Quando Somos Tentados Pelo Bem e Pelo Mal

Eu sabia desde o começo que estávamos lidando com um universo espiritual e que o mal nele não era real, mas nunca soube o porquê, nem como chegamos a esse estado de ser a partir do Éden até que a revelação veio. A revelação veio naquelas passagens onde Deus disse: “Quem te disse que você estava nu?” E então eu soube que algo estava errado. Então, quando foi dito: “o conhecimento do bem e do mal”, e Adão e Eva foram expulsos do Éden — isso me revelou todo o segredo.

O Éden representa o nosso domínio espiritual. O Éden representa o estado de harmonia ou céu. O Éden representa a nossa imortalidade, o nosso estado de ser divino. O que nos lançou para fora disso, para o que o Mestre chamou de “este mundo”? Aí está, tão claro quanto qualquer um pode ler: o conhecimento do bem e do mal — foi isso que o fez.

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Durante semanas não superei o tremor que senti com a intensidade daquela revelação de que a causa de todos os problemas na face da Terra é a crença no bem e no mal; ninguém pode permanecer no Jardim do Éden, da harmonia, da perfeição, enquanto estiver aceitando em sua mente a crença no bem e no mal. Mas todos podem voltar ao Éden e ser puros, e ter vidas pela graça, não pelo suor do rosto; pela graça, pelo dom de Deus, renunciando à crença no bem e no mal; estando dispostos a admitir que não existe homem bom na terra nem mau; mulher boa na terra nem má; criança boa na terra nem má. Não existe bom nem mau. Pensar faz com que seja assim.

Sim, você pode decidir que isto é bom, e o outro pode decidir que aquilo é bom. Você pode decidir que isto é mau, e o outro pode decidir que aquilo é mau. Mas você retira sua avaliação, sua opinião, seu conceito, e declara que “em todo o céu e na terra, nada é bom ou mau — somente Deus ‘em pessoa’, o Invisível, é o todo-bom; nada visível, nada que você possa ver, ouvir, saborear, tocar ou cheirar é bom, nem é mau, nem possui quaisquer qualidades semelhantes”. Somente o Invisível é bom, e esse Invisível permeia o visível e lhe confere suas qualidades. Em outras palavras, dizer que um jardim de rosas é belo é verdade. Dizer “é bom” é falso, porque o bem é a Presença e o Poder invisível que o formaram. Essa é a beleza, e o visível apenas reflete essa bondade, mas é a natureza invisível que é o bem.

Em trinta dias, toda a sua vida pode mudar se você tiver força para reter todos os julgamentos sobre o bem e o mal e perceber:

Não conhecerei o bem ou o mal; conhecerei somente Deus como bom.

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E então deixe que este mundo seja o que quiser ser ou parecer ser para o mundo. Mas para você, nunca mais julgue o bem ou o mal.

*“Hamlet: – Para os senhores, não será uma prisão a Dinamarca, porque o bem ou o mal não existem, senão quando assim o julgamos. Para mim é.
Rosencrantz: – A ambição faz parecer a Dinamarca uma prisão a vossa alteza, não cabe nela a sua alma.” (William Shakespeare – Hamlet  — trecho do Ato 2/Cena 2)

Novamente, não está escrito: “Não há nada bom ou mau, mas o pensamento o torna assim”*  nossa aceitação de dois poderes? Não é esta a razão pela qual Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden — porque comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal, aceitaram mentalmente dois poderes? Não sofremos em toda esta geração por termos tido medo de certos líderes governamentais, certos poderes políticos, certas forças políticas, sem termos aprendido do Mestre esta grande verdade: “Tu não terias poder sobre mim” — temporalidade, poderes temporais — “Tu não terias poder se não te fosse dado por Deus”, porque Deus é infinito? Deus é o único poder. Deus é o poder todo.

Iniciamos uma prática diária sempre que alguém parece nos dominar, seja na vida familiar ou na vida comunitária, nacional ou internacional. Realizamos uma prática diária de:

Você ficaria surpreso com o que acontece em sua experiência individual por uma ou duas semanas se praticasse o princípio: “Não existe bem ou mal”. Você se veria quase dilacerado se tomasse consciência do que está fazendo. Por uma ou duas semanas, você não seria capaz de viver sua vida normal e natural. Você ficaria chateado e em conflito consigo mesmo e com todas as aparências que você conhece, porque neste momento, ao olhar para fora, você está satisfeito com algumas coisas e muito descontente com outras. Há coisas que você gosta tanto que gostaria de ter mais delas, e há coisas que você desgosta tanto que gostaria de se livrar delas. E é isso que está causando problemas, e por uma ou duas semanas causará um pouco mais de problemas quando você tentar mudar essa situação e chegar à conclusão de que “não existe nada bom ou mau”.

Portanto, não há nada que eu deseje, nada que eu possa mudar em mim ou no outro. Não existe bem nem mal. A dificuldade surge quando contemplamos aqueles ao nosso redor e observamos as qualidades que gostaríamos de ver mudadas neles e percebemos que precisamos cerrar os dentes, cerrá-los um pouco e dizer: “Não, não, não é nem bem nem mal.”

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Julgando o Bem ou o Mal

Feche os olhos e pense em qualquer pessoa que você goste, em qualquer condição ou em qualquer condição de qualquer pessoa. Olhemos diretamente para isso e declaremos para nós mesmos:

“Isto não é bom nem mau; isto não possui qualidades em si, nem boas nem más. Agora, se esta é uma boa pessoa ou uma boa condição, então eu condicionei minha mente e rotulei esta pessoa como boa, ou esta pessoa ou condição como boa ou má. Se eu declaro esta pessoa ou esta condição má, quem disse isso?”

