Sobre O Mar Do Espírito

A vida no caminho espiritual pode ser dividida em três estágios principais: o primeiro muito agradável, o segundo não tão confortável, e o terceiro não apenas agradável, mas satisfatório. O primeiro estágio é agradável porque nossos pensamentos estão centrados principalmente na mudança das condições do mal, do erro, da discórdia e da desarmonia para condições mais harmoniosas, e, como muitos de nós descobrimos, algumas dessas mudanças acontecem. Ganhamos um melhor senso de saúde, muitas vezes um senso muito melhor de suprimento, e nossas relações humanas se ajustam e se tornam muito mais satisfatórias do que eram antes. Neste primeiro estágio do nosso desdobramento espiritual, é uma coisa alegre ver uma parte do velho homem “morrer” (I Coríntios 15:31) e o novo homem “nascer”, ver as velhas condições desaparecerem, aparecendo como novas e mais harmoniosas.

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Vivendo em Dois Mundos 

O segundo estágio é provavelmente o mais longo, e o mais difícil. Isto é porque no segundo estágio estamos vivendo em dois mundos. Vislumbramos algo da natureza da Realidade, e algo da natureza irreal do mundo fenomenal, levando-nos gradualmente a um estado de consciência onde não corremos rapidamente para uma aspirina no momento em que temos um resfriado, ou consultamos imediatamente um médico quando algo mais sério se desenvolve. Temos pouco ou nenhum medo dessas condições físicas perturbadoras porque elas não nos causam mais o mesmo terror. Infelizmente, a maioria dos nossos amigos não pensam como nós e podem tornar a vida bastante miserável para nós, lembrando-nos que devemos ser práticos, que devemos nos proteger de doenças e perigos, e que não é razoável e praticável perdoar nossos inimigos.

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Devido a este conflito, muitas vezes nos encontramos vivendo em dois mundos com a necessidade de atender a ambos. Aparentemente, não há como fugir de nenhum deles; e como não queremos perder o terreno espiritual que ganhamos com tanto trabalho, estudo e meditação, não temos outra escolha a não ser viver temporariamente nesses dois mundos. Isso significa que às vezes podemos ser chamados a tomar remédios, ou a nos solidarizar com nossos amigos e parentes, mesmo quando não concordamos com o que eles estão fazendo. Externamente, temos que estar neste mundo – mesmo que não sejamos dele – sendo tão amorosos quanto possível, quando na verdade, não somos muito pacientes com tudo o que se passa ao nosso redor. Mas não podemos deixar ninguém ver nossa impaciência, porque isso não seria benéfico. Por isso, às vezes nos envolvemos em conversas duplas. Dizemos coisas que realmente não acreditamos, e fazemos coisas que não aprovamos em nossos corações.

Quando eu estava em treinamento na Primeira Guerra Mundial, passei por um período de aulas de baioneta com um major que era muito famoso por seu treinamento de fuzileiros navais e que nos ensinou a dizer com cada estocada que fazíamos: “Seu Huno imundo! Você é isso, você aquilo!” Toda a vez que eu era chamado a fazer isso, eu estava interiormente perdoando meus inimigos e os amando. Não é fácil viver uma vida dupla, mas há momentos em que temos que fazer isso.

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Este segundo período em nosso desenvolvimento é difícil, isso porque ainda não estamos firmemente alicerçados na Verdade. Ainda não temos a plena convicção de que todas as coisas que aprendemos são verdadeiras. Sim, isso está escrito nos livros, e sim, tal pessoa diz isso, e sim, nós acreditamos nisso, mas… mas… Portanto, aqui estamos, tentando nos agarrar firmemente a algo que ainda não demonstramos completamente.

Quando os Problemas se Tornam Oportunidades 

Uma vez passado o segundo estágio, que pode ser em qualquer lugar do nosso segundo ao vigésimo segundo ano de estudo, começamos a desfrutar da vida porque agora estamos completamente afastados dos ódios e dos medos deste mundo e de quaisquer dúvidas que possamos ter tido sobre os Princípios e assim, podemos viver esta vida dupla sem qualquer reação a nós mesmos. Então não há conflito interno quando falamos na linguagem do dia, porque, dentro de nós mesmos, estamos vivendo na consciência que agora alcançamos. Na verdade, muito mais é exigido de nós neste terceiro estágio porque outros começam a nos procurar por ajuda, mas cada problema que nos é trazido é apenas mais uma oportunidade para a vivência da consciência que alcançamos, e neste estado de consciência isso não nos parece um problema.

