Quebre os Grilhões que o prendem

Muitas das dificuldades e lutas em nossa experiência surgem porque estamos vivendo em diferentes planos de consciência, às vezes em um, às vezes em outro, e frequentemente esses planos estão em conflito um com o outro. Em um plano, somos seres físicos com mente, sendo o corpo o fator dominante; em outro plano, somos seres mentais com corpos, isto é, somos uma mente e um corpo, e o corpo é governado pela mente. Pode ser governado por uma atividade consciente da mente ou por uma atividade involuntária da mente.

Nos últimos meses, tem havido muitos relatos em revistas e jornais sobre experiências que foram realizadas na área da percepção subliminar, através da televisão e do cinema. Nos primeiros experimentos, que foram realizados dentro de um cinema, o público foi instruído a dirigir-se para o saguão durante o intervalo, para comprar pipoca e coca cola. Mesmo não sabendo que essa sugestão havia sido dada a elas, porque o slide havia sido mostrado na tela tão rapidamente que tornou-se invisível aos olhos e, portanto, não foi registrado conscientemente na mente, a maioria das pessoas no teatro foi impelida a obedecer a essa sugestão. Se elas queriam ou não pipoca ou coca-cola, não fazia diferença. A impulsão era tão forte que elas se sentiram compelidas a sair e comprá-la, dando o seu bom dinheiro para algo que elas podiam não querer e talvez nem tivessem comprado. Não era necessário que elas estivessem cientes da sugestão, vê-la ou ouvi-la, e não havia conhecimento de que ela estava sendo feita.

Se uma pessoa não estiver alerta, ela obedecerá instruções sutilmente dadas, porque a técnica não visa a mente consciente; é destinada ao subconsciente. Esses experimentos mostram até que ponto o corpo obedece aos ditames da mente. No nível humano de consciência, é exatamente isso que acontece. O corpo está sujeito à mente. Nesse mesmo nível de consciência, existem certas leis, mentais e físicas, que, se violadas, trazem punição. Esta é a lei de causa e efeito: “qualquer coisa que o homem semeie, isso também ele ceifará” – como você faz aos outros, assim será feito a você. Tudo isso ocorre porque, como seres humanos, vivemos em um plano mental, e até o corpo está sujeito ao controle mental.

A Mente Ignorante da Verdade É uma Presa Fácil para as Crenças do Mundo

Toda discórdia é resultado da violação de alguma lei no plano humano, mental ou físico. Se não houvesse violação da lei, não haveria desarmonia – nem doença, nem pecado. Sempre algum tipo de lei é violada: sentar-se na friagem ou pés molhados resultam em resfriado, a exposição ao contágio resulta em doença, comer imprudentemente resulta em distúrbios funcionais. Estas são leis mentais estabelecidas e, assim como o sujeito nos experimentos de percepção subliminar não tem conhecimento das sugestões empurradas para ele, não é necessário ter ciência dessas leis e aspectos mentais e físicos para ser afetado por eles e sofrer a penalidade que sua violação acarreta.

Há milhares de leis das quais as pessoas podem não saber e, ainda assim, quando violadas, seguem- se penalidades: uma criança recém-nascida pode desconhecer os efeitos da friagem, mas se ela estiver na friagem, provavelmente ficará resfriada. Obviamente, uma criança nada saberia da existência de tal lei, mas não é necessário saber que existe uma lei ou ser essa lei violada, para se sofrer a penalidade.

Todo o erro neste mundo é tão universal e invisível quanto os slides que brilharam na tela nos experimentos de percepção subliminar, e opera da mesma maneira – sem uma percepção consciente disso. Isso faz de todos vítimas disso. É fato, todo mundo nascido neste mundo é vítima de todas as leis desconhecidas alojadas na consciência humana. Desde o momento da concepção, a consciência da pessoa é preenchida com crenças de poder nas pessoas e condições, e sua aceitação dessas crenças faz da pessoa uma vítima delas.