Deus disse a Adão: “Quem te disse que estavas nu?” De onde surgiu essa informação? Há um momento, não existia bem nem mal; há um momento, você estava nu e não se importava com isso. Agora, por que se importa? Algo condicionou sua mente, e você se vê de uma forma como bom e de outra como mau. Mas a condição em si não é nem boa nem má; é apenas um estado de ser.

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Tente pensar por um momento em uma pintura, uma peça musical ou uma estátua e veja se é bom ou não. E então pergunte a si mesmo: “O mundo inteiro concorda comigo?” Claro que não. Aquilo que você vê como bom, outra pessoa vê como não bom, ou menos bom, ou nada bom, ou positivamente mau. Observe as pessoas e pergunte a si mesmo se todos concordam com a sua avaliação delas. E você descobrirá que as mães deles pensam muito diferente sobre eles do que seus inimigos. Então, a qualidade do bem está na pessoa ou no conceito dessa pessoa?

Como sabemos por meio de nossa revelação espiritual, o Mestre diz: “Por que me chamas bom? Só há um bom, o Pai que está nos céus”, mostrando que, na verdade, o Mestre não era bom; ele era um instrumento por meio do qual o bem se manifestava. Paulo diz: “Não sou pecador, mas sinto dentro de mim um senso de pecado.” Portanto, sabemos que o mal não é pessoal; não é um homem sendo mau, mesmo que momentaneamente um homem possa ser o instrumento por meio do qual o mal se manifesta. O ponto que estou tentando chamar sua atenção, e você está olhando em seu silêncio, é que se você está olhando para algum homem ou mulher: lembre-se de que homem ou mulher não são bons nem maus, independentemente do julgamento de seus sentidos físicos. Eles não são bons e não são maus: são pessoas.

“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em adultério, no próprio ato. Ora, Moisés nos ordenou na lei que as tais sejam apedrejadas; mas tu, que dizes? Disseram isso, tentando-o, para que tivessem do que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo no chão, como se não os ouvisse. Como insistiam em perguntar-lhe, ele se ergueu e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, inclinando-se novamente, começou a escrever no chão. E os que ouviram isto, repreendidos pela sua própria consciência, foram-se retirando um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus, e a mulher em pé no meio. Então Jesus se ergueu e não viu ninguém além da mulher. Então lhe perguntou: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Ela disse: Ninguém, Senhor. E Jesus lhe disse: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8:3 -11)

Como podemos aceitar um ensinamento que revela Deus como a vida de todo ser, como o princípio criativo de todo ser, e então designar alguns bons e alguns maus? A mulher apanhada em adultério não foi rotulada pelo Mestre. “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Nem eu te condeno”… Ao ladrão na cruz, ele disse: “Hoje estarás comigo no paraíso”, e ao cego de nascença: “Nem este homem pecou, nem seus pais.”

Você começa a entender a necessidade de renunciar a toda censura, a toda condenação baseada nas aparências? Todo ensinamento e revelação espiritual desde 1500 a.C. baseia-se nos postulados “Ame o seu próximo como a si mesmo” e “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você”. A oração é o nosso contato com Deus, e não temos contato com Deus a menos que amemos o nosso próximo como a nós mesmos; isso, é claro, nos privará de muitas das nossas discussões sociais e políticas, pois não seremos mais capazes de culpar nossos semelhantes, famílias ou amigos, nossos parceiros de negócios ou os chefes de governo por nossos problemas, circunstâncias e depressões.

Exige disciplina da parte de cada um de nós e exige algo mais: exige um profundo e grande amor a Deus. Ninguém pode entrar na atmosfera sagrada de Deus expressando críticas, julgamentos ou condenação ao seu próximo. “Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua oferta.” 

Não pode haver demonstração espiritual enquanto nos apegarmos a opiniões humanas sobre o bem e o mal. Quando olhamos para o mundo sem opiniões, julgamentos ou rótulos – nem mesmo os bons – mas com a compreensão de que Deus existe, criamos uma espécie de vácuo interior. Nesse vácuo surge a sabedoria espiritual, definindo e avaliando o que está diante de nós, e descobrimos que isso é completamente diferente da avaliação humana.

É isso que torna o caminho espiritual diferente e difícil. Requer uma transformação completa da consciência, o que Paulo chama de “morrer diariamente” e renascer, o que o Mestre chama de “morrer” — morrer e renascer do Espírito. É uma morte para a nossa consciência humana, aquela consciência que é composta tanto do bem quanto do mal, aquela consciência na qual louvamos aqueles que fazem o bem e condenamos aqueles que fazem o mal, quando não temos o direito de fazer nenhuma das duas coisas.

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Quando você chega ao ponto em que pode entender que todas as condições humanas, de qualquer nome ou natureza, existem, mas como uma crença na mente humana, uma crença que resultou na expulsão do homem do Jardim do Éden, e quando você se convence no íntimo do seu coração de que, como Deus é infinito, não há pares de opostos, você pode dizer com o Mestre: “Eu venci o mundo”. Então, você está de volta ao reino dos céus.

À medida que nos aproximamos do trabalho de cura, não deveríamos ter em nossa consciência a percepção de que o mal precisa ser removido ou superado, mas, como ainda resta muito da humanidade na maioria de nós, ainda reconhecemos que há diante de nós a aparência do mal na forma de pecado, doença, morte, carência e limitação. E enquanto estivermos diante de tais aparências, não podemos ser absolutos e, como avestruzes, ignorá-las, repetindo continuamente: “Oh, Deus é tudo; não há erro”. Isso é inútil e tolo. Não devemos fazer isso. Devemos deixar Deus nos dizer isso, e quando ouvirmos a “voz mansa e delicada” ou quando sentirmos essa agitação dentro de nós, podemos ter certeza de que qualquer aparência de pecado, doença, morte, carência ou limitação que esteja diante de nós se dissipará. Mas não pense que você, humanamente, jamais será tão sábio a ponto de fazer isso acontecer.