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No primeiro estágio e um pouco no segundo, toda vez que um problema se apresentava, geralmente nos rebelávamos: “Por que isso tinha que vir até mim? Tenho sido tão sério em meu estudo; tenho sido tão fiel. Agora, por que isso veio até mim”? Estávamos travando uma batalha contra nós mesmos. Neste terceiro estágio, porém, sabemos que quanto mais alto formos, mais problemas nos serão apresentados, só que agora eles não são exclusivamente nossos problemas pessoais: são os problemas do mundo – amigos, família, pacientes, estudantes. Estes, trazem os problemas, mas para nós eles não são mais problemas. Agora eles são oportunidades.

Quando obtermos uma compreensão disto, virão longos períodos de conversa conosco mesmos, nos quais tentaremos deixar claro para nós mesmos que, se tivermos tentações que parecem não ceder imediatamente, perceberemos que nenhuma demonstração pode subir mais alto do que a consciência da qual emana. Dizemos: “Ah, sim, tenho a consciência de Deus”. De fato, temos, mas essa não é a consciência que está governando nossa vida diária – ainda não! É quando chegamos ao terceiro estágio que somos governados por Deus. 

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No primeiro estágio, esperamos ser governados por Deus; no segundo estágio, estamos começando a ver alguns frutos na vida espiritual; mas é somente no terceiro estágio que nos tornamos realmente filhos de Deus, um herdeiro, e vivemos pela Graça.

Consciência, o Fator Determinante 

Vejamos como isto funciona, para que não percamos a paciência conosco mesmos, para que entendamos que realmente temos uma obra à nossa frente que deve estar alicerçada em Princípios, e não apenas na fé cega. Eu, Eu mesmo, sou a Consciência Divina infinita. Isto é tão verdadeiro de você quanto é de mim, portanto, você pode repetir para si mesmo:

“Eu, Eu mesmo, sou a Consciência Divina infinita.” No entanto, ainda vejo muito do ” homem natural” em mim, e nessa medida, não sou totalmente governado pela Consciência Divina; Eu sou governado em parte pela Consciência Divina e em parte pela consciência do homem cujo fôlego está em suas narinas.”

Como seres humanos, não estamos sob a Lei de Deus, a Graça de Deus, ou sob a Proteção de Deus; e, portanto, nesses primeiros meses em que começamos nosso estudo, 99 por cento do tempo estamos vivendo sob a mente carnal; mas, ao mesmo tempo, estamos nos beneficiando da consciência mais avançada daqueles que nos orientam em nosso desdobramento espiritual. Nesses primeiros meses, porém, nossa consciência não está suficientemente avançada para que possamos aproveitar ao máximo a ajuda que nos é dada por aqueles que foram mais longe no Caminho.

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A prova desta verdade é encontrada quando observamos os filhos de uma bela mãe ou de um belo pai, ou de ambos. Elas quase sempre refletem a consciência de seus pais, e assim a beleza e a integridade da consciência dos pais podem ser vistas normalmente no rosto e no corpo da criança. Quando essa criança completa dezesseis, dezessete, dezoito ou dezenove anos, no entanto, ela começa a viver sua própria vida e a manifestar sua própria consciência. Quantas vezes essa bela criança se torna um patinho feio! Por outro lado, quantas crianças que foram patinhos feios, quando sob a consciência de seus pais, tornam-se belas uma vez que começam a refletir seu próprio estado de consciência, que às vezes é muito mais belo do que o de seus pais.

Se os pais mantêm sua consciência espiritual e vivem na realização de Um Poder, pode-se esperar que o filho de pais espiritualmente dotados esteja 80% livre de doenças infantis, de comportamento delinquente, de acidentes e dos medos que normalmente assolam as crianças. Se, entretanto, essa criança não aceitar alguns dos princípios pelos quais seus pais foram capazes de lhe dar essa imunidade durante seus anos de infância, é mais do que provável que ela perca o benefício da consciência de seus pais, uma vez que esteja vivendo através de sua própria consciência e tenha saído debaixo do guarda-chuva da consciência dos pais.

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Da mesma forma, como alunos, estamos nos beneficiando da consciência de nosso professor. Estamos experimentando muito menos desentendimentos e desavenças no mundo porque a consciência de nosso professor está agindo como a lei para nossa experiência. Se, no entanto, nós mesmos não estivermos aprendendo estes Princípios, praticando meditação e desenvolvendo nossa própria consciência, então, quando o professor vai embora, o Consolador não estará mais conosco.

Vivendo com os Princípios 

Nestes primeiros dias, estamos adquirindo uma compreensão dos Princípios: aprendendo a orar corretamente, aprendendo a meditar, aprendendo a viver na Consciência de Um Poder, e aprendendo a viver na Consciência da Onipresença, Onipotência, Onisciência. Ano após ano, há menos do “homem natural” sobre nós, e mais e mais daquela Mente que também estava em Cristo Jesus. Assim é que passamos por todos os nossos dias de estudante, em parte sob a Lei e Graça de Deus, e em parte sob a lei do “homem natural”. 

