Provações na Senda Espiritual

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Preciso dizer-lhes isto também: a trilha espiritual não é de rosas sem espinhos.

Quando você decide fazer a transição para a vida mística, verá que é necessário abandonar muitos de seus conceitos anteriores de corpo, negócios e prazer. Você encontrará novas experiências à sua espera, e, nesse período de transição, nem tudo é harmonia, “porque estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:14).

Essa vida não é fácil em seus primeiros estágios.

De fato, aprender estas lições pode ser muito dolorosas uma vez que muitas delas só chegam através de um profundo sofrimento. É estranho, mas sem esse sofrimento talvez não possamos aprender com elas, porque quando tudo está bem e estamos em paz com o mundo, não fazemos realmente o esforço necessário e nem realmente tentamos nos aprofundar dentro de nós mesmos.

Frequentemente, seguimos pensando como tudo está indo bem – mas, de fato, não há progresso. É a oportunidade de nossas provações e atribulações que nos forçam para cima, e muitas vezes a pessoa que sofreu mais é a que mais consegue – não porque isso seja necessário, ou que haja algum Deus que o decrete, mas por causa da inércia, por causa do nosso desejo de continuarmos ao longo do caminho que estamos seguindo, porque gostamos de saber que cada dia será seguido por um outro dia sem dor, sem carências e sem limitações.

Tenho lido as vidas de muitos que foram longe na trilha espiritual e até agora não encontrei ninguém que não tinha tido o seu Gethsêmane. Essas grandes verdades não são de fácil consecução. Se as provações não chegam sob uma forma, chegam sob outra. Jesus enfrentou provações, muitas delas, conquanto seja verdade que não temos de passar por acusações e suportar a condenação pública, teremos de vivenciar um pouco dessa luta pessoal. Pode ser dentro de nossa família. Pode ser dentro de nossa comunidade ou do ambiente de trabalho. Em algum lugar, de algum modo, se temos de sondar as profundezas da sabedoria espiritual, cada um de nós deve passar por um período de transição.

Uma das maiores provações pode acontecer quando você pára de depender das pessoas ou quando cessa de enviar contas a seus pacientes e decide que vai depender unicamente do Cristo. Esse primeiro mês em que está ocorrendo esse “ajuste” e você não pode pedir dinheiro a ninguém e também nem pode mandar uma conta. É um período em que você algumas vezes treme um pouco na base e pondera se essa dependência do Cristo irá funcionar. Depois, quando você chega àquele grande Estágio de Cura em que não precisa fazer o uso de palavras ou pensamentos no Tratamento, nunca duvide de que você teve uma provação, um Rio Jordão a cruzar.

Primeiro vem a tentação: “Acho que não estou fazendo justiça a meus pacientes; Acho que não estou trabalhando bastante arduamente”; e depois vem a segunda tentação, após terem ocorrido algumas belas curas, depois de os pacientes terem sido muito generosos, e você sente: “Não posso receber este dinheiro; eu realmente não trabalhei para isto; não fiz o suficiente para ganhar isto”.

Existe toda espécie de provações que chegam com esta vida espiritual. Quando você alcança o estágio em que sua resposta a um pedido de ajuda é tão simples como: “Eu realmente acredito que Deus é a vida de todo o ser; e, portanto, qualquer aparência de erro não pode ser, nem mais nem menos, do que uma alucinação, uma tentação que me vem para me fazer crer num ‘eu’ à parte e separado de Deus. Eu me recuso a acreditar nisso” – e fico satisfeito por deixar que esse seja o Tratamento; depois, quando você se lembra das primeiras formas de Tratamento que usou, surge um período de hesitação e de dúvida. Esse período de transição não é fácil. Chega uma ocasião em que os membros de sua família começam a dizer que você deve ter ficado louco, e os membros de sua Igreja lhe dizem: “Bem, você agora com certeza saiu dos eixos”.

De um modo ou de outro as provações chegam até nós através de nós mesmos, através de nossa família ou de nossos pacientes. Pode até surgir uma ocasião de problemas sérios de saúde e suprimento – nossos ou de nossos pacientes – mas temos de aprender a permanecer firmes, temos de aprender a fazer vigília com eles. Também temos de aprender a nos afastar por “40 dias”, ainda que não sejam precisamente 40 dias, mas em sentido “figurado”. É nos afastarmos para dentro do “aposento”, em nosso esconderijo secreto, e apenas orar até cansar o nosso velho coração: “Afasta de mim este cálice – todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”.