Como você conhece as palavras e pode dizer oralmente ou silenciosamente: “Não há bem nem mal”, não acredite que a repetição delas fará milagres em sua vida, porque não fará. Você precisa conviver com essa verdade até poder demonstrá-la; precisa prová-la repetidamente dentro de si mesmo. Além disso, nunca se esqueça de que, se for tentado a dizer isso a alguém antes que se torne tão evidente que o mundo o veja em você, perderá o que recebeu e, mais ainda, poderá perder até mesmo a possibilidade de demonstrá-lo nesta encarnação, porque ninguém pode brincar com a palavra. de Deus, ninguém pode se vangloriar e brincar com ele e pensar que pode retê-lo.

Você só pode comprovar esse princípio na medida em que o abraçar firmemente; mantenha-o sagrado e em segredo, mas use-o. Use-o de manhã, à tarde e à noite com cada erro que lhe confrontar, seja no jornal, na rádio, na sua família ou na rua. Onde e quando você se depara com um erro, volte-se e pergunte a si mesmo: “Isso pode me fazer acreditar no bem ou no mal? Posso ser levado a aceitar dois poderes?” Se você conseguir fazer isso, evitará aceitar ou julgar pelas aparências e não será tentado a tentar curar alguém ou alguma coisa, mas permanecerá em si mesmo e fará um julgamento justo, permanecerá no Jardim do Éden, que representa seu domínio espiritual, o estado de harmonia divina.

A cura espiritual não pode ocorrer no plano humano. Ela só pode ocorrer quando você para de pensar na pessoa, na doença, na condição, na crença e na reivindicação, e retorna ao Éden, onde só há Deus, Espírito, totalidade e completude. Ninguém jamais será um curador espiritual que trabalhe do ponto de vista do efeito ou que ore do ponto de vista de tentar corrigir algo no mundo de Adão, porque, se tivesse sucesso, teria apenas trocado um sonho desagradável por um agradável. Se tivesse sucesso em melhorar a imagem humana, teria apenas uma materialidade boa em vez de uma materialidade ruim. Ele não estaria mais perto do reino de Deus.

Eventualmente, você verá que é tão pecaminoso acreditar que há poder em um bom pensamento quanto acreditar que há poder em um mau pensamento. Por quê? Porque um bom pensamento é tão humano quanto um mau pensamento, e um pensamento humano não é poder.

Na medida em que você perde o bem e o mal, você deixa de ser humano; você é espiritual. É aí que você se torna um curador. Você não está tão sujeito aos erros humanos da vida ou às faltas da vida como estava quando entretinha o bem e o mal. Não. De repente, você se tornou, até certo ponto, imune às reivindicações do mundo.

Tentados pela “Dualidade”: Profissões de Poder

Em cada etapa da vida, em cada fase da vida, você se depara com a “dualidade” ou dualismo, ou seja, a crença em dois poderes, dois eus, duas vidas, duas camadas de existência. E, no entanto, a verdade é: “Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” E esse é o Espírito. Esse é infinito; esse é Onipresença, Onisciência, Onipotência, e além deste, Deus, bem infinito, não há outro além dele.

Ora, essa crença em dois poderes, como eu disse, devido à sua natureza universal, é tão poderosa que age hipnoticamente, e Paulo, ao resumir a natureza do único mal que confronta a todos nós, chamou-a de “mente carnal”. E, às vezes, usamos esse termo, “mente carnal”. E com esse termo queremos dizer essa crença universal em dois poderes. Não queremos dizer que exista uma mente real chamada mente carnal; não existe tal coisa. Mas, apenas para encurtar essa crença universal em dois poderes, a chamamos de “mente carnal”. Pode ser chamada de “mente mortal”; significa a mesma coisa. Significa uma crença universal em um poder que não é um poder.

Em outras palavras, quando você vê a mente mortal ou a mente carnal, não como um inimigo, não como algo a ser superado ou destruído, não como algo do qual você tem que se proteger, mas quando você vê a mente carnal ou a mente mortal como uma crença universal em dois poderes, e você não acredita em dois poderes, você já superou a mente carnal e seus efeitos, pelo menos no grau de sua realização.

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Poucas pessoas na face da Terra contestam a existência de Deus hoje, mas podem muito bem contestar a presença e o poder de Deus nos assuntos humanos, porque, olhando para este mundo, há realmente muito pouca evidência disso. E é somente à medida que os indivíduos chegam, em sua própria experiência, a uma real compreensão de Deus que eles sabem, sem sombra de dúvida, que Deus opera nos assuntos humanos.

Ao iniciar nosso trabalho, gostaria de dizer logo de início que há uma parte, uma característica, que deve ser completamente compreendida antes que você se empenhe em trazer Deus à expressão ativa em seus assuntos. Agora, observe isso atentamente, pela simples razão de que você não encontrará esse princípio com muita frequência nos ensinamentos deste mundo.

Normalmente, pensamos nos males do mundo e, então, se pensamos em Deus, pensamos em Deus superando os males, como Deus destruindo os erros do mundo ou reformando os malignos do mundo, e eu lhe dou um princípio de que isso é incorreto. Não existe em todo o mundo Deus superando ou destruindo o mal. Não existe em todo o mundo a Verdade superando o erro. Não existe em todo o mundo Deus sendo um poder sobre os males: pessoas más, condições más ou circunstâncias más.