Quando surgem problemas, eles representam aquele grau do “homem natural” que ainda não foi superado. Nenhum de nós pode esperar ser completamente transformado no Cristo por alguns anos de estudo. Isso não pode acontecer! Mas, em proporção ao nosso estudo e meditação, manifestamos cada vez menos do “homem natural” e demonstramos cada vez mais a Consciência Divina.

Enquanto não tivermos superado completamente o “homem natural”, que “não está sujeito à lei de Deus, nem de fato, pode estar”, não podemos receber as coisas de Deus. Portanto, à medida que os problemas surgem, o que somos chamados a fazer é lembrar que este “homem natural” não é de Deus, não é um poder, uma presença, ou uma realidade. O propósito da vida espiritual que estamos tentando levar é reconhecer a mente carnal toda vez que ela levanta sua cabeça:“Eu te conheço, sei quem tu és. Fique para trás de mim! Tu não és de Deus; portanto, não há realidade para ti; não há Lei Espiritual ou Graça Divina para te apoiar, manter ou sustentar”. O grau em que o filho de Deus foi elevado em nós é a medida em que podemos nos voltar sobre a mente carnal com suas manifestações, e anulá-la.

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É importante que os estudantes captem bem os Princípios da Impersonalização e da “Nadificação”, para que, no caso de surgirem problemas, eles não digam: “Como isso pôde acontecer comigo? Tenho lido os livros o ano todo. Tenho meditado o ano todo”.

Não é a quantidade de leitura e meditação que conta. O que conta é que grau de Cristo é elevado nos estudantes, que grau de amor ao próximo eles alcançaram, que grau de perdão a seus inimigos, que grau da não resistência ao mal, que grau da realização de Um Poder. Isto determina o grau de sua liberdade da discórdia, e determina a natureza de sua capacidade de atender aos problemas de forma rápida e decisiva.

Impessoalize a Falha 

Alguns podem pensar que a fé desempenha um papel nisto, mas a fé não entra nisto de forma alguma. Não é uma questão de ter fé: é uma questão de realmente compreender estes Princípios e ter a capacidade de aplicá-los impessoalmente, não apenas quando tudo está indo bem, mas quando as “fichas” estão caindo. Quando somos confrontados com esse satanás, essa condição, devemos ser capazes de permanecer firmes e dizer:  “Aha! Esta é a crença universal em dois poderes”. 

Outra tentação que surge é a tendência de nos culparmos por algo que fizemos. Quando fazemos isso, não estamos impessoalizando. Uma vez que dizemos: “Oh, eu sou o culpado. Acho que não sou um bom aluno. Evidentemente, eu não entendo. Outros entendem, mas eu não”, estamos personalizando, e enquanto personalizamos, caímos no mar. Caímos na armadilha, e vamos ter uma luta. 

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Façamos como Paulo, não afirmando ter chegado completamente, mas “prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Filipenses 3:14)  Reconheçamos: “Não estou olhando para o passado; estou indo em frente. Não afirmo ter alcançado a Cristandade. Afirmo apenas que a Cristandade é minha verdadeira identidade, e que ao entrar na realização de minha Cristandade, nesse grau sou governado por Deus, e não pode haver problemas, certamente nenhum dos meus próprios”.

Então, quando vier a tentação na forma de um problema, lembraremos que não estamos lidando com nenhuma falha de nossa parte: estamos lidando com a aparência de uma reivindicação universal de dois poderes, com a reivindicação do mal ou da discórdia personalizada, e cabe a nós colocar nosso calcanhar sobre isso. 

Embora possamos não ser responsáveis por termos noventa anos de idade, somos responsáveis por sermos velhos aos noventa anos de idade. Essa é uma reivindicação universal. Na verdade, aos setenta e oitenta anos, a idade é uma reivindicação universal, e se vamos aceitar a reivindicação universal como sendo pessoal para nós, então somos nós que a manifestamos. Devemos entender que em nossa verdadeira identidade, o Eu de nós é tão velho quanto Deus, é tão jovem quanto Deus, porque Eu coexiste com Deus. Eu, não tem mais começo do que Deus tem um começo, e Eu não tem mais fim do que Deus tem um fim. Isto, você sabe, e eu sei. Ah, sim! Todos nós sabemos – até que sentimos uma pontada de reumatismo, e então, alguém nos lembra que temos quarenta e oito ou oitenta e quatro anos.