Os havaianos sabem que o trabalho dos kahunas, bons e maus, é eficaz, principalmente por causa do medo individual ou crença em seu poder. Os aborígines da Austrália se envolvem em prática muito semelhante sob o nome de magia negra, e enquanto o kahuna do Havaí pode lançar seu feitiço com um pedaço de unha ou cabelo, o mago negro do aborígines obtém os mesmos resultados apontando o dedo ou um pedaço de madeira afiado na direção da vítima, e no momento em que ele faz isso, sua vítima fica doente e morre em poucos dias. Por quê? Certamente não porque existe algum poder dos kahunas, e não porque existe algum poder na magia negra, mas apenas porque eles foram aceitos e temidos como um poder. O pecado e a doença operam no mundo da mesma maneira que essas magias – por sugestão. Não precisamos saber que a sugestão foi feita; só precisamos acreditar que os pensamentos e as coisas do mundo têm poder.

A cura metafísica originalmente repousava no princípio da verdade dissipando o erro, ou verdade sobre erro. A idéia básica era que, se os maus pensamentos mantidos na mente tinham um efeito sobre o corpo, quanto maior efeito teriam bons pensamentos sobre o corpo… Com essa teoria, uma religião surgiu – a religião do pensamento correto. Fundamenta-se na idéia de que, em circunstâncias comuns, a raça humana é vítima de quaisquer crenças que circulam na consciência. Por exemplo, se uma epidemia é galopante em uma parte da mundo, logo se espalha por todo o mundo porque, de acordo com os adeptos deste ensino, onde quer que haja pessoas para pensar, há pessoas para aceitar o resultado do pensamento. Os metafísicos argumentaram que, se as pessoas em todo o mundo são presas fáceis de sugestões errôneas, verdades ou pensamentos corretos devem ter um efeito igualmente grande sobre o corpo, mas de natureza benéfica.

A partir deste ensino em que o indivíduo enche sua consciência com a Verdade, que age terapeuticamente sobre o corpo e que se mostrou muito eficaz, cresceu a medicina psicossomática, fundada em princípios semelhantes. Usa a cura psicológica, ou seja, quer mudar a atitude do paciente de uma base negativa para uma positiva, uma técnica de encher a consciência com a Verdade, em vez de preenchê-la com erros, crenças e teorias. Uma mente imbuída de erro, pensamento errado ou pensamento negativo produz uma condição negativa do corpo, da carteira ou da vida familiar; uma mente imbuída de Verdade resulta em um corpo saudável, um bolso saudável ou uma vida familiar saudável. Em outras palavras, trata-se aqui de decidir se alguém vai acordar de manhã e aceitar todo ou qualquer pensamento que lhe ocorre, ou se ele tomará uma posição positiva e rejeitará o negativo.

Este tipo de prática foi um passo na direção certa, porque foi um afastar-se de deixar um espaço em branco na mente para o mundo agir. Se uma pessoa tem uma mente que apenas aceita tudo o que lhe é dado oralmente, visualmente ou invisivelmente, essa mente pode ser obrigada a seguir os ditames de um pensamento – sugestão – e pô-los em prática. O indivíduo que determinou seu próprio pensamento, sendo movido ou governado apenas pelo que ele próprio aceita, dará início a um novo caminho. Os efeitos da crença mundial deixam de ser um fator dominante em tal experiência da pessoa. Alunos da Verdade, independente de qual ensino da Verdade eles possam seguir, freqüentemente são menos vítimas desse mesmerismo universal do que o mundo em geral e, além disso, eles são menos afetados pelas condições do mundo.

Recuse-se a Aceitar as Crenças do Mundo como Poder

Todos devem aprender a acordar de manhã e se apoderar de sua própria mente, percebendo:

Nada pode entrar em minha mente de fora, porque minha mente é um instrumento através do qual Eu atuo – não um instrumento através do qual outra pessoa atua ou através do qual a crença do mundo atua. Minha mente é um instrumento que me é dado, assim como corpo é dado a mim, e assim como Eu mantenho meu corpo inviolável, também mantenho minha mente inviolável, livre de crenças do mundo. Não permito que minha mente seja usada por sugestão, influências de fora, por opiniões ou teorias externas. Eu faço da minha mente um instrumento para a Verdade de Deus. Minha mente é um instrumento através do qual Eu atuo.

