulo. Mas não foi ensinado que o túmulo está em Jerusalém: o túmulo é a nossa identidade humana, a mente humana, a consciência humana, o falso senso de identidade. Esse é o túmulo em que Cristo está sepultado

O Trabalho do Iniciado é Iluminação

Até que nossa própria cegueira e inadequação sejam removidas, não somos a luz do mundo; mas se pudermos esquecer o mundo por um momento e nos concentrarmos em nossa própria auto iluminação, muito em breve descobriremos que mesmo a pequena medida de luz que nos tornamos já está tendo um efeito sobre nossas famílias. À medida que essa luz cresce e cresce, e à medida que nos tornamos mais espiritualmente conscientes, ela toca a vida de amigos e vizinhos e, como vimos neste trabalho, está começando a afetar pessoas em todas as partes do globo e em todos os continentes. A consciência iluminada de apenas um, dois ou dez está se fazendo sentir mundialmente. Em outras palavras, o menor grupo possível de pessoas espiritualmente iluminadas pode salvar todo este mundo da destruição, mas quão inútil é para alguém em sua cegueira tentar liderar outra pessoa!

Onde está o espírito do Senhor, há paz, há harmonia, há justiça. Isso não significa que precise haver dez mil pessoas: significa que precisa haver o espírito do Senhor, e esse espírito do Senhor está aqui mesmo, onde estamos. Na verdade, o espírito do Senhor está onde quer que o espírito do Senhor se realize. Não há como confinar o espírito do Senhor depois que ele foi liberado da consciência. O espírito do Senhor quando liberado pelo Mestre, não continuou a operar na consciência ao longo dos séculos? Nenhum número de anos foi capaz de deter a operação do espírito do Senhor na consciência daqueles que se abriram a ele.

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Portanto, o primeiro passo é a sua iluminação e a minha, para que possamos individualmente ressuscitar este filho de Deus em nós e, em certa medida, “morrer” para a luta pela autopreservação. À medida que percebemos que a graça de Deus é uma graça universal, começamos a compreender que não é a autopreservação que importa, pois esta é apenas uma lei da natureza humana, e a natureza humana é o túmulo de Cristo. A verdadeira lei espiritual é que estejamos dispostos a dar a nossa vida por um amigo, a dar a nossa vida pelo nosso próximo, a renunciar a este sentido humano da vida para que até o menor dos nossos irmãos possa ser ressuscitado, que estejamos dispostos a deixar que este falso sentido da vida desapareça de nós para que a vida de Cristo possa aparecer e, nessa vida de Cristo, servir à humanidade como Jesus fez, conduzindo gerações de pessoas à consciência da natureza espiritual da vida.

Isto não é usar Deus, isto não é usar a verdade: isto é renunciar ao nosso sentido pessoal da vida para que possamos ser usados, para que possamos ser uma transparência através da qual a graça de Deus possa tocar a vida de toda a humanidade. O propósito desta busca por Deus, do iniciado empreender o trabalho de iluminação, de estarmos no caminho espiritual, é que possamos perder a nossa vida, renunciar a este sentido pessoal da vida, ser revestidos de imortalidade e ser uma transparência através da qual a graça de Deus possa alcançar esta Terra e vencer o reino da mente dos homens. Não é o reino dos governos dos homens que deve ser vencido, nem o reino de sua política; nem mesmo seus exércitos que devem ser vencidos: é a mente e sua iniquidade que devem ser vencidas; é o inimigo dentro de nossa própria casa, nossa casa mental, que deve ser vencido. O Cristo é a lei da eliminação, operando através do amor para vencer o inimigo dentro de nós.

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O Cristo Destrói o Inimigo Interior

Siga o Mestre por um momento no deserto onde ele foi tentado. Você vê que era o mal dentro dele que o tentava, e que ele dizia ao mal: “Para trás de mim, Satanás!” (Lucas 4:8) Eu não posso ser tentado, pois não estou aqui para me glorificar, mas para que Deus seja glorificado. Se eu fizer um milagre para me glorificar, terei perdido o reino de Deus. Para trás de mim!”