Em outras palavras, Deus não é um poder que pode ser usado sobre outros poderes. Deus não é um poder do bem superando poderes do mal, e a razão é que Deus é infinito; o bem é infinito, e aquilo que o mundo tem chamado de “poderes” na verdade não são poderes. A única razão pela qual tivemos a oportunidade de lutar e combater essas discórdias é que nós, nós mesmos, fizemos inimigos daquilo que em si não tem poder.

Agora, da mesma forma, esse princípio está sendo introduzido nas relações de capital e trabalho, até mesmo na política. Uma vez que você entra no estado de consciência em que reconhece Deus como o único poder, você não mais luta contra homens e mulheres maus. Você não mais luta contra causas malignas. Você não mais luta contra os chamados erros do mundo. Você aprende a “ficar quieto e ver a salvação do Senhor” (Êxodo 14:13) – da lei, da lei única. Você fica parado e observa a lei única em operação. Você pode ficar tão indefeso quanto Daniel diante do leão, ou pode ficar tão indefeso quanto Jesus Cristo diante de Pilatos, dizendo: “Tu não terias poder sobre mim”. Pilatos, o maior poder temporal do mundo, e Jesus diz: “Tu não terias poder sobre mim, a menos que viesse do Pai que está nos céus”.

Ou você poderia estar lá fora com o jovem Davi, o jovem Davi indo até Golias e descobrindo que seu amigo queria sobrecarregá-lo com uma armadura, uma armadura de aço, uma armadura de ferro, seja lá o que fosse que usassem para armaduras pesadas naquela época, e ele diz: “Não, não, não; tire isso de mim. Eu não preciso de armadura. Eu vou lá em nome do Senhor Deus Todo-Poderoso.” (1 Samuel 17:45) Em outras palavras, “Eu vou lá com a compreensão de que Deus é o único poderoso.”

Ora, se Deus é a única força, que poder tem Golias? Que poder tem a espada de Golias? Que poder tem a infecção ou o contágio? Que poder têm as conspirações e planos malignos dos homens diante de um indivíduo que está atento à verdadeira natureza de Deus? O segredo do fracasso do mundo durante esses milhares de anos tem sido que ele não conheceu a natureza de Deus e, portanto, orou a Deus para “fazer algo aos meus inimigos” para removê-los, para superá-los, para destruí-los, e não há Deus que ouça tais orações. Não há Deus que responda a tais orações.

Por quê? Porque em todo o reino do real, nunca houve um poder dotado de poder contra Deus. Logo que Deus é supremo, infinito, onipresente, último, o que daria poder a um demônio? O que daria poder a um poder à parte de Deus? De onde derivaria esse poder se você colocasse Deus como Infinito, como Ser Infinito, como Um. “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um” — um — um poder, apenas um.

No momento em que retiramos o poder de homens ou organizações e o colocamos no Invisível, nos libertamos automática e instantaneamente de qualquer mal que o homem ou as condições possam causar. Podemos não libertar este mundo instantaneamente disso, pois tal coisa não existe. Nos libertamos primeiro e, então, à medida que somos libertados, trazemos libertação para aqueles que se encontram ao alcance da nossa consciência.

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É verdade que “dez homens justos” podem salvar uma cidade. É verdade que um grupo muito pequeno de indivíduos que não depositam mais sua confiança em um partido político ou candidato político pode mudar toda a eleição, os resultados da eleição. Eles podem eliminar o mal de uma eleição, e isso não significa que possam eleger seu candidato ou seu partido. Significa apenas que, dentre os candidatos que estão concorrendo, aqueles mais próximos do nível de integridade espiritual seriam eleitos. E isso seria feito apenas por aqueles que pudessem abrir mão de sua fé e confiança em qualquer homem ou partido e perceber que todo o poder está no Invisível. Sim, deixe-me colocar desta forma: em certos lugares, os votos são controlados por certos interesses.

Por exemplo, em alguns lugares, pode-se dizer que o voto trabalhista controlará a eleição naquela comunidade; em outra comunidade, pode ser que uma igreja domine a eleição. Em outros lugares, pode ser que os industriais controlem os votos em sua comunidade. E é essa crença que perpetua os males do nosso mundo, do nosso mundo político, porque o poder não está em um indivíduo ou em um grupo. O poder está no Espírito.

De quem terei medo?*

*Esta é uma citação do ensaio de Emerson sobre “Compensação”.
Segue trecho:
“Assim é o universo vivo. Todas as coisas são morais. Essa alma, que dentro de nós é um sentimento, fora de nós é uma lei. Sentimos sua inspiração; lá fora, na história, podemos ver sua força fatal. “Ela está no mundo, e o mundo foi feito por ela.” (João 1:10) A justiça não é adiada. Uma equidade perfeita ajusta seu equilíbrio em todas as partes da vida. {Oi chusoi Dios aei enpiptousi}, Os dados de Deus estão sempre viciados. O mundo parece uma tabuada de multiplicação, ou uma equação matemática, que, gire-a como quiser, se equilibra. Pegue o número que quiser, seu valor exato, nem mais nem menos, ainda retorna a você. Todo segredo é contado, todo crime é punido, toda virtude recompensada, todo erro reparado, em silêncio e certeza. O que chamamos de retribuição é a necessidade universal pela qual o todo aparece onde quer que uma parte apareça. Se você vê fumaça, deve haver fogo. Se você vê uma mão ou um membro, sabe que o tronco ao qual ele pertence está lá atrás.”

https://archive.vcu.edu/english/engweb/transcendentalism/authors/emerson/essays/compensation.html

Há sempre alguma circunstância niveladora que abate a arrogância. Embora não apareçam freios para um novo mal, os freios existem e surgirão. “Os dados de Deus estão sempre viciados.” Não é tremendo? Basta lembrar de César, que governou com mão de ferro, Genghis Khan, Alexandre, o Grande. Em tempos mais modernos, dos czares da Rússia; de Hitler, que não podia ser conquistado, que carregou tudo à sua frente. Pense: volte na história e encontre dezenas de outras ilustrações e veja se você não concorda que “os dados de Deus estão sempre viciados.” Mesmo que, no momento, pareça não haver nada que impeça a marcha da tirania, do mal, de uma forma ou de outra, inevitavelmente, esses freios aparecem e se manifestam.