Ao lidar com qualquer problema, impersonalizamos a imagem inteira, e uma vez impersonalizado, o problema não tem pessoa em quem, sobre quem, ou através de quem operar. Em outras palavras, devemos colocar o machado na raiz da árvore. Cada vez que damos lugar à dúvida ou ao desânimo, é porque estamos personalizando a crença universal em dois poderes, e nos responsabilizamos por isso. A vida do Espírito exige muito de todos nós. O Mestre disse: “Estreita é a porta, e apertado é o caminho que conduz à vida, e são poucos os que a encontram”(Mateus 7:14).  E talvez a razão de tão poucos entrarem é porque o Caminho Espiritual exige que nos apeguemos a certos Princípios, e um dos Princípios principais é a Impersonalização. 

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É sem dúvida verdade que, enquanto houver crença em dois poderes, uma crença no bem e no mal no mundo, as pessoas vão agir de uma maneira boa ou má. Mas se continuarmos condenando nossos amigos e nossos vizinhos, não teremos como entrar na Consciência Superior, e experimentaremos o bem e mal até o momento em que realmente percebermos que não temos o direito de funcionar como seres humanos, de ter sentimentos humanos de bem ou de mal, e certamente não temos o direito de ter vontade humana.

Vivendo na Consciência Superior 

Uma vez que começamos a compreender a verdadeira natureza de nossa identidade e a conhecer nosso nome secreto, entramos então em um modo de vida totalmente novo. Agora confiamos nesse Maná oculto que é nossa Consciência Divina: “Minha verdadeira Consciência, essa Consciência que Deus me deu, é o meu Maná oculto. É desta Consciência que emana minha vida: minha prosperidade, minhas amizades, meus julgamentos, minha orientação, minha arte – tudo o que pertence à minha vida.”

Até certo ponto, não estamos provando isso. O que estamos experimentando é uma combinação de bem e mal: alguns aspectos de nossa vida são bons e alguns ruins; alguns para cima e alguns para baixo; alguns ricos e alguns pobres. Isto ocorre porque estamos funcionando no nível da crença no bem e no mal. Mas quando alcançamos esta Consciência Superior, reconhecemos: “Ah, mas isso foi nos dias da minha ignorância, quando eu pensava que era homem, quando pensava que não tinha controle sobre este mundo ou que não estava reconciliado com Deus e sob a Lei de Deus. Mas agora, agora sei meu nome secreto”

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Eu sou o filho de Deus; Eu sou herdeiro e co-herdeiro de Deus: a palavra Eu faz-me assim. Eu nunca me deixará, nem me abandonará. Eu, o Cristo, estará comigo até o fim do mundo. Portanto, Eu sou a Consciência Espiritual; Eu sou imortal: Eu nunca nasci, e nunca morrerei. Eu vivo, me movo e tenho meu ser em Deus e Deus em mim, pois somos um. Esta realização consciente de que ” Eu e meu Pai somos um”, que Eu e a Consciência Divina Infinita somos um – é meu Maná oculto. Esta Consciência Divina, que Eu sou, é a Substância de todas formas. É a Substância do meu amanhã – as horas e os minutos do meu amanhã, os dólares, a comida, os relacionamentos, a roupa, o transporte, a atividade e o sucesso de todos os meus amanhãs. Do meu próprio eu, não posso ser nada, mas o Eu que Eu sou, que agora reconheço ser a minha Cristo – Identidade, é o meu Maná oculto. 

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Tal reconhecimento nos priva do privilégio e do luxo de ter desejos. Não temos o direito de ter desejos: devemos agora ser observadores, deixando a Graça de Deus fluir de nossa consciência. Não temos o direito de ter uma vontade própria; devemos viver sempre na perspectiva de sermos observadores, dando testemunho da Vontade de Deus se manifestando através de nós. Não temos o direito de conhecer a falta, a limitação ou a infelicidade porque estamos observando o Infinito Espírito de Deus fluir de nós, através de nós, e como nós. Nós somos contempladores. Perdemos o privilégio de ter medos ou dúvidas, ou de perder a esperança, porque se nos entregamos a essas tentações, somos levados de volta ao nosso eu mortal, aquele que supostamente está “morrendo”, ou que já está “morto”. Portanto, no grau em que temos desejos humanos, vontade humana, ambição humana, medos humanos e dúvidas humanas, nesse grau estamos negando e crucificando nossa Cristandade.