Então, quando sua consciência se libertou do senso pessoal, da glorificação pessoal, da autopreservação, ele pôde prosseguir e cumprir seu ministério, pois agora não podia ser tentado por nada externo a si mesmo. Ele havia superado o mundo quando o inimigo dentro de seus portões foi vencido, e o inimigo dentro de seus portões era o senso mortal de identidade que buscava se preservar, em vez de querer se deixar “morrer” para que o Eu pudesse ser exaltado, para que o espírito de Deus nele pudesse ser a luz do mundo.

Quando não havia mais nenhum sentido pessoal, quando o Mestre não estava mais vivendo sua própria vida, ele tinha a capacidade de curar os doentes, ressuscitar os mortos, perdoar os pecadores e alimentar os famintos, porque então sabia que suas capacidades finitas não tinham a mínima importância e não eram confiáveis. Ele não tinha capacidades pequenas ou grandes: ele não tinha capacidades, ponto final. Ele era a transparência da capacidade divina, do espiritual, do infinito, da capacidade total.

O reino de Deus está dentro de você e de mim, e a função do Cristo é purificar você e a mim. Não devemos invocar o Cristo para fazer algo a outra pessoa, mas devemos compreender que o Cristo está atuando na consciência humana para dissipar o senso pessoal, primeiro em nós, em nossos amigos e depois em nossos inimigos. Oremos pelo inimigo para que sejamos filhos de Deus, façamos a oração da realização para que o reino de Deus esteja tanto em nosso inimigo quanto em nosso amigo, aguardando apenas esse reconhecimento para sermos resgatados do túmulo, levantados e ressuscitados para a vida eterna.

Para compreender corretamente a natureza do Cristo, precisamos começar a perceber que ele não se trata de sair pelo mundo para destruir nossos inimigos. É ser admitido em nossa consciência para destruir os inimigos dentro de nós. Esses inimigos são compostos por todas as fases do senso pessoal, desde o maior mal, a autopreservação, até o menor mal, que é acreditar que somos bons, filantrópicos, religiosos, espirituais ou morais, o que não somos e não podemos ser, pois somente a presença de Deus em nós é boa. Quando perdemos nosso senso do mal e depois perdemos o senso do bem, então somos uma transparência clara através da qual a graça de Deus pode brilhar sobre este mundo – primeiro sobre nossas próprias famílias e amigos, e gradualmente, à medida que o círculo se amplia, ele abrangerá o mundo inteiro.

Joel – Cristo Levantado Do Túmulo – O Homem Não Nasceu Pra Chorar – Capítulo 4

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3 respostas

  1. Avatar de jaimeamalmeida

    🌹🌹🌹AloHa🌹🌹🌹Emmanuel 🌹🌹🌹

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  2. Estas cartas são de uma profundidade tão grande, trazendo a verdade que nos liberta..em cada linha uma expansão da consciência crística que faz nos transcender além de tudo.

    Gratidão pela disposição em compartilhar tão rico conhecimento.

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  3. Avatar de arquitetadaoracao

    Mais uma perfeição da verdade autorevelada. Cristo levantado do túmulo é o mestre gentil tão pouco recebido até nesse agora, por causa da ignorância DO que Já É. Mas está aí tão disponível e acessível para a iluminação universal do todo, em q se achega a formidável constatação q não estamos aqui para chorar. E particularmente nesse hje estou bem comovida, mas é algo d dentro íntimo gostoso, uma comoção em rendição e reverência pelo todo presenciando sem reservasno Deus LINDEZA lindíssima!

    Essa coisa de senso pessoal é o ponto chave d tudo. Enquanto há você, não haverá Ele, e só Ele É.

    A msg está instrutiva ao extremo e repleta do capacitar dele em nós.

    Pulsada nas pausas do reino pairando em silenciar profundo…

    O que nunca antes presenciei!

    Louvor e bendição pela invencibilidade do Cristo realizável! Sorriso de Deus entregue na face do Fanuel.

    Uma só vida, Um só realizar!

    Pacificada no definitivo em Pascal Alohar!

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