Agora, Emerson diz que sempre há alguma circunstância niveladora que reprime a arrogância, mas ele não a nomeia. Ele poderia tê-la nomeado porque a conhecia. Essa circunstância é uma lei: “Como semeares, assim colherás; como fizeres a outro, assim será feito a ti; tudo o que ligares, ligará a ti; tudo o que libertares, libertará” porque toda a vida é vivida no centro do nosso ser, e as circunstâncias externas são governadas e controladas por essa lei interna. A lei é muito clara. “Se semeares para a carne, colherás corrupção; se semeares para o Espírito, colherás vida eterna.” 

Claro, surge a pergunta: O que você quer dizer com semear para a carne? O que você quer dizer com semear para o Espírito? E a resposta é esta: Você coloca o poder na carne ou no efeito, ou você coloca o poder em uma Fonte invisível?

Em outras palavras, vamos analisar as condições mundiais de hoje e nos perguntar: Tememos o poder dos homens? Ou, se fôssemos votar amanhã, estaríamos depositando nossa confiança ou fé em algum homem ou grupo de homens? E então você saberá se está semeando para a carne.

Se você teme “o homem cujo sopro está em suas narinas”, você está semeando para a carne e colherá corrupção. Por outro lado, se você tem alguma fé ou confiança nos homens, se você acredita que existe um homem ou grupo de homens que salva este mundo, você está igualmente semeando para a carne, porque confiar em príncipes está fora de moda há séculos. Confiar no “homem cujo sopro está em suas narinas” nos deu os maiores traidores da humanidade.

Lembre-se de que todo homem que já traiu alguém ou alguma coisa recebeu primeiro a confiança que o colocou em posição de trair. Você e eu nunca traímos uma nação, mas ninguém jamais nos deu as rédeas da autoridade. Primeiro, você deve empoderar alguém antes que ele possa trair o poder. Quer pensemos em termos de assuntos internacionais, quer pensemos em termos de nossos assuntos nacionais, tudo se resume a: Devo temer o que o homem mortal pode fazer a Eu? Devo temer as circunstâncias ou condições humanas? Devo ter fé que existe um homem ou grupo de homens que pode me salvar individualmente ou ao mundo coletivamente? Em ambos os casos, a resposta é que você estaria semeando para a carne e colherá corrupção.

Você percebe que, ao longo dos séculos, essa crença em dois poderes, a crença no bem e a crença no mal, tornou-se forte o suficiente para ser hipnótica, de modo que todos nós somos hipnotizados com a crença de que “isso é bom e isso é ruim”. Todos nós somos hipnotizados, até certo ponto, com a crença de que existem poderes bons e poderes ruins, poderes espirituais e poderes materiais.

Ser des-hipnotizado significa simplesmente chegar a um certo ponto de acordo sobre a impossibilidade de existir Deus e algo além de Deus. Não pode existir Espírito e algo diferente ou oposto a Ele. Então, você chega a isto: enquanto em sua antiga crença havia Deus e o diabo, ou o bem e o mal, e enquanto em nossa metafísica primitiva tínhamos mente imortal e mente mortal, agora você chega à conclusão de que só pode haver uma mente, um poder, uma substância, uma causa, e ao aceitar isso, sua antiga consciência se espiritualiza. Em outras palavras, falta de espiritualização significa ter dois poderes; espiritualização significa ter um poder.

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Observe sua resposta ao bem e ao mal

Se você olhar ao redor deste mundo, verá pessoas grosseiras, materialistas grosseiros, pessoas que o fazem estremecer em sua presença. Então, ao olhar mais ao redor, verá pessoas espiritualizadas, pessoas em cuja presença você sente uma sensação de Cristo o envolver. Você deve perguntar a si mesmo: “Como assim? Por quê?” E então você saberá que todos nós passamos por séculos de desenvolvimento: primeiro, a descida da nossa Cristandade original no Jardim do Éden para caminhar nesta terra quase como abutres; depois, a ascensão até a identidade espiritual mais altamente desenvolvida da qual estamos nos aproximando neste momento.

Você verá que Eu coexiste com Deus. A partir do momento em que Deus é, Eu sou. Não há nem mesmo um lampejo, um piscar de olhos entre Deus e Eu. Aliás, um poeta místico foi um passo além e disse: “Antes que Deus fosse, Eu Sou.” * E isso é verdade porque Deus existe em nossa consciência, não como Deus, mas como um conceito de Deus. Portanto, o que estamos falando como Deus não é realmente Deus, mas um conceito que passou por mudanças ao longo dos séculos, e antes que houvesse um conceito chamado “Deus”, havia Eu. Eu existia antes de ter um conceito de Deus. Eu existia nesta Terra, antes que a palavra “Deus” ou a crença em um Deus  tocasse minha consciência.