Todas estas coisas nos vêm neste caminho – estreito e apertado. À medida que você abandona a sua confiança em todos os meios humanos de salvação, à medida que você escolhe este caminho, você verá como ele é estreito e apertado. Você verá como são poucos os que o percorrem e, durante algum tempo, parecerá que você está afastado de seus amigos; parecerá que ninguém no mundo o entende e que você jamais encontrará alguém que o entenda. Eu sei, porque durante muitos anos não só tive a oportunidade de falar desta maneira em público como também não tive sequer a oportunidade de falar destas coisas em particular. Tive de ficar quieto, porque no momento em que eu tentasse expressar quaisquer destas idéias, as pessoas entenderiam mal.

Se nossa confiança está no plano interior, se sua confiança está em seu contato com Deus, e você julga que não depende de meios humanos para demonstrar o seu bem, surge uma ocasião em que você tem de permanecer quieto e secretamente dentro de seu próprio ser. Você tem de resolver isso sem falar a esse respeito ao mundo exterior. Tem de prová-lo e, depois de ter feito isso, a evidência é tão grande que você não precisa mais contar, exceto quando estiver ensinando. Você nunca terá de contar a ninguém que encontrou “a pérola de grande valor”. Em primeiro lugar, se você contasse, isso seria quase que a prova positiva de que não a tinha encontrado de fato. Não é necessário falar disso, porque toda a sua vida, toda a sua atitude, todo o seu ser são evidências suficientes. Tudo indica que você a encontrou, e então o mundo a quer – ou quer pelo menos os seus frutos.

Surge um outro período difícil, quando você realmente acredita que o mundo reconheceu que você encontrou a pérola, e ele a quer e você deseja expô-la e compartilha-la com os irmãos. Depois que você faz isso durante diversos anos – anos de profundo sofrimento – você descobre que o mundo não a queria, absolutamente: apenas queria os frutos que viu você desfrutar. Eis porque, quando alguém vem até você, alegando que quer essa Verdade, você se movimenta com calma – você nem sempre tem a certeza de que a pessoa está sendo verdadeiramente sincera. Talvez ela queira apenas os efeitos ou os resultados. Você logo descobre o que é e qual é o propósito real dela porque, se ela realmente o quiser, haverá indicações de que todas as outras coisas foram postas de lado e por suas ações ela prova que nada é tão importante quanto a Verdade. Então você ouvirá: “Bem, quinta-feira à noite não pode ser, mas eu virei na terça-feira de tarde. Se você não puder me ver, então eu não posso vê-lo!”

Quando um discípulo quer realmente a Verdade, ele virá à meia-noite ou a qualquer hora do dia ou da noite, bastando que você o diga. Você sabe que Brow Landone mantinha o horário do consultório durante a noite toda? Quando você marcava uma entrevista, tinha de perguntar se era antes ou depois do meio-dia. Tive entrevistas com ele que duraram até às 6hs da manhã.

Quando você se torna atuante neste trabalho, constata que não há isso de manter o horário do consultório. Antes ou depois do meio dia não significa absolutamente nada para você, exceto para manter o registro certo, e a Devoção e a Dedicação dos que vão até você, podem, num certo sentido, ser medidas por seu interesse quanto ao fato de a entrevista com você ser antes ou depois do meio-dia, na terça, na sexta ou no domingo; porque se essas pessoas estão preocupadas com essas trivialidades, então seus corações estão longe – e este caminho não visa aos corações, almas e mente que não estejam em Deus.

Se há uma ideia em sua mente de que a Verdade é algo que possa ser usado, que é algo para obter ganho pessoal, para obter felicidade ou saúde pessoal, nem comece o seu estudo porque você encontrará só desapontamentos e corações dilacerados. Há uma infinidade de métodos metafísicos que podem ser usados com a finalidade de proporcionar felicidade pessoal ou ganhos pessoais temporários. Mas o Caminho Infinito não pode ser usado para tais propósitos: o Caminho Infinito pode proporcionar somente imortalidade e eternidade e todo o bem que Deus conhece. Mas isso em um nível completamente diferente do que o do bem humano, assim como a liberdade espiritual não deve ser confundida com liberdade humana.

A liberdade espiritual, “a paz que ultrapassa o entendimento”, não depende de nada no mundo exterior. Depende do seu relacionamento com o Cristo, com Deus. Quando isso se torna real, quando Ele se incorpora em você, quando Ele o inflama e essa vida se torna seu tudo em tudo, você se vê vivendo em dois mundos:
O mundo interior, que é o importante, e o mundo exterior, com sua cota de satisfações, que não deve ser tomado muito a sério e não deve tomar muito tempo e esforço porque a impaciência para voltar ao Centro é muito grande.

Cartas do Caminho Infinito (Joel S. Goldsmith)

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