A Realização do Cristo e o Sentido da Existência – Um diálogo filosófico

1. O ponto de partida — O que é o “Cristo Realizado”?

Irmão Miguel:
Joel fala da consciência do Cristo como o estado em que o homem desperta para a presença divina dentro de si. O Cristo não é uma figura histórica apenas — é a vida espiritual que se manifesta quando cessamos de depender do mundo material e confiamos na Graça divina. É o ponto em que o “eu humano” desaparece e o “Eu divino” vive em nós.

Dr. César:
Mas veja, Miguel, isso é pura metafísica subjetiva. Quando Joel diz que o Cristo “fornece” suprimento, alimento, abrigo — ele substitui a causalidade natural por uma crença mágica. O alimento vem da terra, do trabalho humano, da biologia e da economia, não de uma consciência invisível.

Irmão Miguel:
Você confunde causa com canal. O alimento vem da terra, sim — mas a terra é sustentada pela inteligência divina que se manifesta como ordem e vida. Joel não nega o canal humano; ele apenas diz que a origem real de tudo é Espiritual, e não material. A matéria é efeito, não causa.

Dr. César:
E no entanto, se ninguém plantar, não há colheita. Se ninguém trabalhar, não há pão. Esse “Cristo interior” não põe sementes no solo. A ideia de que a consciência espiritual pode prover fisicamente é poeticamente bonita, mas cientificamente vazia.

Irmão Miguel:
E, no entanto, quantas vezes você já viu coincidências inexplicáveis, soluções inesperadas, forças internas que sustentam o homem além da lógica? O Cristo, para Joel, é essa dimensão invisível da existência que a ciência ainda não alcançou, mas que se revela na experiência interior.


2. A questão do dar e do receber

Dr. César:
Joel critica quem busca a espiritualidade “para ganhar algo”. Mas, ao mesmo tempo, ele fala de dinheiro, de cobrar por aulas, de não deixar que as pessoas “ganhem de graça”. Isso me soa contraditório. Onde está o desapego aí?

Irmão Miguel:
Ele distingue valor espiritual de mercadoria. O que ele ensina é que o discípulo precisa investir — tempo, energia, responsabilidade — para que o ensinamento tenha valor. Não é o dinheiro em si, é o comprometimento. “Vende tudo o que tens e compra a pérola de grande preço”, diz o Evangelho. Sem dedicação, o aluno quer apenas milagres fáceis.

Dr. César:
Então o problema é psicológico, não espiritual. O esforço dá valor subjetivo à experiência. Isso é comportamento humano, não ação divina. É um mecanismo de engajamento, não uma lei espiritual.

Irmão Miguel:
Talvez ambos estejam certos. O engajamento humano é o instrumento pelo qual o divino age. A graça não é passividade — é cooperação consciente com Deus.


3. Ciência, religião e transformação interior

Dr. César:
O ponto mais questionável é quando Joel afirma que “nada cura o paciente senão quando o Cristo toca a consciência”. Ora, sabemos que remédios, terapias e cirurgias salvam milhões. Ele desconsidera completamente o papel da medicina e da razão.

Irmão Miguel:
Ele não nega a medicina — apenas diz que nenhuma cura é completa se a consciência permanece doente. A doença é símbolo da separação interior. O Cristo é o agente da transformação que muda a causa, não apenas o sintoma. A ciência cura o corpo; o Espírito cura a alma.

Dr. César:
Mas a alma, nesse contexto, é um conceito metafórico. Tudo que chamamos de “espírito” é produto da mente humana, da atividade cerebral. Falar de uma entidade divina que “toca a consciência” é antropomorfismo, não filosofia.

Irmão Miguel:
E se a consciência for mais fundamental que o cérebro? Cada avanço da física quântica mostra que a realidade depende do observador. Joel já intuía isso: que o mundo é expressão da consciência — não o contrário. O Cristo é o reconhecimento de que há uma Inteligência além da matéria.

Dr. César:
Ou talvez apenas um belo mito que consola os que têm medo do acaso e da morte.

Irmão Miguel:
E talvez o seu “acaso” seja apenas o nome que você dá ao mistério que ainda não compreendeu.


4. O sentido final — salvação e autotranscendência

Dr. César:
Joel diz que “nenhum ensinamento salva o mundo; só o Cristo o faz”. Isso é perigoso. Quando o homem entrega a responsabilidade ao “Cristo interior”, ele se torna passivo diante dos problemas concretos da sociedade.

Irmão Miguel:
Não é entrega, é transfiguração. O Cristo não substitui a ação, ele a purifica. O ego humano age por medo, ambição ou orgulho. O Cristo age por amor. Quando essa consciência desperta, o mundo é transformado não pela força, mas pela presença. É revolução silenciosa.

Dr. César:
Mas o amor não basta para mover a História. A ciência constrói pontes, cura doenças, amplia a vida. O espiritualismo, quando dogmático, congela o pensamento.

Irmão Miguel:
E a ciência, quando sem alma, constrói pontes para o nada. Ambas precisam se unir: o intelecto que explica e o espírito que dá sentido.

Conclusão:
Joel propõe uma espiritualidade da realização interior, onde o Cristo não é um dogma, mas um estado de consciência que transcende o ego e dissolve a dependência do mundo material.
O cientista, por outro lado, representa a razão que exige provas empíricas e teme o subjetivismo místico.
Entre ambos, há tensão — mas também a possibilidade de uma síntese: a união da consciência iluminada e da razão esclarecida.



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2 respostas

  1. Avatar de arquitetadaoracao

    QDO A VERDADE TOMA CONTA DO SEU SER TODAS RESPOSTAS SÃO DADAS. NÃO HÁ MAIS NADA PARA RESPONDER. TUDO ESTÁ ESCLARECIDO.

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  2. Avatar de jaimeamalmeida

    ??????AloHa??????Emanuel ??????

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