O Maná Oculto 

Em vez de nos entregarmos a tal humanidade, devemos acalentar, no fundo de nós mesmos, nosso Maná oculto: 

Eu tenho o Maná oculto. Meu Maná oculto é a Consciência Divina que Eu sou. É a Plenitude do Corpo da Divindade. Em Sua Presença está o Cumprimento. Ela pode me dar Paz Espiritual, harmonia, descanso, completude, perfeição, orientação, sabedoria e direção. Este é meu Maná oculto, e ninguém no mundo – nem mesmo minha mãe – pode vê-Lo! 

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Ninguém pode ver a Consciência Divina que Eu sou, nem pode ver minha percepção Dela, porque não saio na rua e falo sobre Ela. Secreta e sagradamente, percebo dentro de mim, “Obrigado, Pai, que tenho aprendido que Deus constitui meu ser. Meu Maná oculto é essa Consciência; e, portanto, o Infinito é a medida da minha demonstração; a Imortalidade é a medida da minha vida. Nada mais! Não há grande ou pequeno; não há maior ou menor; não há alto ou baixo: há apenas Totalidade.Deus é a Substância dos meus dias, e Deus é a Substância das minhas noites, e tudo que flui em meus dias e minhas noites é a Ação de Deus, a Atividade de Deus, a Substância de Deus, a Presença de Deus, a Lei de Deus. Este é o meu Maná oculto, e posso descansar e relaxar Nele. 

Esta realização é como descansar sobre uma nuvem, flutuar sobre o Mar do Infinito, vivendo, nos movendo e tendo nosso ser nesta Graça Divina, e deixando-a fluir – sem fazer nada, sem pensar no dia seguinte. A cada momento de cada dia ou noite, fazemos as coisas que nos são dadas para fazer sem ansiedade, sem medo, sem dúvida. Por quê? Porque permeando nosso ser está a Sabedoria Divina, a Energia Divina, o Amor Divino, a Vida Imortal, o Espírito Imortal!

A menos que sejamos capazes de descansar e flutuar nesse Mar do Infinito, não temos consciência de nosso Maná oculto. Quando podemos fazer isso, é porque percebemos que “maior é aquele que está em [nós] do que aquele que está no mundo.”(I João 4: 4) Esta convicção é a compreensão de que, porque Deus constitui nosso ser, Deus é a Essência e Substância de nossa vida, que na Presença de nossa própria Consciência há descanso, sossego, contentamento, paz. “Na quietude e na confiança” (Isaías 30:15) descanso, sabendo que tenho esse Maná oculto, que Deus constitui minha consciência, que Deus constitui meus dias de hoje e meus amanhãs. 

O Tempo é Sempre Agora 

Podemos dividir o amanhã em horas, minutos e segundos, mas qual é a substância de uma hora, um minuto, ou um segundo? Podemos separar o tempo de Deus? Podemos ter tempo em algum lugar e Deus em outro lugar, ou Deus é a Essência e a Substância de todo o tempo que existe? 

O relógio é o que divide o infinito em períodos chamados de horas e dias. Mas se removermos o relógio do nosso pensamento, logo veremos que não há dias, horas ou minutos: há apenas um Infinito e Eterno Agora, um Agora que está acontecendo, e continua, e continua sempre sendo Agora; nunca está sendo depois, nunca está sendo antes, está sempre sendo Agora. O calendário divide o tempo em semanas, meses e anos, mas tudo que temos que fazer é ver quantas vezes o calendário foi mudado, e perceber que ele pode ser mudado novamente, para saber que, realmente, não existe tal coisa no Reino de Deus, como uma divisão do tempo. Quando removemos os relógios e os calendários de nossa consciência, vemos que estamos aqui neste espaço, neste tempo, e que o espaço está sempre aqui e que o tempo está sempre sendo agora, e em cada período do nosso agora, temos uma função a realizar.

Deus é a Substância do nosso tempo; Deus é a Substância dos nossos dias; Deus é a Substância, a Atividade e a Lei das nossas noites, e é por isso que não há idade: só existe Agora.

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Deus é a Substância, a Lei e a Atividade da minha consciência. Deus é a Atividade do meu tempo; Deus é a Substância dos meus amanhãs. Agora estou no tempo de Deus; agora estou aos cuidados de Deus; agora estou flutuando sobre esse Mar do Espírito, esse Oceano de Contentamento. Este Contentamento, que muitas vezes senti como uma nuvem ao redor de meus ombros, como se estivesse descansando sobre esta nuvem, esta nuvem de Espírito, de Paz, de Descanso.

Elevando o Eu 

À medida que vivemos na percepção de nossa Consciência Divina, o “homem natural” em nós está “morrendo”. Por que ele está “morrendo”? Ele é alimentado apenas por nossos pensamentos, e quando nossa vida humana, nosso eu carnal, não está em nossos pensamentos, ele está “morrendo”. Quanto mais vivemos na percepção consciente de Deus constituindo nosso ser, mais o “homem natural” está sendo diminuído, até que finalmente se desvanece inteiramente.