Essa percepção não pode ser alcançada através da fé cega de que Deus cuidará de nós. Isso deve ser feito conscientemente. Se quisermos ser salvos dessas influências mundiais, essas influências mesméricas como doença e morte, não será Deus quem vai nos salvar delas. Mas será por nos recusarmos a deixar nossa mente agir pelas crenças do mundo, mantendo nossa mente aberta apenas para Deus.

Se habitarmos – vivermos, nos movermos e existirmos – no abrigo secreto do Altíssimo, nenhum dos males do mundo chegará perto de nossa morada. Eles não acontecerão conosco, se estivermos vivendo em obediência ao princípio de manter a Consciência plena da Verdade, se nos recusarmos a aceitar as crenças do mundo como poder, e percebermos que o Único Poder que opera dentro de nós é o Poder da Verdade. Se conscientemente sabemos ou não uma verdade específica, não é o ponto. A questão é se sabemos ou não que a Verdade que opera em nossa Consciência é Poder, e que nada mais é.

Entre muitos estudantes da Verdade, há muita superstição, muita fé cega de que existe algum tipo de Deus que faz algo pelos estudantes metafísicos que Ele não faz por outras pessoas. Essa é uma crença fatal. Deus é Deus, e Deus não faz distinção entre pessoas. Deus está disponível para brancos ou negros, judeus ou cristãos, maometanos ou hindus. Deus está disponível para qualquer pessoa na face do globo, para qualquer um que se faça conscientemente Um com Ele. Não tem nada a ver com Deus. A questão é se um indivíduo acredita que está vivendo como ser humano em um mundo onde o hipnotismo – um tipo de percepção subliminar – vem acontecendo há gerações, passando despercebido para nós como indivíduos, mas operando em nossa consciência ou no que os psicólogos agora chamam de subconsciente, ou se ele reconhece que sua mente não está à mercê de sugestões e caprichos das crenças do mundo, mas é uma transparência através da qual Deus atua.

Setenta e cinco a oitenta anos de prática metafísica provam que noventa por cento dos erros do mundo podem ser evitados na proporção em que não reconhecemos conscientemente e com firmeza senão Um Poder, e esse Poder não é externo a nós e não opera sobre nós, mas atua de dentro de nós, e então, para fora de nós. A sala em que estamos sentados neste exato momento pode ser preenchida com todo o erro que existe em qualquer lugar do mundo. Neste exato momento, pode estar cheia da atmosfera de morte, doença, acidente, pecado e falso apetite. Essas sugestões não estão apenas chegando do rádio e televisão, mas estão fluindo através da consciência do mundo. Sem saber disso, podemos ser vítimas delas de uma forma ou de outra, mas sabendo disso, podemos nos proteger de seus efeitos.

Observe o que acontece em sua própria experiência ao aprender a despertar de manhã, e barrar absolutamente de si mesmo a possibilidade do pensamento do mundo entrar em sua consciência e operar em sua experiência. “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”. Mil cairão à sua esquerda e dez mil à sua direita, mas não chegará perto daqueles que habitam nesta Verdade. Sempre houve guerras e rumores de guerras; houve pragas, secas, inundações e tempestades. Todavia, as Escrituras dizem que nenhuma dessas coisas chegará perto de sua morada. Qualquer um que esteja disposto a se dar ao trabalho de dedicar tempo suficiente todos os dias ao reconhecimento de que, embora “existam” crenças do mundo, elas propriamente não existem como poder, pode experimentar uma medida desta imunidade prometida nas Escrituras:

As crenças do mundo não encontram entrada em minha Consciência, porque minha Consciência é a Verdade se expressando. Nenhuma teoria, crenças, leis, sugestões ou hipnose humana podem entrar em minha Consciência para contaminar ou cometer mentiras. Todo o Poder – o Poder do Bem, ou Deus – flui de dentro de mim para este mundo.