Você aprende através do desenvolvimento interior que “Eu e o Pai somos um”.  “Eu e o Pai” é um relacionamento que existe desde o princípio e existirá até o fim do mundo. É claro que o fim do mundo significa o fim do nosso conceito de mundo, o fim do conceito do nosso mundo físico, pela simples razão de que, quando tudo estiver terminado e tivermos perdido o sentido físico da existência, Eu ainda serei Eu. Só existe Eu; só existe um Ego; isso é conhecido desde os dias de Krishna. Há cinco mil anos, sabia-se que existe apenas um Eu, apenas um Ego, e Eu sou Ele. Eu sou Ele. Antes dos dias da dispensação hebraica, antes que Moisés pudesse dizer: EU SOU O QUE EU SOU, os hindus diziam: Eu sou Ele, e Eu sou Aquilo. Então Moisés veio com a dispensação hebraica e trouxe à luz EU SOU O QUE EU SOU, e o Mestre não apenas repetiu isso, mas provavelmente, em nossa opinião, foi um passo além quando disse: “Tu me vês, tu vês o Pai que me enviou, pois eu e o Pai somos um.”

Se quiser provar isso, feche os olhos e, sem egoísmo, sem se gabar, apenas gentilmente, gentilmente, diga “Eu” e, se puder, nem diga. Não diga; apenas imagine a palavra “eu”. Eu — esse sou Eu. Essa é a minha identidade, como tenho sido por toda a eternidade e como serei por toda a eternidade, mas só a manifestarei na medida em que não tiver noção do bem e do mal.

Quando consigo confrontar qualquer forma de pecado sem horror, sem me chocar, sem autojustiça ou indignação, quando consigo olhar para qualquer forma de pecado e perceber que ele só pode existir como ignorância, estou me aproximando dele. Quando consigo enfrentar qualquer forma de doença e perceber que ela não tem poder, que não é uma coisa – nem preciso me livrar dela – então estou me aproximando, em algum grau, da Cristandade original no Jardim do Éden, onde ninguém declara: “Isto é bom e isto é mau; vamos nos livrar disto e nos elevar acima disto”. Quando chegamos a esse estágio, estamos tocando a nossa Cristandade.

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E assim você vê que, para cada um de nós, há um longo caminho pela frente, mas agora temos um mapa, alguns guias. Sabemos agora que precisamos levar a palavra “Eu” para a nossa meditação e não fazer como alguns fazem: acreditar que eu, o ser humano, sou Deus. Você não irá longe dessa maneira e provavelmente se meterá em sérias dificuldades. Um ser humano jamais poderá ser Deus, assim como um ser humano não pode ser espiritual ou estar sob a lei de Deus. Mas você não é um ser humano, e não é mortal na medida em que este Espírito de Deus o abraça, que este Espírito de Deus envolve você e você pode dizer “Eu” — mas quando disser “Eu”, não abra os olhos e comece a odiar, temer, invejar ou qualquer coisa assim, porque então você joga tudo pela janela.

Quando você sair desse Eu, seja tão puro quanto foi por dentro, porque por dentro, nesse Eu, você não sentiu nenhum sentimento de medo, nenhum sentimento de ódio, nenhum sentimento de ciúme, nenhum sentimento de vaidade. Você apenas sentiu uma auto completude, uma perfeição, um brilho interior. Agora, mantenha isso quando sair, porque no momento em que você se entrega ao certo e ao errado, ao bem e ao mal, e a todas essas qualidades negativas da humanidade, você está se afastando de onde estava quando estava naquela consciência do Eu.

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A Única Paz Real: Reino de Deus Dentro de Você

Agora, estamos passando por um período fascinante da história mundial. Eu não me surpreenderia se fosse mais interessante estar vivo neste momento específico da história do que em qualquer outro momento da história mundial. É uma das ocasiões em que o mundo está passando por uma grande transição.  Pode ser a transição final, aquela em que o sentido material é completamente superado e a consciência crística chega ao mundo como uma dádiva universal. Para mim, parece que é isso que está acontecendo porque, ao observar a maioria dos males – não, deixe-me dizer, a maioria dos eventos que o mundo chama de “maus” – eu os vejo não como males, mas como a dissolução dos males. Vejo o fim de muitos dos males da mente humana que existiram nos séculos passados.

Volte seu olhar agora para o lugar onde você já sentiu aquela gentil Presença; sorria para Ela. Secreta e sagradamente saiba que Ele está lá e que está cumprindo sua função em relação aos negócios do Pai. Este bebê foi dado a você para cuidar dos negócios do Pai, de “restaurar para você os anos perdidos do gafanhoto”, de retornar a você esta última parte da jornada de volta à casa do Pai ou à união consciente com Deus. A função deste bebê é revelar que você está vivendo no meio do Éden, onde você sempre será tentado por apenas uma tentação. Há apenas um mal no Jardim do Éden, apenas um pecado: a crença no poder do bem e do mal.

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Você, sentado lá dentro do seu templo, deve ser capaz de olhar para aquela árvore o tempo todo e resistir à tentação de acreditar nela. Você deve ser capaz de dizer:

“Por mais bela que pareça, ou por mais horrível que pareça, agora sei que não há verdade em você. Não há poder do bem; não há poder do mal. Deus no meio de mim é o único poder e a única presença.”

Mesmo quando você tiver superado as três tentações no deserto, será tentado com histórias no mar; será tentado pela adúltera; será tentado pelos pobres; será tentado pela doença a aceitar dois poderes. Isso é tudo o que acontece quando essas tentações chegam até você. O mundo as chamará de câncer, tuberculose e poliomielite; o mundo as chamará de depressão e tiranos. O mundo as chamará por muitos nomes, mas você resumirá todos eles: 

“Esta é uma tentação de acreditar em dois poderes, e este Cristo dentro de mim é a minha garantia de que somente Cristo é poder, o Filho de Deus, o Espírito de Deus em mim.”