Nós mantemos e sustentamos os males, os erros e as discórdias de nossa vida pensando neles, mas assim que não pensamos mais neles, eles deixam de existir porque nunca existiram fora de nosso pensamento. À medida que paramos de pensar em nossos triunfos e fracassos, eles não existem mais. Em vez disso, Cristo vive nossa vida. 

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Como vamos demonstrar a verdade de que Cristo vive nossa vida? Como vamos demonstrar que podemos fazer todas as coisas através do Cristo? O primeiro passo é renunciar ao pronome pessoal “eu”: ” eu” temo; “eu” duvido; “eu” não sou capaz; “eu” não tenho a capacidade; “eu” não tenho tempo. Esse senso pessoal do “eu” deve ser abandonado, e devemos lembrar que nosso Maná oculto é nossa percepção deste Cristo que habita em nós. Enquanto permanecermos na percepção de nosso Cristo Interno, as coisas “deste mundo” devem diminuir e diminuir e diminuir até desaparecer. Quanto mais carregamos em nosso pensamento os medos “deste mundo”, menos chances temos de perdê-los. Eles devem ser abandonados primeiro! Eles não podem ser abandonados psicologicamente – isso já foi tentado. Não podemos nos psicologizar a partir de nossos medos. Só há uma maneira de abandonarmos as preocupações do mundo humano, que é deixar o Cristo preencher nossa consciência, ter a percepção constante deste Maná oculto: 

“Eu vivo; porém não eu, mas Cristo vive em mim”. Não podemos viver lá em cima com isso, e odiar ou temer algo aqui embaixo. Cristo veio à nossa consciência para que tenhamos vida, e para que a tenham com mais abundância. Mas é nossa percepção consciente disso que O traz à nossa experiência.

Devemos saber que temos este Maná oculto, e o que Ele é. Não podemos ter uma fé cega de que Ele é uma coisa ou outra. Ele não é um amuleto: é a compreensão de que Deus é nossa Consciência, que o Cristo é nossa Mente, que o Cristo é a Lei que opera através de nós. Este é o nosso Maná oculto. Este é o segredo que não podemos contar ao mundo porque seríamos crucificados por ele, como outros já foram antes de nós. Não crucificado em uma cruz, mas seremos crucificados em nossa Alma ao sermos zombados e ridicularizados. Portanto, devemos manter isto trancado em nossa consciência e, quando o mundo ver a praticidade deste modo de vida, ver as vidas harmoniosas que se desdobram, não haverá mais argumentos ou críticas. Fique quieto; fique quieto sobre este Maná oculto. 

Então, mesmo que o mundo não acredite, não haverá argumento algum. Tudo em nosso mundo humano – seus costumes, linguagem e modo de operação – torna a vida difícil para nós enquanto tentamos manter esta Palavra em nossa consciência. A dificuldade é que prestamos um serviço labial à conversação do mundo e, ao mesmo tempo, sempre temos que manter nossa própria integridade espiritual interior e, ainda assim, não expressá-la externamente. 

É por isso que é imperativo ter muitos períodos de dez, vinte, ou trinta segundos ou minutos para uma pausa no meio do dia ou da noite para relaxar, lembrar e flutuar novamente no Mar do Espírito. É por isso que é tão essencial fechar os olhos às vezes para sentir o testemunho, e lembrar: “Obrigado, Pai. Eu no meio de mim é o meu Maná oculto”. 

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Todo este tempo estamos elevando o Eu em nós, elevando-O do senso pessoal de “eu” para o Eu que realmente somos. Estamos crucificando esse senso pessoal de “eu”, e se o mantivermos por tempo suficiente, ele estará “morto”, e não restará nada além do Eu que somos, e com isso Minha Paz e Minha Graça, Minha Totalidade, Minha Completude, Minha Harmonia, Minha Justiça.

Temos que lembrar com frequência que o Eu-Cristo é nossa verdadeira identidade, enquanto o “homem natural” é aquela parte de nós que nos foi imposta ao nascer e à qual estamos agora “morrendo”. Na medida em que elevamos o Eu em nós, estamos “morrendo diariamente” para o senso pessoal do “eu”. Na medida em que não pensamos, mas descansamos no Mar do Espírito, estamos deixando o Cristo viver nossa vida, e então a cada momento do dia fazemos aquelas coisas que nos foram dadas para fazer.