Hipnotismo não é verdade, e se aprendermos a respeitar a Verdade Espiritual e aplicar essa Verdade a toda experiência da vida diária, pensamentos negativos e coisas que operam no mundo através do mesmerismo universal serão anulados. Enquanto nossa Consciência estiver plena de Verdade, não podemos ser obrigados a aceitar uma mentira. Quando mantemos nossa mente como um Templo de

Deus, de modo que nada entre nessa mente exceto o que vem de Deus, descobrimos que estamos vivendo em Paz Interior.

Se essa experiência humana será harmoniosa ou desarmônica, será bem ou mal sucedida, boa ou má, isso é determinado por nós. Determinamos pela nossa disposição de reservar uma parte de cada hora para lembrar a nós mesmos que não somos vítimas de tudo o que está flutuando no ar, sejam pensamentos ou coisas, mas que somos a saída para a Presença e Poder de Deus. Nossa mente é o Templo de Deus, assim como nosso corpo, e conservamos sua santidade.

Todos no plano humano estão agindo e reagindo a alguma sugestão de crença universal. Humanamente, somos antenas e respondemos aos pensamentos, humores e disposição de outra pessoa; reagimos aos sentimentos um do outro, bem como aos sentimentos e tensões mundiais. Quando outras pessoas temem algo coletivamente ou individualmente, nós tememos a mesma coisa; mas quando reconhecemos essa tendência, nos tornamos cada vez menos responsivos a influências externas. Uma pessoa que não entende que existem forças invisíveis que governam sua experiência humana, é claro, não estaria disposta a gastar nem cinco minutos do seu tempo em esforço para se tornar imune às crenças do mundo. Mas uma vez que começamos a perceber que existem muitas coisas que fazemos que realmente não pretendíamos e nem queríamos fazer, e que pensamos muitos pensamentos contrários à nossa natureza, que devem ter sido impostos a nós de fora, então começaremos a ver que há um mesmerismo universal e estaremos dispostos a fazer o esforço necessário para libertarmo-nos dele:

O mesmerismo universal não é um poder que pode entrar na minha Consciência; parece ser um poder e age como um poder somente por causa de minha ignorância de sua natureza. Agora que eu o reconheço como ele é, não reajo mais, não aceito mais suas sugestões, não reajo mais a isso. Eu sou o templo do Deus Vivo, e tudo o que o Pai é flui através de mim.

Atingindo uma Dimensão Mais Elevada da Vida

Há outro plano de Consciência que Jesus chamou de “Meu Reino”. “Meu reino não é deste mundo” – não do mundo físico e mental. Nesse Reino, há uma Paz que nunca pode ser conhecida com a mente ou o corpo: “Minha Paz Eu vos dou, não como o mundo a dá”. Este é um Reino da Consciência, completamente diferente. Nesta Consciência Superior, há somente “ser”: não há leis, não há causa nem efeito, bem nem mal, nem para cima nem para baixo. Há sim apenas “ser”. Ainda que pareça estranho, quando “Meu Reino” ou “Minha Paz” são trazidos até a mente, anulam a lei humana e removem as penalidades por sua transgressão, porque remove a própria transgressão. Observe a mudança que ocorre quando você se torna conscientemente Um com Deus, quando você se abre e se torna um estado de receptividade a tudo o que flui de dentro, do Reino de Deus, conscientemente desligando-se da influência hipnotizante do mundo.

A dimensão maior da vida a que o Mestre se referiu como “Meu Reino” não é acessível à pessoa que está sob o mesmerismo do mundo. Conforme esse mesmerismo é dissipado e nos tornamos tão conscientes de Deus operando em nós quanto até agora estávamos conscientes do medo, dúvida, suspeita, ódio, inveja, ciúmes, nos tornamos suscetíveis à atividade do Reino de Deus. Aqueles que entendem como o mesmerismo no mundo, como o hipnotismo universal funciona, são capazes de anular seus efeitos em suas experiências.