Da mesma forma, devemos agora olhar para o cenário mundial e compará-lo com a nossa própria vida. Se, em qualquer momento em nossa experiência, chegamos a um ponto em que nos perguntamos: “Será que o mal vai me vencer nesta experiência? Vou sucumbir à morte? Vou ficar permanentemente inválido? Estou condenado a viver neste pecado específico pelo resto dos meus dias? O poder do mal é maior do que qualquer que seja o poder de Deus, o poder do bem?” Muitos já passaram por situações dessa natureza em suas vidas e se perguntaram até que ponto o mal, o erro, o pecado, a doença, a pobreza e a infelicidade parecerão permanentes, porque o mal parecia ser maior do que o poder do bem, até mesmo maior do que o poder de Deus.

Agora, vamos nos voltar para a situação mundial e, ao nos lembrarmos da natureza dos males que o mundo enfrenta hoje em todos os países – o seu não é exceção, o nosso não é exceção – que esta mesma pergunta venha à sua mente. O poder do mal espalhado pelo mundo se mostrará maior do que o poder do bem? O poder do ódio ou da malícia se mostrará mais poderoso do que o poder do amor ou da fraternidade? O desejo que você vê em grande parte do mundo hoje de trazer libertação e liberdade para a humanidade deve ser frustrado por alguma força ou poder maligno? Ou existe um poder que pode dissolver esses males, mudar as circunstâncias do mundo, trazer liberdade, abundância, harmonia, saúde, paz na Terra e boa vontade para os homens? Existe tal coisa?

Foto por Amit Mishra em Pexels.com

Pergunte a si mesmo: “O que é este reino de Deus dentro de mim? Qual é a natureza do reino de Deus dentro de mim? Qual é a sua função?” Em resposta a essa pergunta reside não apenas a sua salvação, a sua saúde, a sua felicidade, a sua paz e a sua prosperidade, mas nessa mesma resposta reside a segurança e a proteção do mundo inteiro.

Se você ainda não pensou sobre isso, pense nos próximos dias se acredita ou não que existe uma solução humana para os problemas do mundo ou se ouviu falar de alguém nesta década que sequer afirma acreditar ter uma resposta para os problemas do mundo. Então você entenderá por que ninguém, independentemente de sua posição no governo, na política, no estado, ninguém afirma ter qualquer solução para os principais problemas deste mundo. Então você saberá por que deve haver uma solução espiritual, ou estaremos chegando ao fim de mais um período da história humana. Agora, o fato é este: o mundo não vai acabar. A civilização não será destruída, e a harmonia será restaurada na Terra – não outro período de intervalos entre guerras, não outro período como 1919 a 1939, mas a experiência real de paz na Terra. Quando a palavra final for dada, haverá contratos firmados, haverá tratados assinados, mas estes não serão a razão para a paz. Estes nem sequer serão um fator para a paz. Isso será apenas o resultado de entrar na Experiência Real: este Reino de Deus está dentro de você.

Retorno ao Estado Primordial: A Consciência Paterna

Sempre chegamos àquele ponto em que, independentemente do que aprendemos, do que lemos ou estudamos, temos que viver a convicção, temos que viver a vida que agora se revela para nós. Há um período em nossa experiência em que podemos nos considerar puramente estudantes ou iniciados, e durante esse período, estamos aprendendo, sim. Estamos assimilando novos princípios. Estamos descartando velhas crenças religiosas, superstições, teorias e doutrinas; estamos aprendendo a não depender de nada que exista no reino externo, para usar tudo o que aparece para o bem, mas sem depender dele. Estamos aprendendo que existe apenas um poder e que é apenas uma crença universal em dois poderes que nos limita. Estamos aprendendo a natureza de Deus. Estamos aprendendo a natureza da oração.

Durante muito tempo, aprendemos, aprendemos, aprendemos e desaprendemos, aprendemos a deixar ir. Mas então chega um momento em que o pensamento nos vem à mente: “E agora, o que eu faço com todo esse aprendizado? Como posso ir além do aprendizado?” E esse, claro, é o início da sua verdadeira experiência, quando você começa a viver o que aprendeu.

Você desenvolve algo superior a um cérebro humano e à sabedoria humana. Você desenvolveu uma consciência espiritual, uma consciência divina, que agora chamamos de “Consciência do Pai”. Você encontra a mesma experiência na história do filho pródigo que retornou à casa de seu pai. Agora, que ninguém acredite por um momento que isso significa que ele retornou à sua casa paterna; isto não é tudo que significa. Significa que ele retornou ao seu estado primordial, que é a Consciência Divina. Ele havia descido dele para a consciência humana e terminou onde a consciência humana sempre deve terminar, porque depende de fatores externos. Mas ele retornou à casa de seu Pai, à “Consciência do Pai”, que era sua herança original.

Ao despertar para isso, você compreenderá todas as passagens bíblicas que se referem a “Pai” e à “casa do Pai”, ou qualquer outra referência a “casa” que não signifique residência, e saberá que “casa” significa consciência. Em outras palavras, a consciência do Pai em você revelou isso a você, não a consciência do homem, não a consciência humana, a consciência do Pai em você.