Um estudante compreensivo não acreditará que este caminho é uma forma de não fazer nada. Em certo sentido, é; mas este “não fazer nada” nos faz levar uma vida muito ocupada porque o “não fazer nada” não é realmente um não fazer nada; é não fazer nada de natureza pessoal. É não fazer nada através do medo ou da dúvida pessoal; é não fazer nada que seja puramente de nossa vontade ou de nosso desejo. Neste sentido, ele não está fazendo nada, mas é realmente uma existência muito ativa porque Deus está Se realizando como nossa experiência individual.

Imortalidade Revelada

Deus está realizando a Si mesmo e Seu destino como nossa experiência individual. Esta não é a sua vida ou a minha vida para fazer o que gostaríamos: esta é a Vida de Deus que Deus está vivendo como nós. Quando começarmos a perceber isso, compreenderemos a Imortalidade. Não podemos compreender a Imortalidade enquanto pensamos em nossa vida como sendo nossa, porque sabemos muito bem que esse senso pessoal de vida chega ao fim, e, enquanto mantivermos essa crença, não poderemos ter nenhum senso de Imortalidade. Não há como perpetuar eternamente um senso limitado de eu. Em vez disso, devemos “morrer diariamente” para esse senso limitado de eu e perceber: “Não é minha vida que é eterna: é a Vida de Deus que está vivendo a Si Mesmo como minha Vida que é Eterna”. A Vida de Deus não pode morrer; não pode envelhecer; não pode ser doente. Quanto mais percebemos que esta é a Vida de Deus, que esta é a Consciência de Deus aparecendo como nós, mais perdemos a preocupação com nossa própria vida na realização de que Deus sabe como manter e sustentar Sua Vida, que é a nossa.

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Conhecer nossa verdadeira identidade é o Maná oculto. É a capacidade de descansar, sabendo que Deus não tem quaisquer limitações e que Deus vive nossa vida. Deus não pode morrer; Deus não pode pecar; Deus não pode estar doente. Cristo é o eterno filho de Deus, que nunca nasceu e nunca morrerá; e que Cristo, o Divino filho de Deus, vive como Minha Vida Eterna.

Vamos relaxar e descansar nesta Verdade. Que esta seja nossa “Carne” que o mundo não conhece, mas que nós conhecemos e compreendemos. Esta é nossa Carne secreta, nossa Carne Espiritual, a Substância de nossa vida, a compreensão de nossa verdadeira identidade, a compreensão de nossa vida Crística, de nossa Mente Crística, de nossa Alma Crística, de nosso Ser Crístico. 

Mas e quanto a todos os pecados dos quais fomos culpados? Nós nunca fomos! Este é apenas o sentido pessoal, o “homem natural”, que é a capa, a máscara. Persona, máscara! Nossa personalidade é uma máscara que temos usado. Ao despirmos a personalidade, não há mais máscara, e nos revelamos em nossa verdadeira Identidade de Cristo.

Através da Mesa 

O trabalho realizado em Chicago no mês passado (Maio de 1964) foi certamente de uma natureza única em todos os sentidos. Meu trabalho de classe seguiu naturalmente o trabalho em Portland e Seattle e nos deu alguns novos Princípios de trabalho, ou pelo menos novas abordagens para a vida e prática do Caminho Infinito.

Hoje à noite, 5 de junho*, concluí uma Classe Fechada de seis sessões em Manchester sobre meditações bíblicas, uma classe para encerrar todas as classes de meditação como ensinadas e praticadas pelo Caminho Infinito. Coloque esta aula, que foi gravada em três fitas, em seu memorando para encomendar quando você estiver pronto. Você a achará importante. Eu sei porque vi um milagre se desdobrar à medida que esta mensagem foi sendo transmitida (*Junho de 1964). 

Há um segredo conhecido por poucos que deve ser finalmente conhecido, compreendido e praticado por todos. A paz pode ser estabelecida na Terra por um, mas mais rapidamente por dois ou mais, e muito rapidamente por “dez” homens justos. Isto você pode provar primeiro em sua vida familiar, empresarial, profissional e comunitária. Uma vez que você tenha conseguido, não será necessário pedir-lhe para abranger o universo, porque você não terá mais o poder de se abster de fazê-lo.

Reserve um período de meditação a cada dia – e alguns minutos de cada vez serão suficientes – para sentar-se em meditação com o ouvido interno aberto. Isso é tudo: sem orar, sem pedir, sem buscar, especialmente sem desejos a serem satisfeitos. Apenas medite com o ouvido interno aberto e, depois, prossiga com seus negócios. Dê um período específico para isso a cada dia, e não se deixe levar por resultados. No devido tempo, os frutos aparecerão em alguma forma de harmonia dentro de você, sua casa, sua família, ou seu negócio, arte ou profissão.