É loucura para um ser humano, cujos olhos não estão abertos e que não percebe claramente a natureza desse sentido universal, pensar que, passando pelas formas de meditação, ele vai ouvir a Voz pequena e silenciosa. É tolice, para a pessoa que ainda está cedendo ao sentido pessoal – ódio, inveja, ciúme, malícia, preconceito – acreditar que ela pode sentar-se, fechar os olhos e achar que imediatamente Deus estará em cena para protegê-la. Isso não é possível, até que uma pessoa se separe das próprias influências que originalmente criaram um senso de separação de Deus. Nós estamos separados de Deus apenas porque a mente, em vez de ser uma clara transparência para a Alma, ficou nublada pelo senso pessoal ou mesmerismo do mundo. Nesse estado de hipnotismo, Deus não pode ser ouvido.

A Não-Reação é a Medida de Nossa Libertação das Crenças do Mundo

Podemos nos ajudar em muitas e muitas situações difíceis, mas isso só pode ser feito na medida em que não estamos mais sendo usados pelo senso pessoal, pelo hipnotismo que enche nossas mentes, pensamentos e até corpos com crenças do mundo. Leva meses antes de podermos nos separar dessas crenças universais e nos tornarmos receptivos e responsivos à pequena e silenciosa Voz Interior; mas depois de algumas semanas de prática, começamos a ser cada vez menos receptivos e responsivos a alguns desses impulsos mundiais. Isso realmente leva meses de trabalho antes que possamos chegar a um estado de Consciência que não responda àquelas coisas que o mundo teme, indiferentes a certas coisas que até então despertaram raiva, ressentimento, rebelião ou desejo de vingança, ou não reagir à ganância, egoísmo ou sensualidade.

Aprenda bem esta lição! O mundo humano e as pessoas nele são vítimas do mesmerismo – vítimas de todos os estados negativos, doentes e pecaminosos, atingidos pela pobreza de pensamento que opera como consciência humana – e nos atinge sempre pelo ponto mais fraco. Se houver medo de doença, o mesmerismo mundial assumirá a forma de algum tipo de doença; se houver medo da escassez, o mesmerismo mundial assumirá a forma de pobreza ou limitação; se for falso apetite, o mesmerismo mundial assumirá a forma de alcoolismo, dependência de drogas, ou até gula: o mesmerismo mundial sempre encontrará o caminho para o que é mais vulnerável – nosso ponto mais fraco. Se não for nada disso, ainda nos fará temer um fantasma em algum lugar.

Nosso trabalho como estudantes é obedecer à ordem do Mestre de sairmos disso e mantermo-nos à parte: “Não são do mundo, como Eu do mundo não sou”. (João 17:15,16). Quando respondemos cada vez menos aos impulsos do mundo e aos medos, dúvidas, pecados, carências e doenças do mundo, então temos mais e mais imunidade. Quando passamos a vida cada vez menos conscientes dessas coisas que acontecem ao nosso redor, ou elas não causam nenhuma impressão em nós, mesmo se estivermos cientes delas, então nos libertamos do mesmerismo mundial, e agora estamos no mundo, mas não somos dele. Agora somos do Reino de Deus. Agora, a Voz pequena e silenciosa pode assumir e guiar-nos por pastos verdejantes, junto às águas tranquilas; agora, o impulso espiritual interior pode fazer aquelas coisas por nós que as Escrituras prometem.

Ninguém pode fazer isso por nós. Só nós podemos nos libertar do hipnotismo deste mundo. Quando pedimos ajuda a um praticante, ele pode nos ajudar num assunto, num problema particular, naquele minuto em particular. Um praticante pode anular alguma forma de erro ou quebrar alguma forma de hipnotismo para nós, no entanto, apenas para abrir espaço para outras formas. Por quê? Porque não nos libertamos da influência invisível que existe como hipnotismo universal.

Hipnotismo Não É Poder

Não cometa o erro de temer essa influência invisível, pois não é um poder, exceto para aqueles que o ignoram, ou para quem lhe dá poder. Isto não é um poder, uma vez que sua natureza seja percebida. Nesta fase da nossa experiência, devemos ser capazes de nos afastarmos do hipnotismo mundial, assim como podemos mudar qualquer estação de nosso rádio, ou desligá-lo completamente. Pode demorar alguns meses ou mais para chegar a esse ponto, a esse estágio de consciência, mas isso só pode ser realizado se praticado fielmente muitas vezes por dia.