Você sabe que, ao compreender corretamente a história do filho pródigo, terá o segredo da vida na ponta dos dedos. No princípio, você é o Pai. Você é a consciência do Pai. Você não era apenas um filho favorecido no princípio. Você era um Pai, o Pai, a consciência paterna, mas se isolou para se tornar um filho. Teria sido correto ser filho no sentido espiritual de filiação, como mera emanação ou descendência da consciência divina, uma individualização da consciência divina, mas não, esse sentido de filiação que é separado e precisa receber algo do Pai — uma herança. Agora você sabe que não existe em todo este mundo um filho que receba algo de um pai, nem mesmo um filho espiritual que receba algo de um Pai espiritual. O Pai espiritual também é o Filho espiritual: Deus, o Pai, e Deus, o Filho. O Filho é tão Deus quanto o Pai, e assim, mesmo como Filho, somos a consciência-Pai, a Consciência una que tudo abrange, que tudo incorpora, infinita. Ao nos tornarmos Filhos, não nos tornamos menos que todos, nem jamais dividimos nossa herança com nossos irmãos. Em Deus, não existe divisão.

Transformar-se do homem terreno para o homem de Cristo não é uma questão de outro mundo. Este é o universo de Deus; aqui e agora é o Jardim do Éden. Jamais poderia haver um lugar melhor do que este mundo, se pudéssemos retirar nossos julgamentos, nossos louvores e condenações do bem e do mal. Este é o mundo que todo visionário sonhou alcançar, mas ninguém pode atingir o estado edênico enquanto estiver hipnotizado pelo conhecimento do bem e do mal. Isso só pode vir como fruto da renúncia não apenas a todo julgamento ou condenação, mas também a todo louvor. Quando não estamos mais sob a influência hipnótica dos pares de opostos, o mundo não tem mais o poder de nos escravizar. Este mundo é superado na proporção em que abandonamos a crença no bem e no mal, mas, na verdade, não há mudança no mundo em si. Parece ser o mesmo. A grande diferença é que não o vemos mais da maneira antiga. Para nós, há uma luz diferente sobre ele; agora temos uma perspectiva diferente, um panorama diferente.

Foto por Thanh Loan em Pexels.com

Quando somos capazes de nos elevar acima do reino do pensamento, para aquele lugar elevado onde não temos opinião sobre se algo ou alguém é bom ou mau, mas estamos dispostos a ser uma transparência perfeita para a instrução de Deus, então Deus fala em nossos ouvidos e nos mostra a realidade espiritual que existe exatamente onde aquele “homem de carne que não pode agradar a Deus” parece estar. Mas naquele instante, quando Deus fala, o homem de carne é transformado no Filho de Deus e imediatamente retorna ao Jardim do Éden, onde agora é o Filho de Deus vivendo sob o governo de Deus.

Joel – O Governo do Éden



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6 respostas

  1. Avatar de jaimeamalmeida

    🌹🌹🌹AloHa🌹🌹🌹Emmanuel 🌹🌹🌹

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  2. Avatar de andre ferreira da silva

    Sou novo aqui, encontrei esse caminho por ” acaso” que incrível.

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  3. Avatar de arquitetadaoracao

    FIZ novamente a leitura meditativa desse estupor em forma de texto. E antes d reler estava em estado meditativo tendo a experiência q nem era necessária a meditação, pois não existia outra presença além de mim mesma como o Deus q sou. E qdo no poema editado diz : “antes mesmo de Deus existir, EU SOU! ” é exatamente assim q estou presenciando. Mas romper esse conceito e ficar na integralidade do único substancial atuante, Deus o único acontecendo, é a maior dádiva recebida nesse agora perpétuo. Hora ou outra verdadeiramente querem nos persuadir com duas possibilidades, e onde está o louvor do bem? Esse tbm some no reino edênico. E aí q o bicho quer pegar ! Mas e a história de David com Golias não é lenda. É REALIDADE GRITANTE ATUAL! EU A VIVI E A VIVO. HJE MESMO VIVI. E AGORA ESTOU VIVENDO E SEMPRE ESTOU! NÃO ACEITEI ARMADURA FUI DE CARA LIMPA, PQUE TENHO PLENA CONVICÇÃO ABSOLUTA Q JAMAIS ERA EU, MAS ELE EM MIM O TODO PODEROSO ÚNICO ATUANDO NO MEU LUGAR. EXIGE TOTAL LUCIDEZ ESPIRITUAL. ESSA SEMPRE FOI MINHA ORAÇÃO/ Q EU PRESENCIEI E TODOS Q Fazem parte integral do universo q sou a lucidez do Deus Verdade! As experiências hje foram imensas imensuráveis… reporto como uma maneira de render graças por seu santo publicar desse manuscrito preciosíssimo, Deus Imaculada Andreia Amor real!!! AMANDOOOO amar a única realidade! Existencial descido no centro do ser no domínio autoortogado! A rosa 🌹 ou flor se faz consagrada no invisível reconhecido. Apenas Deus É Deus!

    Não foi à toa q a divindade em Joel ficou perplexa após esse revelar preciso, pque nele está o todooooo do TODO!. Quem receber, nada mais precisará. QDO NADA QUIS, TUDO RECEBI.

    O RECONHECIMENTO DO IRRETOCÁVEL É A QUEBRA DA DUALIDADE.

    COMO POSSO EU QUERER algo,

    SE TUDO SOU?

    Como posso achar q tem algo a ser rompido, se somente EU existo!

    É É É!………..

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  4. Avatar de arquitetadaoracao

    Tão magnífico ė viver essa verdade. Desde q cheguei aqui sempre habitei o Subéden. E não entendia o porquê q irmãos nao viviam o mesmo . Hje está claro q é esse senso de separação entretido no engodo mesmerico q nada É. Nesse descanso, nesse sossego, sigo no irretocável imutável harmônico perfeito D E U S único em mim, e em todos! Louvo o governo do éden real alcançável vivido sem cessar. Mais uma vez bendigo tão nobre reportar Deus Deia luzzzzz. Amando viver a única realidade no universo espiritual conduzido no único bom. Alohaaaaa puroooooo!

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