À medida que os frutos aparecerem, eleve sua consciência para avaliar o clima, as eleições, as relações nacionais e internacionais. Lembre-se de que nenhum desses assuntos entra em seu pensamento enquanto estiver em meditação. Você pode nem mesmo pensar em paz na Terra. Apenas fique quieto. Escute com o ouvido invisível a Palavra inaudível. Desta forma, você está introduzindo o Reino de Deus na terra como é no Céu.

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Joel – Realização da Unidade – Capítulo 8 – Sobre O Mar Do Espírito 



Categorias:Ensinamentos Joel S. Goldsmith, Estudantes do Caminho Infinito

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7 respostas

  1. Incrível esta contemplação e este adentrar na vida espiritual, mesmo pra valer. A dedicação é permanente e, em alguns momentos da jornada, até presenciamos este estado de pura vida espiritual, mas ainda não fomos totalmente mortificados, e isso pode confundir e até paralisar a jornada se não estivermos muito bem alicerçados na Palavra da Verdade e na prática da meditação constante, onde podemos aprofundar mais e realmente fazer a transição e a total rendição.Este vivenciar entre dois mundos não é muito confortável, sendo que poucos adentram este caminho, e precisamos estar convictos da escolha por Deus, por realizar e fluir sempre nesta única vontade; aí, sim, estamos vivendo pela Graça, Sendo o que Somos, Sendo o que Deus É, é um maravilhar e perplexar constante.Desconheço maior glória e beleza! Agradeço imensamente pela preciosidade e alegria de apreciar estas publicações, neste fluir único, em ressonância sempre com esse manancial da Graça. Alohaaaa, amando sempre o Amor que Somos.

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  2. Avatar de arquitetadaoracao

    Digo: esbaldando E maná. Sempre a comoção me toma e qdo vejo já enviei texto sem rever digitação. Mas como não há falha no espírito alcançado da verdade, sigo… mesmo se saiu algum erro d digitar… Agradecida em êxtases múltiplos! Vivência última do Alohar…

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  3. Avatar de arquitetadaoracao

    Ia lendo e me esbaldamdo d comoção incomparável de q realmente vivo essse estado d flutuação da elevação da consciência espiritual CRÍSTICA… quanta alegria ter chegado até aqui! E uma pomba acaba d me visitar onde estou( incorpóreo manifesto) O frescor da imensidade desse estado elevado é imparável, onde qualquer eu pessoal se foi… e só ficou o q É Deus de Deus de Deus! Presenciar o mana oculto, desfrutar do privilégio de conhecer essa dádiva na rendição do seu ser! Passar por todos esses desdobrares constantes, seja os confortáveis ou desconfortáveis( tanto faz), nada se compara a glória descida no Ser q vivência o transmutar do mundo ilusório e adentra o universo irreparável como Ele É. JÁ vim para cá nesse único mundo, o de Deus! Sempre foi nítido ao meu Coexistir a duplicidade do nada. Jamais habitei calendários ou qualquer outra concepção da criação dos mortais. E nesse agora perpétuo honro o incontestável inconceitual livre q sempre fui sou E É e vivooooo! O sem vírgulas foi proposital Pque é assim constantemente constante…
    Tão sorridente está o ponto final do 360 graus aqui! Aloheiiiii como nunca antes! ALOHOUUU no Todooooo! Rendição sem fim por sua existência Deia Crística Deidade Suprema q publica Deus como É. AMANDOOOO como Deus-mesmo amaaaaa!!!

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    • Tão impactante sempre e um maravilhar constante mesmooo, que as palavras nunca alcançam…realmente por tudo vivenciado e até o aparentes desconfortos nada é mais preciso do que adentrar mesmo a esta plena vida verdadeira a única realidade a Vida de Deus como a Nossa sendo o que Somos…Glória sem cessar a sua existência e a todo legado do Joel que fez tudo ser mais aqui nesta compreensão última…Amandooondo-te como Deus ama no para sempreee…Rendição eterna

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    • Tão impactante sempre e um maravilhar constante mesmooo, que as palavras nunca alcançam…realmente por tudo vivenciado e até o aparentes desconfortos nada é mais preciso do que adentrar mesmo a esta plena vida verdadeira a única realidade a Vida de Deus como a Nossa sendo o que Somos…Glória sem cessar a sua existência e a todo legado do Joel que fez tudo ser mais aqui nesta compreensão última…Amandooondo-te como Deus ama no para sempreee…Rendição eterna

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      • Avatar de arquitetadaoracao

        Felicíssimaaaaaa por tudoooooo! Amando o Alohaaaaa q somos… RENDIÇÃO CONSTANTE REALÍSTICA REALIZADA ETERNA!

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