Quando algo diz: “Estou com dor de cabeça”, nossa resposta imediata deve ser: “não, não sou eu quem tem dor de cabeça. Esse é um senso universal que me impressiona”. Ou se a sugestão é: “eu tenho uma carência que não posso preencher”, a resposta é: “não, não sou eu quem tem essa falta, estou aceitando um sentimento universal de falta”. Não estamos apenas no mundo, mas somos dele, até que rompamos o sentido hipnótico que nos torna vítimas dessa coisa silenciosa que está acontecendo.

Há milhares de anos, a raça humana acredita em coisas que não são verdadeiras: o mundo era plano, o sol girava em torno da Terra, guerras e pestes eram necessárias para diminuir a população para que a população não excedesse o fornecimento de alimentos. Então, sempre uma pessoa iluminada – alguém com visão – pode ver além das aparências e refuta alguma teoria até então aceita como lei – seja astronômica, geográfica, econômica, médica ou dietética.

Não precisamos aceitar limitação de nenhuma forma – limitação de saúde, de bolso ou de relações humanas. Não precisamos aceitar limitações de nenhuma forma, porque essas limitações são apenas crenças criadas pelo homem, que não têm mais fundamento do que muitas teorias que antes eram consideradas sólidas, mas que hoje são admitidas como ridículas. Devemos permanecer na verdade de que Eu e o Pai Somos Um, e tudo o que o Pai tem é nosso. Devemos perceber nosso Infinito, e prová-lo. Mas isso só pode ser demonstrado quando percebemos que fomos vitimados, não por qualquer falta, mas por uma sugestão universal que aceitamos, por ignorância.

Grande parte do que foi exposto aqui está sob o título do que chamamos de trabalho protetor, mas isso é inadequado, porque o termo “trabalho de proteção” implica que há algum poder do qual ser protegido. Do que precisamos nos proteger é de nossa ignorância de nossa Verdadeira Identidade, nossa ignorância da Fonte da Verdadeira Sabedoria. Muitas das coisas nas quais acreditamos não são verdadeiras: muitas das coisas em que acreditamos uns sobre os outros, e muitas das coisas que acreditamos sobre o mundo não são verdadeiras. Como um escritor disse, quase um século atrás, “o problema com as pessoas não é que elas não sabem, mas que elas sabem tanto que não sabem nada”; para saber quanta blasfêmia e quanto testemunho falso contra o nosso próximo existe no mundo, é necessário apenas viajar e conhecer pessoas do mundo. Eles não são, de modo algum, o que o mundo nos faria acreditar que elas são.

Devemos parar de aceitar a hipnose mundial. Devemos perceber que estivemos aceitando o que o mundo bombardeia para nós de maneira silenciosa e invisível, aceitando tudo como se fosse fato, em vez de voltar-nos para Deus e deixarmos Deus revelar a Verdade: “Pai, qual é a verdade sobre esse indivíduo ou essa condição?” Geralmente, quando fazemos isso com humildade e sinceridade, a resposta volta, “este é meu Filho, meu Filho Amado, em quem me comprazo. Este é o Meu Templo”.

Em geral, o que acreditamos um sobre o outro não é verdade. É o que é revelado para nós de dentro que vem com autoridade, e que virá somente quando sairmos suficientemente do meio deles e tornarmo-nos separados:

Nada pode entrar no meu Ser que contamine ou cometa mentiras, pois Eu e o Pai Somos Um. Estou sujeito apenas à Lei e à Vida de Deus, à Sabedoria de Deus, à Mente de Deus, a Alma de Deus. “Eu” está no meio de mim, e desse “Eu” vem minha sabedoria, minha direção, minha orientação, minha proteção, meu sustento. Volto-me apenas a esse “Eu”, e sou conduzido e alimentado por Ele.

Joel – Cartas de Outubro de 1958 – Capítulo Quebre os grilhões o prendem.



Categorias:Ensinamentos Joel S. Goldsmith

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